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Exportações de cevada da UE caem 39,3% no início da campanha com recuo da China

Nas primeiras dez semanas da campanha 2026/27 a UE exportou 1,65 milhão de toneladas de cevada, queda de 39,3% na comparação anual, segundo dados da Comissão Europeia divulgados pelo Zerno On-Line. As compras chinesas caíram para 93.650 toneladas ante 872.110 toneladas e respondem por cerca de 73% da retração. A Arábia Saudita mais que dobrou as aquisições, para 887.490 toneladas, e absorve agora 53,8% do total.

Exportações de cevada da UE caem 39,3% no início da campanha com recuo da China

As exportações de cevada da União Europeia recuaram quase 40% no início da campanha 2026/27, e quase três quartos da perda vêm de um único comprador. Segundo dados operacionais da Comissão Europeia divulgados pelo Zerno On-Line, os embarques entre 1º de julho e 6 de setembro são estimados em 1,65 milhão de toneladas, 39,3% abaixo das 2,72 milhões de toneladas registradas no mesmo período de dez semanas da campanha anterior.

Em uma base de comparação mais longa o quadro é menos severo. O volume atual supera em 19,1% as 1,39 milhão de toneladas embarcadas no período equivalente de 2024/25, o que coloca o início desta campanha abaixo do ritmo excepcionalmente forte do ano passado, mas acima do ano anterior a ele. Ainda assim, a cevada registra a maior queda absoluta de exportação entre todos os cereais da UE nesta campanha e é o principal fator de baixa no balanço exportador de grãos do bloco.

Compras chinesas caem a uma fração do ano anterior

A origem da retração é a China. Nas dez semanas, foram vendidas a compradores chineses 93.650 toneladas de cevada europeia, ou 5,7% de toda a exportação do cereal. Um ano antes, o mesmo período rendeu 872.110 toneladas, 32,1% do total. O déficit anual de quase 778.500 toneladas responde por cerca de 73% de toda a queda das exportações de cevada da UE, que em termos absolutos soma 1,07 milhão de toneladas.

A hierarquia dos destinos se inverteu. A China abriu a campanha 2025/26 como o maior mercado para a cevada europeia, absorvendo perto de um terço dos embarques; dez semanas após o início de 2026/27, figura entre os compradores marginais, com participação inferior a 6%. O Zerno On-Line não informa o motivo do recuo, e os dados da Comissão Europeia registram volumes, não motivações.

Arábia Saudita assume a liderança

Parte da lacuna foi preenchida pelo Oriente Médio. As compras sauditas de cevada europeia mais que dobraram, para 887.490 toneladas, ou 53,8% do total exportado, ante 410.800 toneladas e participação de 15,1% um ano antes. O acréscimo de quase 476.700 toneladas compensa, em tonelagem, cerca de seis décimos do déficit chinês — razão pela qual o total exportado segue bem abaixo do da campanha passada apesar do salto saudita.

O resultado é uma carteira de exportação mais concentrada. China e Arábia Saudita somavam 47,2% dos embarques no início da campanha anterior, com o volume dividido entre dois grandes mercados em pontas opostas do mapa comercial. Nesta campanha, esses mesmos dois destinos representam 59,5%, mas quase tudo está com um único comprador.

Rotas mais curtas, volumes mais finos

Para o elo marítimo, a troca de destinos não é neutra. As cargas descarregadas no mar Vermelho e no Golfo percorrem, a partir dos terminais de embarque europeus, uma distância muito menor do que as destinadas à China, de modo que a mesma tonelagem gera bem menos toneladas-milha e os navios ficam livres mais cedo. O volume total menor amplifica o efeito sobre a demanda por porão graneleiro.

  • Exportações de cevada da UE, 1º de julho a 6 de setembro de 2026/27: 1,65 milhão de toneladas, queda de 39,3% na comparação anual e alta de 19,1% ante 2024/25
  • China: 93.650 toneladas e participação de 5,7%, ante 872.110 toneladas e 32,1% um ano antes
  • Arábia Saudita: 887.490 toneladas e participação de 53,8%, ante 410.800 toneladas e 15,1%
  • Déficit chinês: cerca de 778.500 toneladas, perto de 73% de toda a queda das exportações

A campanha tem dez semanas e a Comissão Europeia publica esses números como estimativas operacionais, revisadas ao longo do ano. A direção, porém, já está dada pela composição dos destinos: a cevada da UE é hoje um negócio do Oriente Médio com a China como nota de rodapé, o inverso exato de como começou a campanha 2025/26.

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