Índice da FAO: trigo sobe 5,8% e açúcar 5,6% em julho de 2026, enquanto a carne recua 2,8%
Os preços internacionais de cereais, açúcar e óleos vegetais subiram em julho de 2026, segundo o Índice de Preços de Alimentos da FAO. O trigo avançou 5,8%, o milho 3,6%, o açúcar 5,6% e os óleos vegetais 2,0%, impulsionados por ondas de calor, preocupações com a oferta e tensões geopolíticas nos mercados de energia. A carne caiu 2,8%, a primeira queda mensal do ano.
Os preços internacionais das commodities alimentares subiram em julho de 2026, com as altas concentradas em cereais, açúcar e óleos vegetais, segundo o Índice de Preços de Alimentos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Ondas de calor em regiões produtoras, preocupações com a oferta e os efeitos das tensões geopolíticas sobre os mercados de energia e alimentos estão entre os principais fatores, conforme publicado pelo Jornal Grande Bahia.
Cereais lideram a alta de julho
O Índice de Preços de Cereais da FAO subiu 3,4% em relação a junho e ficou 6,9% acima do nível de julho de 2025. Dentro do grupo, o preço internacional do trigo avançou 5,8% e o do milho 3,6%, enquanto o arroz permaneceu amplamente estável no mês.
O trigo registrou uma das maiores altas entre os cereais acompanhados pela FAO. O movimento foi motivado em parte pelas preocupações com possíveis interrupções nas exportações pelo mar Negro, corredor diretamente afetado pelo conflito entre Rússia e Ucrânia. Ondas de calor em países produtores importantes ampliaram a pressão ao aumentar as dúvidas sobre as condições das safras e a disponibilidade futura do cereal.
O milho foi sustentado pelo clima quente e seco em partes dos Estados Unidos e pela evolução dos mercados de energia em um cenário de aumento das tensões geopolíticas.
Açúcar entre o clima e o etanol
Os preços do açúcar subiram 5,6% em relação a junho e 8% na comparação com julho do ano anterior. A FAO apontou as condições climáticas em áreas produtoras importantes, as expectativas relacionadas ao fenômeno El Niño na Ásia e a possibilidade de maior utilização da cana-de-açúcar para produção de etanol no Brasil.
A alta ocorreu em meio a preocupações com o clima quente e seco na União Europeia e com possíveis impactos do El Niño sobre a produção agrícola em países asiáticos. No Brasil, o aumento temporário da mistura obrigatória de etanol na gasolina pode direcionar uma parcela maior da cana ao biocombustível, reduzindo a matéria-prima destinada à fabricação de açúcar e, consequentemente, a oferta disponível no mercado internacional. A melhoria das condições de colheita nas principais regiões produtoras do Centro-Sul limitou a pressão de alta sobre as cotações.
Óleos vegetais no maior nível desde 2022
O índice da FAO para óleos vegetais aumentou 2,0% em relação a junho, alcançando em julho o nível mais elevado desde junho de 2022. O comportamento do segmento foi determinado pelas cotações dos óleos de palma e de soja. O óleo de palma teve valorização associada à forte demanda do setor de biodiesel da Indonésia e ao aumento dos preços internacionais do petróleo bruto, com o cenário energético influenciando também as condições gerais do mercado de óleos vegetais. O óleo de soja subiu diante da demanda por matérias-primas nos Estados Unidos e do crescimento da procura internacional por importações. Em sentido contrário, os preços dos óleos de girassol e colza recuaram no período.
Carne interrompe a sequência de 2026
O mercado internacional de carnes teve comportamento diferente. Os preços caíram 2,8% em julho na comparação com o recorde registrado em junho, marcando a primeira queda mensal de 2026.
- Carne de aves: a redução das cotações esteve ligada sobretudo aos preços praticados no Brasil, em um contexto de maior disponibilidade para exportação.
- Carne suína: o aumento da oferta pesou sobre o mercado internacional, especialmente na União Europeia.
- Carne bovina: as cotações internacionais recuaram, refletindo principalmente a redução da demanda de importação em mercados asiáticos.
Os dados divulgados pela FAO mostram que as condições climáticas e os fatores geopolíticos seguem afetando diferentes cadeias de produção e comercialização de alimentos. Nos cereais, os efeitos foram observados tanto nas perspectivas de produção quanto nos fluxos de exportação. No açúcar, as decisões sobre o uso da cana para produção de etanol no Brasil passaram a integrar, ao lado do clima, as variáveis consideradas pelo mercado internacional. Nos óleos vegetais, a demanda por biodiesel e a evolução dos preços do petróleo contribuíram para a valorização.
Em julho de 2026, portanto, o índice da FAO apontou alta de 5,8% do trigo, 3,6% do milho, 5,6% do açúcar e 2,0% dos óleos vegetais, enquanto a carne recuou 2,8% e o arroz permaneceu estável. Os resultados refletem a combinação de clima, oferta, demanda, energia e tensões geopolíticas nos mercados internacionais.