Exportações de batata de Bangladesh caem 49% com frete quase quatro vezes maior
Os embarques de batata de Bangladesh pelo porto de Chattogram recuaram 19.939 toneladas, para 20.604 toneladas, no ano fiscal de 2025/26. Exportadores atribuíram a queda de 49% à alta do frete por contêiner, de cerca de 2.500 dólares para quase 10.000 dólares, à concorrência e às falhas na cadeia de frio.
Embarques perdem metade do volume anual
As exportações de batata de Bangladesh pelo porto de Chattogram quase caíram pela metade no ano fiscal de 2025/26, porque o aumento do custo do transporte marítimo reduziu a competitividade do país nos mercados externos. Dados do Centro de Quarentena Vegetal citados pelo The Business Standard mostram que os embarques diminuíram 19.939 toneladas, ou 49%, de 40.543 toneladas em 2024/25 para 20.604 toneladas em 2025/26.
A receita de exportação recuou menos do que o volume físico. Segundo dados do Escritório de Promoção de Exportações, as vendas de batata renderam 8,89 milhões de dólares em 2025/26, ante 14,30 milhões de dólares no ano anterior. A queda foi de 5,41 milhões de dólares, ou 37,8%. O valor médio por tonelada exportada aumentou, mas não o suficiente para compensar a forte contração dos embarques.
A queda veio depois de uma recuperação expressiva, porém curta. As exportações marítimas por Chattogram haviam diminuído de 54.527,109 toneladas em 2021/22 para 29.560,297 toneladas em 2022/23 e 11.179,660 toneladas em 2023/24. Depois, avançaram para 40.542,929 toneladas em 2024/25, antes de voltarem a cair no exercício seguinte.
Frete e fornecedores concorrentes pressionam exportadores
Exportadores disseram ao The Business Standard que as tarifas de frete de contêineres quase quadruplicaram devido às interrupções geopolíticas. Mahbub Rana, presidente da Associação de Exportadores de Frutas Frescas, Hortaliças e Produtos de Chattogram, afirmou que o custo de envio de um contêiner subiu de cerca de 2.500 dólares para quase 10.000 dólares. O aumento é particularmente difícil de absorver em um produto perecível, de valor relativamente baixo e transportado por longas distâncias.
Bangladesh fornece batata principalmente para países do Oriente Médio e para a Malásia. Rana disse que as safras abundantes no Egito e na Síria aumentaram a pressão competitiva, pois esses países podem entregar volumes maiores aos compradores do Oriente Médio quando a produção doméstica é elevada. Os exportadores de Bangladesh enfrentam, assim, uma conta logística maior e concorrência de preços mais intensa nos destinos.
A Malásia permaneceu como o principal mercado em 2025/26, com compras de 3,68 milhões de dólares, enquanto o Nepal recebeu 3,52 milhões de dólares. Em seguida vieram os Emirados Árabes Unidos, com 767.604 dólares; a Arábia Saudita, com 282.366 dólares; e Singapura, com 224.704 dólares. Em 2024/25, a Malásia havia comprado 7,32 milhões de dólares e os Emirados Árabes Unidos, 1,56 milhão de dólares, indicando forte retração em dois mercados consolidados. O Nepal avançou na direção oposta, partindo de 2,38 milhões de dólares.
Falhas na cadeia de frio limitam a temporada
A maior parte da batata destinada à exportação vem de Munshiganj, Rangpur e Bogura. Os agricultores normalmente colhem e fornecem o produto em janeiro e fevereiro, e as exportações regulares continuam até julho. Nos últimos seis meses do ano, a batata armazenada frequentemente começa a brotar, perde qualidade e deixa de ser adequada à exportação. O setor considera necessárias instalações modernas de armazenagem e processamento para sustentar a oferta durante todo o ano.
O exportador Md Forkan apontou as interrupções da cadeia de frio como um dos principais problemas operacionais. Depois que a batata sai do armazém refrigerado, a classificação, o processamento e a embalagem podem deixá-la em temperatura ambiente por um período considerável. O carregamento direto dos armazéns para contêineres refrigerados reduziria a deterioração. Forkan afirmou que isso exigiria a simplificação dos procedimentos aduaneiros e de quarentena, permitindo inspeções e testes nas próprias instalações de armazenagem.
Subal Chakma, vice-diretor do escritório de Chattogram do Escritório de Promoção de Exportações, disse que o órgão não tinha uma avaliação específica para a queda e que se concentrava na coleta e publicação de dados. Exportadores alertaram que conflitos geopolíticos prolongados e custos marítimos persistentemente altos dificultariam a defesa da posição de Bangladesh. Eles apontaram como prioridades a redução dos custos de transporte, maior apoio às exportações, abertura de novos mercados e investimentos em armazenagem, processamento e uma cadeia de frio contínua.