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Exportações de vinho dos EUA para o Canadá caem 78% e Califórnia absorve o impacto

As exportações de vinho norte-americano para o Canadá passaram de cerca de 460 milhões de dólares em 2024 para 103 milhões em 2025, uma queda de 78%, segundo o Wine Institute. Um ano e meio após o início da disputa tarifária, as garrafas dos EUA voltaram às prateleiras apenas em Alberta e Saskatchewan. A Califórnia responde por mais de 95% das exportações vinícolas norte-americanas.

Exportações de vinho dos EUA para o Canadá caem 78% e Califórnia absorve o impacto

Um ano e meio após o início da disputa tarifária entre Washington e Ottawa, o vinho norte-americano continua praticamente ausente do varejo canadense, e são as vinícolas da Califórnia que absorvem a maior parte da perda, informou a Spectrum News de Sacramento. Com exceção de Alberta e Saskatchewan, as bebidas alcoólicas dos EUA, vinho incluído, não voltaram às prateleiras canadenses.

Segundo o Wine Institute, as exportações de vinho dos EUA para o Canadá caíram 78% em um único ano: de cerca de 460 milhões de dólares em 2024 para 103 milhões em 2025. A Califórnia responde por mais de 95% de todas as exportações vinícolas norte-americanas, o que concentra a perda em um só estado. Antes da deterioração das relações comerciais, o Canadá era o maior importador de vinho dos EUA, de acordo com dados do departamento de agricultura do estado citados pela Spectrum News.

  • Exportações de vinho dos EUA para o Canadá: cerca de 460 milhões de dólares em 2024 e 103 milhões em 2025
  • Queda em um ano: 78%
  • Participação da Califórnia nas exportações vinícolas dos EUA: mais de 95%
  • Províncias que voltaram a listar vinho norte-americano: Alberta e Saskatchewan

Apenas duas províncias restabeleceram as listagens

«Infelizmente, todos os produtos americanos, bebidas alcoólicas e vinho incluídos, continuam retirados das prateleiras, com exceção de Alberta e Saskatchewan», disse Joan Kautz, da Kautz Wine. «Essas duas províncias permitiram que vinhos e produtos da Califórnia e dos EUA voltassem às prateleiras. Mas agora são mercados bastante saturados.» A reabertura de dois mercados provinciais oferece, por isso, alívio limitado: o espaço de prateleira disponível já está comprometido.

A Kautz Wine exporta cerca de 150 mil caixas por ano, e o Canadá tem sido um destino importante para esse volume, especialmente nas garrafas de preço mais alto. A vinícola está avaliando mercados alternativos na África e na Europa Oriental, mas Kautz considera o Canadá insubstituível no curto prazo. «Não se substitui o Canadá. São 30 anos de trabalho de mercado e de relações que construímos lá. O mercado vai voltar. Pode levar tempo», afirmou.

Sem sinais de distensão em Washington

Não há atualmente indicação de melhora nas relações comerciais, apontou a Spectrum News, ao citar as declarações mais recentes do presidente Donald Trump sobre o Canadá. «Eles têm sido um dos piores países do mundo inteiro», disse o presidente. «Sabe, nos damos bem com a China, nos damos bem com as pessoas e fechamos bons acordos. Mas com o Canadá tem sido realmente muito difícil negociar.»

O vinho não é a única categoria de exportação norte-americana a perder espaço no mercado canadense. A Casa Branca afirma que as exportações de veículos dos EUA para o Canadá caíram cerca de 22% entre abril de 2025 e março de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Para os exportadores, essa combinação — queda de 78% no vinho e de 22% nos veículos — indica uma contração ampla da demanda canadense por bens americanos, e não um problema restrito ao comércio de bebidas alcoólicas.

Por que uma reabertura não devolverá os volumes de 2024

Relações podem ser reparadas, mas isso não significa que voltem ao que eram, disse Ina Simonovska, economista da UC Davis. «Também estamos vendo sinais de que o Canadá faz o que é natural para o Canadá, ou seja, friend shoring», afirmou. «Tentar estabelecer novas relações com outros parceiros tornará as coisas mais difíceis para os Estados Unidos.» Contratos de fornecimento assinados com outras origens durante a disputa não se encerram quando as tarifas são retiradas.

Stuart Spencer, da Lodi Wine Commission, afirmou que os produtores californianos enfrentarão dificuldades mesmo com uma reabertura total. «Não vai voltar ao que era», disse Spencer. «Acho que houve um dano à marca americana por lá que terá impacto duradouro. E, segundo, quanto mais isso se arrasta, mais você é deslocado por outros produtos, e não se aciona um interruptor para expulsá-los.» Kautz disse que pretende manter constância com os parceiros canadenses e que o Canadá continuará a ser um mercado importante, mesmo que as condições não voltem a ser as de antes.

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