Exportadores de soja dos EUA buscam mercados após vendas à China caírem 45%
Os compromissos de exportação de soja dos Estados Unidos caíram 18,5% em um ano, para 41,4 milhões de toneladas em 16 de julho. Vendas adicionais de 3,3 milhões de toneladas ao Egito e à Ásia não compensam a queda de 45% nas compras chinesas.
Queda da demanda chinesa deixa grande lacuna
Os exportadores norte-americanos de soja estão acelerando as vendas a destinos alternativos enquanto a menor demanda chinesa afeta as últimas semanas do ano agrícola 2025-2026. Participantes do mercado disseram à Platts, pertencente à S&P Global Energy, que os embarques totais continuam muito abaixo do nível do ano anterior, restando pouco mais de um mês para o encerramento do ciclo comercial em agosto-setembro.
Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos mostraram compromissos totais de exportação de 41,4 milhões de toneladas em 16 de julho, queda anual de 18,5%. A China respondeu por 12,4 milhões de toneladas, 45% menos que no ano anterior. As estimativas mundiais de oferta e demanda agrícola publicadas em 10 de julho indicaram que as exportações já haviam alcançado a previsão para 2025-2026.
Operadores norte-americanos afirmaram que a China suspendeu as compras de soja dos Estados Unidos por quase cinco meses a partir de junho de 2025, em meio às tensões comerciais bilaterais, e preferiu o produto brasileiro. As importações foram retomadas no fim de outubro de 2025, mas permaneceram baixas. Uma tarifa chinesa adicional de 10% sobre bens dos Estados Unidos reduziu ainda mais a competitividade da soja norte-americana diante da safra brasileira.
Egito e compradores asiáticos absorvem mais volume
Os exportadores dos Estados Unidos venderam 3,3 milhões de toneladas adicionais a outros países até 16 de julho, segundo o Departamento de Agricultura. Operadores disseram à Platts que grande parte do aumento foi destinada ao Japão, à Indonésia, a Taiwan, ao Paquistão e a Bangladesh. Acordos comerciais firmados com os Estados Unidos ajudaram a ampliar as compras, mas esses mercados não conseguem substituir integralmente a escala da demanda chinesa.
O Japão reservou 2,3 milhões de toneladas de soja norte-americana para 2025-2026, alta anual de 10,2%, depois que os Estados Unidos anunciaram em 28 de outubro de 2025 que o país compraria US$ 8 bilhões em produtos agrícolas, incluindo soja. A Indonésia aumentou seus compromissos em 19,8%, para 2,4 milhões de toneladas, após um acordo comercial em julho de 2025. Bangladesh, que concordou em comprar US$ 3,5 bilhões em produtos agrícolas norte-americanos, adquiriu 1,2 milhão de toneladas de soja, alta de 49%.
O Egito foi o maior mercado alternativo citado nos dados oficiais, com aumento de 41,6% nas compras, para 4,9 milhões de toneladas. Os operadores atribuíram o avanço à demanda interna por ração animal, e não a um acordo comercial. O Paquistão elevou seus compromissos em 317,9%, para 1,1 milhão de toneladas, após retirar a proibição à importação de culturas geneticamente modificadas.
Safra maior elevará a pressão sobre as vendas
Os compromissos antecipados da China para o ano agrícola 2026-2027 estão em 2,4 milhões de toneladas. Operadores norte-americanos demonstraram pouca confiança de que as compras chegarão a 20 milhões de toneladas em 2026, nível citado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em fevereiro, após uma conversa com o presidente chinês, Xi Jinping.
O Departamento de Agricultura prevê uma safra norte-americana de 115,99 milhões de toneladas em 2025-2026, queda anual de 2,6%. A produção deverá crescer 4,1%, para 120,7 milhões de toneladas em 2026-2027, enquanto as exportações devem avançar 9,2%, para 45,18 milhões. Cumprir essa projeção exigirá crescimento sustentado fora da China ou uma recuperação expressiva das compras chinesas. A Platts avaliou a soja SOYBEX FOB Nova Orleans em US$ 491,91 por tonelada em 27 de julho, alta anual de 21,4%.