Exportações da Tailândia crescem 21,6% com procura por eletrónica e IA
A Tailândia exportou mercadorias no valor de 34,789 mil milhões de dólares em julho de 2026, mais 21,6% do que no ano anterior. As importações cresceram 36,7%, para 38,399 mil milhões de dólares, deixando um défice comercial mensal de 3,610 mil milhões.
Produtos industriais lideram o crescimento de julho
As exportações de mercadorias da Tailândia aumentaram 21,6% em termos homólogos em julho de 2026, para 34,789 mil milhões de dólares, apoiadas pela eletrónica e por produtos ligados ao investimento em tecnologia avançada. Segundo a InfoQuest, as importações avançaram mais depressa, crescendo 36,7% para 38,399 mil milhões de dólares e gerando um défice comercial mensal de 3,610 mil milhões.
As exportações industriais atingiram 28,692 mil milhões de dólares, mais 24,2%, completando o vigésimo oitavo mês consecutivo de expansão. Cresceram os equipamentos de vídeo e áudio e respetivos componentes, telefones e peças, computadores e componentes, transformadores elétricos, produtos de cobre, placas de circuitos e máquinas. Os eletrodomésticos e componentes para telemóveis também mantiveram um desempenho favorável.
O Ministério do Comércio apontou a procura mundial sustentada nas cadeias tecnológicas e na infraestrutura digital como um motor central. A procura relacionada com inteligência artificial deverá apoiar as vendas externas no restante do ano. Os importadores também anteciparam compras perante possíveis alterações na política comercial dos Estados Unidos.
Importações apoiam a produção, mas ampliam o défice
O elevado volume importado consistiu sobretudo em matérias-primas, bens de capital e máquinas utilizados na produção para exportação, afirmou Nuntapong Jiralertpong, diretor do Gabinete de Política e Estratégia Comercial. Estes fluxos fazem parte da coprodução e do investimento em infraestrutura para o ciclo da eletrónica e as indústrias de tecnologia avançada, e não representam apenas uma deterioração do desempenho comercial.
O desequilíbrio continua, porém, significativo. Entre janeiro e julho de 2026, as exportações chegaram a 231,531 mil milhões de dólares, um aumento de 18,2%, enquanto as importações totalizaram 266,885 mil milhões. A Tailândia acumulou assim um défice comercial de 35,354 mil milhões de dólares nos primeiros sete meses.
Hong Kong foi o grande mercado de exportação com crescimento mais rápido, seguido dos Estados Unidos, União Europeia, Austrália e Canadá. As vendas recuaram mais para a Suíça, seguida do Médio Oriente, Reino Unido e Sul da Ásia. As diferenças mostram que a atual expansão está concentrada em determinados setores e regiões.
Exportações agrícolas regressam ao crescimento
As exportações agrícolas aumentaram 0,6% para 2,766 mil milhões de dólares, a primeira expansão em três meses. Borracha, camarão fresco, refrigerado e congelado, frango processado e arroz estiveram entre os produtos que cresceram. Produtos da pesca, legumes frescos e bens pecuários também apoiaram o resultado global.
As exportações agroindustriais seguiram a direção oposta, caindo 3,3% para 2,070 mil milhões de dólares e recuando pelo quarto mês consecutivo. Alimentos para animais de estimação e produtos do mar enlatados e processados continuaram a crescer, mas não compensaram a contração geral do segmento.
Previsão melhora, mas permanecem riscos políticos
O ministério espera um crescimento anual das exportações de dois dígitos e admite uma expansão superior a 12%, face à previsão anterior de 8–11%. Um crescimento de 12% levaria as exportações anuais a 381 mil milhões de dólares; com 15%, o total alcançaria 391,267 mil milhões. A meta deverá ser revista por volta de outubro de 2026.
As perspetivas continuam expostas a possíveis tarifas norte-americanas dirigidas a países e produtos específicos e às tensões no estreito de Ormuz, que poderão elevar e tornar mais voláteis os custos de energia. A Tailândia procura concluir um acordo de comércio recíproco com os Estados Unidos para reduzir a incerteza dos exportadores. A força da procura por eletrónica poderá continuar em 2027, mas a dimensão da fatura das importações e o calendário das mudanças comerciais determinarão quanto o crescimento melhora o saldo externo.