Exportações de morango fresco de Marrocos caem a mínimo histórico na safra 2025-2026
Marrocos exportou apenas cerca de 8.700 toneladas de morango fresco entre outubro de 2025 e abril de 2026, quase 50% menos que na safra anterior e a quarta queda anual seguida, segundo a EastFruit. A concorrência egípcia, a seca, a falta de mão de obra e as enchentes provocaram o tombo, enquanto os produtores migram para mirtilo, framboesa e morango congelado IQF.
Exportações pela metade, no menor nível da história
As exportações marroquinas de morango fresco caíram a um patamar sem precedentes na safra agrícola 2025-2026, segundo relatório da plataforma especializada em mercados agrícolas EastFruit, citada pela madar21.com. Os embarques somaram apenas cerca de 8.700 toneladas entre outubro de 2025 e abril de 2026, uma queda próxima de 50% em relação à safra anterior. Foi a quarta temporada consecutiva de recuo e a maior contração registrada desde o início do acompanhamento dos dados do setor.
O relatório interpreta a queda não como um revés passageiro, mas como uma transformação estrutural do setor marroquino de frutas vermelhas. Enquanto as exportações de mirtilo e framboesa seguem em crescimento expressivo nos mercados internacionais, o morango vai perdendo aos poucos sua posição competitiva.
Concorrência egípcia e custos em alta
A EastFruit situa o início dessa mudança no acirramento da concorrência do Egito, que ampliou fortemente sua área plantada de morango nos últimos anos e consegue oferecer produto a preços mais baixos. Isso custou a Marrocos parte importante de sua competitividade nos mercados externos, sobretudo na Europa.
A redução das margens levou um número crescente de produtores marroquinos a abandonar o cultivo do morango e a converter suas terras para culturas mais rentáveis, em meio a custos de produção mais altos e pressões econômicas crescentes.
A escassez de água aprofundou os problemas do setor. O morango é uma das culturas que mais consomem água, e anos sucessivos de seca reduziram os níveis de água subterrânea nas principais zonas de produção, ao passo que a salinização se agravou nas áreas costeiras. Alguns agricultores investiram em estações de dessalinização para salvar suas lavouras, o que elevou fortemente os custos de produção e enfraqueceu a viabilidade econômica do cultivo do morango.
Mão de obra, clima e enchentes
O setor enfrentou ainda uma crescente falta de mão de obra sazonal, já que parte dos trabalhadores partiu para a Espanha em busca de melhores salários enquanto outros preferiram empregos em fazendas de mirtilo e framboesa, que oferecem condições e retornos mais atrativos.
As perturbações climáticas atingiram a produção de forma direta. Ondas de frio, umidade e oscilações de temperatura atrasaram o amadurecimento dos frutos, privando os exportadores marroquinos da janela dourada de comercialização nos mercados europeus, quando os preços estão no auge. As enchentes nas regiões de Gharb e Loukkos no início de 2026 agravaram a crise, ao inundar amplas áreas de plantio, danificar os túneis plásticos de proteção e destruir parte importante da colheita.
Desempenho por mercado e a virada para o congelado
O impacto variou entre os principais destinos. A França teve a maior queda, com exportações recuando mais de 80%, enquanto os embarques para a Espanha caíram 54% e para o Reino Unido, 44%. A queda foi menos acentuada no mercado holandês. A Arábia Saudita foi o único mercado a registrar crescimento nas importações de morango marroquino, embora os volumes envolvidos permaneçam limitados e não alterem a tendência geral.
Investidores e grandes cooperativas estão redirecionando capital para culturas mais rentáveis, como mirtilo, amora e abacate, enquanto o morango mantém cada vez mais sua presença sobretudo no segmento de congelamento rápido individual (IQF). Em 2025, Marrocos estabeleceu recorde de exportações de morango congelado para os Estados Unidos, beneficiando-se da redução dos suprimentos mexicanos, sinal de que parte do setor migra da exportação de morango fresco para produtos congelados de maior valor agregado. A EastFruit conclui que o setor marroquino de morango fresco já não vive uma crise passageira, mas entrou em profunda reestruturação que redesenha o mapa de produção e exportação de frutas vermelhas.