Exportações russas de peles e couro sobem 59,1% com valorização da zibelina
As exportações russas de matérias-primas de couro, peles e produtos derivados cresceram 59,1% entre janeiro e julho de 2026, mas somaram apenas 2 milhões de dólares. A alta da zibelina e a recuperação da demanda externa sustentaram os embarques, enquanto a limitada capacidade de processamento elevou as importações em 20,1%.
Exportações superam o ritmo do comércio russo
As exportações russas de matérias-primas de couro, peles e produtos derivados cresceram 59,1% em relação ao ano anterior entre janeiro e julho de 2026, segundo cálculo do Kommersant baseado no relatório socioeconômico de agosto da Rosstat. As importações da mesma categoria aumentaram 20,1%.
Apesar das altas taxas, os valores comerciais permaneceram modestos. As exportações totalizaram 2 milhões de dólares e as importações chegaram a 8 milhões. Ainda assim, a categoria avançou muito mais do que o comércio russo de mercadorias em geral: as exportações totais cresceram 16,5%, para 271,8 bilhões de dólares, e as importações subiram 15%, para 192,8 bilhões.
Zibelina e demanda asiática sustentam embarques
Especialistas ouvidos pelo Kommersant relacionaram parte do crescimento à recuperação da demanda internacional por peles russas e ao retorno gradual das peles naturais à moda. A Rússia é uma grande exportadora de peles silvestres caras, sobretudo de zibelina, para a qual não existe substituto direto no mercado, afirmou Albina Koryagina, sócia de desenvolvimento de negócios da Neo. A União Europeia retirou no verão a proibição de importar o material que havia adotado no 21.º pacote de sanções contra a Rússia.
Os preços também elevaram o valor contabilizado do comércio. O preço médio em leilão de uma pele de zibelina silvestre atingiu cerca de 340 dólares em março de 2026, ante 135 dólares um ano antes, segundo dados da associação Soyuzpushnina citados pelo Kommersant. Em setembro, o valor havia recuado para 240 dólares por pele.
A Rússia também exporta peles silvestres de marta, raposa e esquilo. Mais de 80% das peles produzidas no país são enviadas para a Ásia, principalmente China, Camboja e Vietnã, segundo a Associação Nacional de Criadores de Animais de Pele. Vison e raposa-do-ártico de criação perdem espaço nas exportações à medida que a produção russa diminui.
Queda da produção expõe limites de processamento
A Rússia produziu 107 mil peles em maio de 2026, 138 mil em junho e 80,24 mil em julho, conforme dados da Neo. Em 2023–2025, a produção média mensal ficava em torno de 200 mil–290 mil unidades. Os números mostram uma distância crescente entre a demanda firme pela zibelina silvestre de alto valor e a base mais fraca de oferta de peles de criação.
O país também não tem capacidade suficiente para curtir, tingir e confeccionar artigos de couro e pele com alta qualidade. Por isso, fábricas e varejistas importam principalmente peles preparadas, couro curtido e produtos acabados da China e da Turquia. Itens mais caros vêm da Grécia e da Itália. A produção russa de couro e artigos de couro cresceu apenas 4% entre janeiro e agosto de 2026.
Consumidor russo continua sensível ao preço
A preparação dos varejistas para o inverno impulsionou as importações no verão, mas a demanda por roupas caras de pele natural permaneceu contida. A rede Snezhnaya Koroleva afirmou que os clientes mostravam maior preferência por produtos de coelho e raposa.
Os consumidores também estão recorrendo ao mercado de revenda. A Avito informou que as vendas de casacos de pele usados cresceram 39% entre janeiro e julho de 2026, enquanto as compras de peças anunciadas em condição nova aumentaram 59%. As peles artificiais avançaram mais: as compras de segunda mão subiram 67% e as de itens novos foram 2,1 vezes maiores. Para produtores e comerciantes, os dados revelam um mercado dividido: a demanda externa favorece peles premium escassas, enquanto o consumidor russo de massa continua priorizando o preço.