Exportações russas de pescado ao Brasil triplicam e receita cresce quinze vezes
A Rússia exportou 580 toneladas de produtos pesqueiros ao Brasil nos primeiros nove meses de 2026, alta anual de 200,2%. A receita aumentou quinze vezes, para US$ 3,54 milhões, impulsionada pelas novas vendas de bacalhau e, sobretudo, pelo clipfish de maior valor.
Embarques chegam a 580 toneladas
As exportações russas de pescado ao Brasil triplicaram nos primeiros nove meses de 2026, com aumento de 200,2% no volume, de 193,2 para 580 toneladas. A receita cresceu quinze vezes, de US$ 233,5 mil para US$ 3,54 milhões, segundo a PortNews, que citou uma análise das estatísticas aduaneiras brasileiras feita pela Associação Russa de Armadores da Frota Pesqueira.
A diferença entre as taxas de crescimento mostra que a mudança no portfólio pesou mais do que o simples aumento da tonelagem. O bacalhau russo não apareceu nos embarques do mesmo período de 2025, mas seus produtos se tornaram a principal fonte de receita em 2026. Pollock e bacalhau somaram 552,3 toneladas e US$ 3,34 milhões, equivalentes a 95% do volume e 94% do valor exportado.
Clipfish impulsiona aumento do valor
Os fornecedores russos começaram a desenvolver no fim de 2025 o mercado brasileiro de clipfish, bacalhau salgado e seco. Nos primeiros nove meses de 2026, os embarques chegaram a 166,2 toneladas, no valor de US$ 2,63 milhões. O produto gerou 74% de toda a receita russa com exportações de pescado ao Brasil, apesar de representar menos de um terço do volume.
Os embarques de clipfish aceleraram em setembro. A Rússia enviou 48,3 toneladas, avaliadas em US$ 851 mil, o dobro do volume registrado em qualquer mês anterior. Sua participação nas importações brasileiras de clipfish subiu de 12,4% para 15,2% em um mês. A Noruega permaneceu como principal fornecedora, embora sua fatia anual tenha recuado de 92,5% para 76,8%. O produto norueguês manteve preço superior, de US$ 17,3 por quilograma, ante US$ 15,8 para o bacalhau seco russo.
Pollock lidera em volume e bacalhau em receita
O pollock congelado continuou sendo o principal pescado russo em volume no Brasil, com participação de 64%. Os embarques aumentaram 92%, de 193,2 para 371 toneladas, enquanto a receita cresceu 144%, de US$ 233,5 mil para US$ 569 mil. O preço médio avançou 27%, para US$ 1,53 por quilograma. A Rússia respondeu por 100% das importações brasileiras de pollock congelado no período; um ano antes, a China detinha uma fatia de 18%.
A Rússia também forneceu 15,1 toneladas de bacalhau congelado por US$ 136,6 mil. Considerando todos os produtos de bacalhau, os embarques somaram 181,3 toneladas e US$ 2,77 milhões. Apesar do rápido crescimento, a participação russa no total das importações brasileiras de pescado continuou pequena, passando de 0,09% para 0,25%. A PortNews informou que as tarifas de importação ainda limitam o negócio, pois os exportadores russos concorrem com produtos de países do MERCOSUL que entram no Brasil sem tarifa. O crescimento futuro dependerá da competitividade dos produtos processados de maior valor e dos custos de acesso ao mercado.