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Restrições dos EUA a equipamentos chineses podem agravar escassez de transformadores

As restrições dos EUA a equipamentos chineses de alta tensão podem apertar um mercado cujas importações superam 22 bilhões de dólares desde 2025. A Wood Mackenzie estima um déficit de 15% em transformadores de potência em 2026, com os centros de dados particularmente expostos.

Restrições dos EUA a equipamentos chineses podem agravar escassez de transformadores

Restrições atingem um mercado com oferta insuficiente

A Ordem Executiva 14420 dos Estados Unidos, que proíbe a importação de determinados equipamentos para redes elétricas de alta tensão provenientes de alguns países, pode agravar a escassez existente de transformadores de potência. A China deverá sofrer o maior impacto da medida, segundo relato do La Repubblica sobre uma análise da Wood Mackenzie.

As importações no mercado afetado superam 22 bilhões de dólares desde 2025. A ordem pode abranger 24 países, mas a China respondeu por quase todas as importações potencialmente sujeitas às novas restrições desde o início de 2025. Essa concentração significa que mesmo uma aplicação limitada da proibição pode retirar uma fonte importante de equipamentos do mercado americano.

A oferta já era inferior à demanda antes das novas regras. A Wood Mackenzie estima que a disponibilidade de transformadores de potência nos Estados Unidos esteja cerca de 15% abaixo da demanda em 2026. Para as subestações elétricas, o déficit estimado é de aproximadamente 8%. Novos limites aos equipamentos chineses podem, portanto, ampliar os prazos de compra de projetos que dependem de transformadores e sistemas relacionados de alta tensão.

Grandes transformadores são o principal gargalo

O segmento mais sensível é o de grandes transformadores de potência com capacidade mínima de 100 MVA. A demanda nessa categoria cresce fortemente desde 2023, enquanto a escassez já é mais grave do que em outras partes do mercado. Essas unidades são essenciais para transportar grandes volumes de eletricidade e não podem ser substituídas rapidamente por equipamentos menores.

O mercado americano de transformadores acima de 10 MVA cresceu quase 300% em relação a 2020, ficando próximo de quadruplicar. A expansão aumentou a disputa por capacidade fabril e tornou o acesso a fornecedores adicionais mais importante. Restrições adotadas durante esse crescimento acrescentam outra barreira a uma cadeia que já não consegue atender a toda a demanda.

O problema também vai além das compras individuais. Concessionárias, incorporadores e fornecedores precisam coordenar os pedidos de transformadores com a construção das subestações. A falta de qualquer uma dessas categorias pode atrasar a energização de um projeto inteiro, mesmo quando os demais componentes estão disponíveis.

Centros de dados têm maior exposição

As concessionárias evitam amplamente os fornecedores chineses desde a primeira proibição de equipamentos para redes de alta tensão, afirmou ao La Repubblica Ben Boucher, analista principal de cadeias de suprimento da Wood Mackenzie. Os operadores de centros de dados, por outro lado, utilizaram equipamentos chineses para reduzir prazos de entrega cada vez mais longos. Boucher espera, por isso, que grande parte do impacto recaia sobre os centros de dados.

A exposição é maior na categoria de 100 MVA ou mais. Incorporadores de centros de dados compraram esses transformadores de fabricantes chineses para contornar filas mais longas em outros fornecedores. Restringir essa alternativa pode prolongar os cronogramas e dificultar a obtenção das conexões elétricas de alta capacidade exigidas pelas novas instalações.

Fabricantes alternativos podem conquistar mais encomendas nos Estados Unidos, mas o atual déficit de 15% indica que a capacidade substituta não estará necessariamente disponível de imediato. Os compradores podem precisar reservar equipamentos com mais antecedência, reorganizar as obras ou disputar com maior intensidade as vagas de produção.

Aplicação das regras permanece decisiva

O impacto final dependerá da amplitude com que a definição americana de “bulk power” será aplicada à infraestrutura que abastece os centros de dados. Ainda não está claro quais instalações e configurações de equipamentos serão incluídas na proibição.

O Departamento de Energia dos Estados Unidos deverá definir a aplicação das regras nos próximos 120 dias. Esse processo determinará se a ordem alcançará um grupo limitado de instalações de alta tensão ou um conjunto mais amplo de conexões para centros de dados. Até lá, incorporadores, concessionárias e fornecedores continuarão sem clareza sobre os equipamentos permitidos, os planos de compra e os prazos de entrega.

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