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Exportações de trigo russo caem 6,5 vezes no início de setembro e migram para o Báltico e o Irã

A Rússia exportou 418 mil toneladas de grãos desde o início de setembro, contra 2,4 milhões de toneladas no mesmo período do ano passado, segundo o Pravda.ru. Ust-Luga e Vysotsk, na região de Leningrado, tornaram-se os principais pontos de embarque, enquanto os carregamentos por Tuapse quase desapareceram. O trigo caiu para 294 mil toneladas e o número de países compradores passou de 25 para oito.

Exportações de trigo russo caem 6,5 vezes no início de setembro e migram para o Báltico e o Irã

A Rússia exportou 418 mil toneladas de grãos desde o início de setembro, quase seis vezes menos do que os 2,4 milhões de toneladas embarcados no mesmo período do ano passado, segundo o Pravda.ru. A queda veio acompanhada de uma redefinição das rotas: a maior parte do volume saiu por terminais do Báltico, na região de Leningrado, e não pelas saídas tradicionais do sul.

Terminais do Báltico deslocam os portos do sul

Ust-Luga foi o principal ponto de embarque, com 176,8 mil toneladas, seguido de Vysotsk, com 95 mil toneladas. O Pravda.ru observa que nenhum dos dois portos movimentou grãos no início de setembro do ano passado, o que torna a mudança abrupta e não gradual. Astracã ficou em terceiro lugar com 87,5 mil toneladas, e todo o volume seguiu para o Irã. Outras 14,2 mil toneladas chegaram ao Irã por Makhachkala, no Cáspio.

O contraste com o mar Negro é forte. Tuapse, saída habitual dos grãos do sul, carregou 7,4 mil toneladas no período, contra 93,5 mil toneladas um ano antes. Para os tradings, esse rearranjo pesa mais do que a tonelagem em si: os portos do sul ficam próximos às principais regiões produtoras do Kuban, de Rostov e de Stavropol, enquanto os terminais bálticos puxam o grão por distâncias terrestres bem maiores.

Trigo e cevada desabam, milho é o único em alta

A abertura por cultura mostra que a queda se concentrou nos dois produtos que normalmente definem o programa exportador russo:

  • Trigo: queda de 6,5 vezes, para 294 mil toneladas
  • Cevada: queda de 7,3 vezes, para 43 mil toneladas
  • Milho: alta para 48,3 mil toneladas, ante 26,6 mil toneladas um ano antes

O milho foi a única cultura com crescimento. Cevada e milho foram enviados para um único destino, o Irã, segundo o Pravda.ru. Os dois grãos forrageiros ficam assim sem qualquer diversificação no período, e seus volumes de curto prazo dependem das decisões de compra de um só cliente.

Base de compradores encolhe de 25 países para oito

Oito países compraram trigo russo no período, contra 25 um ano antes, informou o Pravda.ru. O encolhimento da carteira de compradores pesa para o mercado tanto quanto a própria queda de volume: nas primeiras semanas de uma safra comercial, o trigo russo costuma se distribuir pelo norte da África, Oriente Médio, África subsaariana e parte da Ásia, justamente quando a oferta do hemisfério norte é mais abundante e a disputa por demanda é mais acirrada.

Para importadores acostumados a fechar origem russa no começo da safra, um programa de embarques mais magro em setembro levanta a questão da substituição. Compradores que não recebem cargas russas esperam a normalização dos volumes ou recorrem a outras origens, com impacto de custo que depende do frete e do diferencial de preços no momento da compra.

Capacidade e custo de transporte limitam a rota norte

Olga Morozova, especialista em infraestrutura e desenvolvimento regional, afirmou que as exportações pelo Báltico são contidas pela capacidade limitada dos portos e pelo custo mais alto de levar o grão para o norte em comparação com as rotas do sul, conforme relatou o Pravda.ru.

As duas restrições atuam em conjunto. A capacidade de movimentação dos terminais limita quanto grão pode sair fisicamente pelo Báltico em um mês, enquanto o percurso terrestre mais longo encarece cada tonelada embarcada e comprime o retorno de exportadores e produtores. Enquanto o corredor norte concentrar o fluxo principal, a economia de entrega do grão russo será bem diferente do modelo construído em torno do mar Negro.

Os números cobrem apenas o começo do mês e não definem sozinhos o desenho da safra. Marcam, porém, uma mudança nos caminhos pelos quais o grão russo chega aos compradores estrangeiros e no número desses compradores.

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