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Eviplera deixa a Rússia enquanto compras de HIV migram para terapias mais baratas

A Rússia cancelou o registro do Eviplera a pedido da subsidiária local da Johnson & Johnson após forte queda da demanda. Mesmo com redução de 30% no preço, o medicamento continuou sendo a terapia contra o HIV mais cara do país em 2025.

Eviplera deixa a Rússia enquanto compras de HIV migram para terapias mais baratas

Registro cancelado após queda da demanda

O Ministério da Saúde da Rússia cancelou em 15 de julho o registro do Eviplera, concluindo a saída de uma terapia combinada contra o HIV que já esteve entre os antirretrovirais com maior volume de compras no país. O cancelamento ocorreu a pedido da detentora do registro, a subsidiária russa da Johnson & Johnson, informou o ministério ao Kommersant. O Eviplera combina rilpivirina, tenofovir e emtricitabina.

A Johnson & Johnson atribuiu a decisão à disponibilidade de alternativas terapêuticas e à redução substancial da demanda. A empresa destacou que a retirada não está relacionada à qualidade nem à segurança do medicamento e que autoridades, profissionais de saúde e pacientes foram informados. A Rússia não assinou contratos públicos centralizados para o Eviplera em 2026; em 2025, as compras haviam coberto 100% da necessidade declarada, segundo o ministério.

Redução de preço não recuperou competitividade

De acordo com cálculos da organização especializada Zdravresurs citados pelo Kommersant, o Ministério da Saúde e os governos regionais compraram cerca de 1.500 tratamentos de Eviplera por 384 milhões de rublos em 2025. Os gastos caíram 9,2% em relação a 2024, e o produto representou menos de 1% do total de tratamentos adquiridos nos dois anos. Após negociações com o fabricante, os preços nos contratos públicos recuaram 30% no início de 2025.

Mesmo depois da redução, o Eviplera continuou sendo a terapia contra o HIV mais cara da Rússia. A Zdravresurs calculou um custo de 252.900 rublos por tratamento em 2025, ante 171.100 rublos para o Biktarvy e 21.900 rublos para o regime de segunda linha mais barato, com atazanavir. O próprio Eviplera era usado como terapia de segunda linha quando o tratamento inicial deixava de funcionar por resistência viral ou efeitos adversos.

A retração fica evidente quando comparada à posição anterior do produto. Em 2021, o Eviplera estava entre os três antirretrovirais mais comprados na Rússia e recebeu 5,51 bilhões de rublos em recursos públicos, segundo a Treatment Preparedness Coalition. Apenas o dolutegravir teve valor maior, de 7,14 bilhões de rublos. O Kommersant informou que, em 2022, após Biktarvy e Genvoya entrarem na lista russa de medicamentos essenciais, os gastos com Eviplera caíram pela metade, para 1,9 bilhão de rublos.

Alternativas ganham espaço

O mercado russo continua oferecendo antirretrovirais de componente único e combinações. A Zdravresurs aponta como alternativas Biktarvy e Genvoya, da Gilead Sciences; Delstrigo, da MSD; e o produto russo Elpida Combi. Os preços de Biktarvy e Genvoya também caíram no início de 2025, 21,7% e 23,1%, respectivamente, mas menos do que o preço do Eviplera.

A proteção do Eviplera na Rússia segue até agosto de 2027. O análogo russo Tenriltab, da Pharmasyntez, está registrado, mas ainda não entrou em circulação, segundo a Roszdravnadzor. A Pharmasyntez não comentou as perspectivas de lançamento. Nikolay Bespalov, diretor de desenvolvimento da RNC Pharma, disse ao Kommersant que a disposição para reduzir preços é decisiva em muitas decisões do setor farmacêutico estatal, enquanto a migração para terapias de HIV mais modernas também contribuiu para a retirada.

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