Fabricantes russos de pneus pedem tarifa de 30% sobre a China
Cordiant, Kama e Ikon Tyres pediram à Comissão Econômica Eurasiática proteção contra pneus chineses baratos, com tarifas de cerca de 30 por cento e possíveis cotas. A China fornece três quartos das importações russas, no valor de 510 milhões de dólares no ano passado.
Produtores recorrem à Comissão Econômica Eurasiática
Fabricantes russos de pneus, entre eles Cordiant, Kama e Ikon Tyres, pediram à Comissão Econômica Eurasiática (CEE) que proteja o mercado interno do que descrevem como produtos chineses baratos demais, informou o Kommersant citando fontes, em relato reproduzido pela Lenta.ru. O pedido busca reverter uma mudança rápida no mercado desde 2021, quando a saída das principais marcas mundiais abriu um espaço que os fornecedores chineses passaram a ocupar.
Uma das medidas em estudo é uma tarifa de importação de cerca de 30 por cento, que elevaria com força o custo dos pneus estrangeiros. A CEE também pode limitar os embarques com cotas, subindo os preços ao reduzir a oferta. O regulador tem 30 dias para analisar o pedido e decidir se abre uma investigação, prazo que pode ser prorrogado.
A China domina o segmento econômico
A China concentra três quartos de todas as importações de pneus para a Rússia, sobretudo no segmento de baixo preço. Segundo a Administração Geral de Alfândegas da China, os embarques de pneus para a Rússia chegaram a 510 milhões de dólares no ano passado, 3,3 vezes o nível de 2021, quando as principais marcas mundiais ainda operavam no país. O salto de 3,3 vezes em três anos mostra a rapidez com que os fornecedores chineses ocuparam esse espaço, em grande parte com pneus baratos que baixam os preços das linhas nacionais.
O diretor-geral da Cordiant, Dmitri Gorbatchov, afirmou que a fatia crescente de pneus estrangeiros causa dano evidente à indústria nacional, o que "pode indicar a necessidade de introduzir medidas especiais de proteção" para restaurar uma concorrência saudável. Em meio à expansão chinesa, as fábricas russas de pneus operam a apenas 51 por cento da capacidade, e a produção nacional caiu mais 20 por cento no ano passado.
Preços mais altos para os compradores mais econômicos
Maxim Kadakov, editor-chefe da revista Za Rulem, alertou que as tarifas atingiriam com mais força os consumidores que só conseguem pagar os pneus mais baratos. Acrescentou que a experiência de anos anteriores sugere que os preços finais podem subir ainda mais do que a própria tarifa. O especialista em automóveis Vengerski considera que as tarifas previstas de 30 por cento poderiam expulsar de vez os pneus chineses para carros de passeio do mercado russo.
Para importadores e distribuidores, a combinação de uma possível tarifa com cotas de fornecimento aponta para volumes menores e margens mais amplas nos produtos que hoje sustentam a base do mercado. Os compradores que dependem dos pneus de entrada teriam as menores alternativas caso o fornecimento chinês recue.
Uma proibição paralela por motivos químicos
Em separado, o Ministério da Indústria e Comércio da Rússia propôs proibir a importação de pneus com alto teor de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos. A medida atingiria parte da produção chinesa, impedindo sua venda oficial na Rússia. Especialistas acreditam que, se aprovada, ela poderia retirar um terço dos produtos do segmento econômico. Juntos, o pedido de tarifa e a proposta sobre o teor químico são dois canais distintos pelos quais os pneus chineses baratos poderiam perder acesso à Rússia no mesmo período.
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