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Boom de exportações de GNL dos EUA eleva custos internos do gás em US$ 12 bilhões

Um relatório da Public Citizen aponta que as exportações de GNL dos EUA subiram 22% neste ano e ajudaram a elevar em US$ 12 bilhões o gasto com gás natural entre janeiro e setembro de 2025. As contas de luz subiram 13% no país e o boom exportador virou disputa política.

Boom de exportações de GNL dos EUA eleva custos internos do gás em US$ 12 bilhões

Exportações de GNL disparam enquanto contas de energia sobem nos EUA

O aumento das exportações de gás natural liquefeito (GNL) tornou-se um fator importante na alta das contas de serviços nos Estados Unidos, segundo um novo relatório da organização de defesa do consumidor Public Citizen citado pela Yale E360. A análise, baseada em dados da Administração de Informação Energética dos EUA (EIA), constatou que os americanos pagaram US$ 12 bilhões a mais por gás natural entre janeiro e setembro de 2025 do que no mesmo período do ano anterior.

As exportações de GNL cresceram 22 por cento neste ano, segundo o relatório. Os EUA já são o maior exportador mundial do combustível, e cerca de 25 por cento de toda a produção americana de gás natural é agora destinada à exportação, de acordo com Tyson Slocum, autor do relatório e diretor do programa de energia da Public Citizen. Como o gás aquece residências diretamente e alimenta boa parte da rede elétrica, seu preço se reflete de imediato nas contas dos consumidores. No país, as contas de eletricidade estão 13 por cento mais altas do que há um ano.

Onde os custos sobem mais rápido

A Reuters informa que o boom exportador está sendo puxado para um debate mais amplo sobre o custo de vida nos EUA. Na campanha de 2024, o presidente Donald Trump prometeu reduzir os preços da energia em 50 por cento em 12 meses. Em vez disso, uma análise da Inside Climate News dos dados da EIA até setembro mostra as maiores altas em estados de tendência republicana – Missouri, Dakota do Norte, Oklahoma, Nebraska e Wyoming. O Missouri enfrenta alta de quase 42 por cento desde janeiro.

A pressão é visível no nível das famílias. Dados do Census Bureau de setembro de 2024 mostraram que 23 por cento dos americanos não conseguiram pagar integralmente ao menos uma conta de energia no ano anterior. Na Pensilvânia, os cortes de serviço elétrico subiram 27 por cento em base anual até setembro, segundo Elizabeth Marx, do Pennsylvania Utility Law Project.

Acordos de exportação com Ásia e Europa

O governo Trump priorizou as exportações de GNL. Um dos primeiros atos do presidente foi reverter a pausa do governo Biden na concessão de licenças para novas exportações de GNL. O Departamento de Energia afirma já ter aprovado projetos autorizados a exportar cerca de 25 por cento a mais do que os níveis de 2024. Em junho, o secretário de Energia Chris Wright e o secretário do Interior Doug Burgum anunciaram quatro acordos entre produtores americanos e a empresa japonesa JERA para exportar até 5,5 milhões de toneladas de GNL por ano ao longo de duas décadas.

A Europa continua sendo a principal compradora, com 53 por cento das exportações de GNL dos EUA em 2024. O acordo comercial de agosto de Trump com a União Europeia prevê que a UE adquira GNL, petróleo e produtos de energia nuclear americanos, com volume esperado avaliado em US$ 750 bilhões até 2028. Em setembro, Wright e Burgum viajaram à Europa para pressionar a UE a reconsiderar uma regulação sobre emissões de metano, prevista para 2027, que poderia limitar as importações de GNL americano. Slocum observou que os preços de referência do gás na Europa caíram enquanto os dos EUA subiam, argumentando que as famílias americanas subsidiam gás mais barato para os europeus.

Um foco de tensão política

A Casa Branca rejeita a ligação. A porta-voz Taylor Rogers afirmou que reduzir os custos de energia continua sendo prioridade e culpou as contas mais altas em estados democratas por projetos de "energia verde", creditando aos estados republicanos a redução de custos por meio da agenda "perfure, querido, perfure". O senador democrata por Massachusetts Ed Markey respondeu que o governo colocou a indústria de GNL na discagem rápida. Separadamente, a S&P Global relatou que parte das exportações de GNL dos EUA foi interrompida, com produtores aproveitando o salto dos preços internos.

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