Fecho da Premier em Tulbagh ameaça quase metade da capacidade conserveira da África do Sul
O possível encerramento da unidade frutícola da Premier Foods em Tulbagh retiraria quase metade da capacidade conserveira da África do Sul. Produtores e sindicatos procuram alternativas antes do início da colheita em novembro.
País pode perder uma das duas principais unidades
A Premier Foods iniciou um processo de consulta ao abrigo da Section 189 sobre o possível encerramento da Fruit Products Western Cape, a sua fábrica de processamento de fruta em Tulbagh. Segundo a GroundUp, o fecho eliminaria quase metade da capacidade sul-africana de produção de conservas. Centenas de agricultores teriam de procurar outra unidade poucos meses antes da colheita de frutas de folha caduca, que começa em novembro.
A África do Sul tem duas instalações conserveiras principais: Tulbagh e a Langeberg Foods, em Ashton, segundo Jacques Jordaan, diretor executivo da Canning Fruit Producers’ Association. Entre 200 e 220 produtores fornecem Tulbagh. Muitos cultivam variedades de damasco, pêssego e pera desenvolvidas para conserva, e não fruta de maior durabilidade adequada à exportação em fresco. Cerca de 90% das conservas da fábrica são exportadas, deixando a operação diretamente exposta à procura internacional, às tarifas e ao câmbio.
Premier aponta deterioração do mercado internacional
A Premier disse à GroundUp que o negócio deixou de ser economicamente sustentável devido ao aumento dos custos de produção e à queda da procura global. A empresa também citou o excesso de oferta mundial, tarifas mais elevadas dos Estados Unidos, incerteza sobre a African Growth and Opportunity Act, pressão cambial e consolidação no setor conserveiro. A Premier destacou ainda o encerramento, no início deste ano, de uma das duas grandes operações de conservas de fruta dos Estados Unidos.
A decisão surge após a Premier concluir, no início deste ano, a aquisição da Rhodes Food Group e incorporar Tulbagh no seu portefólio. Jordaan afirma que mais de 200 milhões de rands foram investidos na fábrica nos últimos três anos. A Premier pretende trabalhar com a Langeberg Foods no processamento das próximas colheitas, em vez de manter Tulbagh. Os produtores consideram inviável transferir todo o volume para Ashton em poucos meses e alertam para riscos comerciais e financeiros significativos.
Produtores e sindicatos exigem tempo e alternativas
Os agricultores já suportaram a maior parte dos custos anuais de poda, fertilização, irrigação e controlo de pragas. A associação afirma que os contratos renováveis de fornecimento de longo prazo preveem um aviso de dois anos, permitindo às explorações adaptar-se a mudanças na capacidade industrial. Numa carta de 29 de julho, a Premier confirmou que pagaria no fim de outubro os acertos pendentes relativos a damascos, pêssegos e peras da campanha 2025/26. Jordaan disse, porém, que não existem compromissos para campanhas futuras.
Malvern de Bruyn, secretário provincial da COSATU no Cabo Ocidental, afirmou que os representantes laborais recusaram discutir despedimentos na primeira consulta e pediram a suspensão da Section 189 para avaliar uma recuperação empresarial. Segundo De Bruyn, mais de 150 explorações e potencialmente milhares de trabalhadores podem sofrer impactos indiretos. A Competition Commission avalia se os despedimentos cumprem as condições de interesse público relativas ao emprego associadas à compra da Rhodes Food Group. As partes têm 60 dias para chegar a acordo; as perguntas devem ser entregues até 14 de agosto, as respostas da Premier são esperadas em 21 de agosto e a próxima consulta está marcada para 26 de agosto. Para os produtores, a urgência é saber se a fábrica restante absorverá os volumes de Tulbagh antes da colheita.