Falhas fitossanitárias agravam queda das exportações agrícolas do Paquistão
As exportações paquistanesas de arroz, gergelim, batata, manga e citrinos estão em queda, enquanto a conformidade fitossanitária ganha peso como barreira comercial. Alertas repetidos da UE sobre o arroz do país expõem fragilidades na quarentena vegetal, na segurança alimentar e nas medidas corretivas.
Queda atinge as principais culturas de exportação
A desaceleração das exportações agrícolas do Paquistão abrange arroz, gergelim, batata, manga e citrinos, enquanto os alertas fitossanitários levantam dúvidas sobre a capacidade do país de atender às exigências cada vez mais rigorosas dos mercados de destino. Segundo o Profit Pakistan Today, o problema já não se limita aos custos de produção, aos preços internacionais ou à procura fraca: falhas na quarentena vegetal e na fiscalização da segurança alimentar dificultam o acesso a mercados de maior valor.
Os embarques de arroz para os Estados-membros da União Europeia caíram de 492.239 toneladas em 2023 para 309.704 toneladas em 2025, recuo superior a 37%, de acordo com os dados citados pela publicação. Em 2024, as exportações ainda permaneceram próximas do nível de 2023, com 486.445 toneladas, antes da forte retração no ano seguinte.
A fraqueza continuou em 2026. O Paquistão enviou 231.675 toneladas de arroz para a UE nos primeiros sete meses, ante 287.139 toneladas no período equivalente de 2024. Os números não oferecem uma comparação com o mesmo período de 2025, mas reforçam a tendência geral de redução dos volumes destinados a um mercado regulado importante.
Gergelim, batata e frutas também perdem volume
Outros produtos agrícolas registaram contrações semelhantes. As exportações de gergelim recuaram de 269.771 toneladas em 2023 para 169.076 toneladas em 2025, queda de 37,3%. As de batata diminuíram 52,6% em termos anuais em 2026, passando de 884.863 toneladas em 2025 para 419.547 toneladas.
As exportações de frutas também enfraqueceram. Os embarques de manga caíram de 106.634 toneladas em 2024 para 94.621 toneladas em 2025. Para 2026, a Associação Paquistanesa de Exportadores, Importadores e Comerciantes de Frutas e Hortaliças, a PFVA, fixou uma meta de exportação de 80.000 toneladas, indicando a expectativa de mais uma temporada de baixa. As exportações de citrinos recuaram de 259.566 toneladas em 2023 para 181.784 toneladas em 2025.
Cada produto enfrenta condições próprias de produção, preços e mercado, portanto os dados disponíveis não permitem atribuir todas as quedas a uma única causa. A dimensão do movimento, porém, aumenta o escrutínio sobre a infraestrutura comum do comércio agrícola: controles nas propriedades, inspeção, certificação, rastreabilidade, gestão de pragas e coordenação entre autoridades provinciais e federais.
Alertas da UE expõem problemas de fiscalização
O arroz oferece o sinal regulatório mais claro. O Profit Pakistan Today afirma que os registos de alerta nas fronteiras da União Europeia mostram interceções repetidas de cargas paquistanesas ao longo de vários anos. Segundo a publicação, a recorrência indica falta de medidas técnicas corretivas adequadas por parte dos departamentos provinciais de agricultura e dos órgãos federais responsáveis pela proteção vegetal e segurança alimentar, incluindo o Department of Plant Protection e a NAFSA.
Alertas repetidos afetam mais do que a carga rejeitada ou retida. Eles elevam o risco de inspeção dos embarques seguintes, acrescentam custos de testes e manuseamento, atrasam a liberação e tornam os compradores mais cautelosos com fornecedores da mesma origem. Para produtores, processadores e exportadores paquistaneses, recuperar os volumes depende não apenas dos preços ou do tamanho da colheita, mas também de garantir a conformidade antes de a mercadoria deixar o país.
Os dados comerciais não determinam quanto de cada queda resultou diretamente de falhas fitossanitárias. Eles mostram, porém, que várias culturas importantes estão a perder vendas externas enquanto o sistema regulatório do Paquistão enfrenta críticas. Sem melhorias nas inspeções, na prevenção e nos procedimentos corretivos, os exportadores terão mais dificuldade para manter o acesso a mercados exigentes e obter contratos de maior valor.