Exportações russas de GNL sobem 35% em setembro após retomada de Yamal
A Rússia exportou 3,36 milhões de toneladas de GNL em setembro de 2026, alta anual de 35%, informou o Kommersant com dados da Kpler. A Ásia-Pacífico recebeu a maior parte do volume, mas sanções e o fechamento do mercado europeu limitam o crescimento futuro.
Exportações chegam a 3,36 milhões de toneladas
A Rússia exportou 3,36 milhões de toneladas de gás natural liquefeito em setembro de 2026, aumento de 35% em relação ao mesmo mês de 2025, informou o Kommersant com base em dados da empresa de inteligência de commodities Kpler. O resultado mostra uma forte recuperação dos embarques mensais no início do outono.
Ivan Timonin, gerente sênior da Implementa, atribuiu a alta principalmente à retomada dos embarques da unidade Yamal LNG após a manutenção programada de agosto. Isso indica que o avanço de setembro resultou ao menos parcialmente da normalização da produção e do carregamento em instalações existentes, e não apenas da entrada de nova capacidade.
Ásia-Pacífico absorve a maioria das cargas
A Ásia-Pacífico foi o principal destino do GNL russo em setembro. China, Japão e Coreia do Sul receberam juntos 2,12 milhões de toneladas, quase dois terços do volume mensal informado. As empresas russas de energia enviaram outras 0,72 milhão de toneladas em direção à Europa.
Nos primeiros nove meses de 2026, os exportadores russos forneceram 25,35 milhões de toneladas de GNL aos mercados externos. O volume foi 14% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Assim, o crescimento anual de 35% em setembro superou com ampla margem a expansão acumulada desde janeiro.
Sanções e restrições europeias limitam as perspectivas
Os ativos russos em operação incluem a unidade Yamal LNG, controlada pela NOVATEK e com capacidade projetada de 16,5 milhões de toneladas por ano, além da primeira linha do Arctic LNG 2. A Gazprom opera o Sakhalin-2, com capacidade de 9,6 milhões de toneladas, e a unidade Portovaya LNG, de 1,5 milhão de toneladas. A NOVATEK também controla a fábrica Cryogas-Vysotsk, com capacidade de 660 mil toneladas.
A ampliação das exportações enfrenta restrições relevantes. Os Estados Unidos sancionaram a maioria dos projetos russos de GNL, limitando o acesso a navios-tanque e dificultando a logística. O mercado europeu de energia deverá fechar para fornecedores russos de GNL a partir de 1º de janeiro de 2027. Os especialistas citados na reportagem consideram improvável que a Rússia substitua integralmente os volumes europeus com vendas para compradores asiáticos, pois os importadores da Ásia-Pacífico procuram diversificar suas fontes e evitar dependência de um grupo pequeno de produtores estrangeiros.