Espanha supera o Chile como maior fornecedor de vinho da Coreia do Sul em volume
A Espanha enviou 6,29 milhões de litros de vinho para a Coreia do Sul no primeiro semestre de 2026, alta de 13,1%, e assumiu a liderança em volume no lugar do Chile. A receita ficou praticamente parada em 13,21 milhões de euros, apenas 288 euros a mais. O mercado sul-coreano importou 27,63 milhões de litros por 184,22 milhões de euros.
A Espanha tornou-se o maior fornecedor de vinho da Coreia do Sul em volume no primeiro semestre de 2026, à frente do Chile, num mercado que comprou menos e pagou menos por litro do que um ano antes. Os dados do Korea Trade Statistics Promotion Institute, analisados pela Organização Interprofissional do Vinho da Espanha (OIVE) e divulgados pelo Vinetur, mostram importações sul-coreanas de 27,63 milhões de litros e 184,22 milhões de euros entre janeiro e junho, quedas de 0,8% em volume e de 4,7% em valor ante o mesmo período de 2025.
O valor médio caiu de 6,94 para 6,67 euros por litro, menos 0,27 euro, recuo de 3,9%. O gasto caiu mais do que o volume, sinal de que o mix importado ficou mais barato. A OIVE lembra que o valor unitário aduaneiro reflete também formatos, categorias e composição das compras, e não apenas o posicionamento comercial.
Espanha sobe 13,1%, Chile cai 16,1%
A Espanha embarcou 729.247 litros a mais do que um ano antes e chegou a 6.285.673 litros, alta de 13,1%. O Chile perdeu 944.367 litros e ficou em 4.914.516 litros, queda de 16,1%. A diferença entre os dois foi de 1,37 milhão de litros a favor da Espanha, que assume assim o primeiro lugar em volume no mercado sul-coreano.
O avanço não apareceu no faturamento. As vendas espanholas à Coreia do Sul passaram de 13.207.938 para 13.208.226 euros, apenas 288 euros a mais, o que deixou o país na sexta posição em valor. Seu preço médio caiu de 2,38 para 2,10 euros por litro, menos 11,6%, bem abaixo da média do mercado.
A OIVE atribui boa parte do aumento do volume espanhol ao vinho a granel e aos formatos acima de 10 litros. Nessa categoria, a Espanha passou de 1.734.688 para 2.818.830 litros, alta de 62,5%, e elevou o faturamento de 1,32 para 2,01 milhões de euros, mais 52,3%. Outras categorias recuaram: o espumante caiu 21% em volume, para 589.942 litros; o engarrafado recuou 2,2%, para 2.346.693 litros; e o bag-in-box cedeu 21,4%, para 530.208 litros.
O Chile manteve posição mais forte em valor, mas perdeu terreno nas duas variáveis. Suas vendas caíram de 20,57 para 16,41 milhões de euros, menos 20,2%, com volume de 4,91 milhões de litros. O valor médio do vinho chileno passou de 3,51 para 3,34 euros por litro, corte de 4,9%.
França lidera em valor, EUA compram fatia pelo preço
A França seguiu como principal fornecedor em valor, com 70,68 milhões de euros, alta de 2,6% sobre o primeiro semestre de 2025, e ficou em terceiro em volume, com 4,06 milhões de litros, queda de 2,7%. A Itália foi a terceira em valor, com 23,25 milhões de euros, menos 7,6%, e a quarta em volume, com 3,15 milhões de litros, menos 12,1%.
Os Estados Unidos tiveram trajetória distinta: o volume subiu 42,1%, para 2.986.919 litros, enquanto o faturamento caiu 5,4%, para 27,57 milhões de euros. O valor médio recuou de 13,86 para 9,23 euros por litro, queda de 33,4%, uma das mais fortes entre os grandes fornecedores.
A Argentina também melhorou seus números: as exportações passaram de 362.661 para 432.800 litros, alta de 19,3%, e de 2.579.049 para 2.694.449 euros, mais 4,5%. O valor médio do vinho argentino caiu de 7,11 para 6,23 euros por litro, menos 0,89 euro. Com isso, o país ficou na nona posição em valor e na oitava em volume entre os fornecedores do mercado sul-coreano.
Engarrafado e espumante explicam a queda
Por tipo de produto, a maior parte do recuo do mercado veio do vinho engarrafado e do espumante. O engarrafado somou 20,12 milhões de litros, menos 1,4%, e 137,92 milhões de euros, menos 6%. O espumante caiu mais em volume, 13,4%, para 2,65 milhões de litros, mas cedeu apenas 0,2% em valor, com 35,38 milhões de euros, porque seu preço médio subiu 15,2%, para 13,37 euros por litro. O bag-in-box também recuou, para 1,25 milhão de litros, menos 14,6%, e 1,86 milhão de euros, menos 19,1%.
O vinho a granel e em formatos acima de 10 litros foi a exceção: alta de 23,2% em volume, para 3,62 milhões de litros, e de 2,4% em valor, para 9,05 milhões de euros. Ainda assim, seu preço médio caiu de 3,01 para 2,50 euros por litro, menos 16,9%.
Nos doze meses encerrados em junho de 2026, a Coreia do Sul importou 56,2 milhões de litros, alta de 1,3%, por 375,5 milhões de euros, queda de 9,2%: 0,74 milhão de litros a mais e 38 milhões de euros a menos do que no acumulado anual anterior. A OIVE aponta que o valor das importações avançou quase sem interrupção do fim de 2020 até fevereiro de 2023, quando chegou a 560 milhões de euros em taxa anual. Em volume, o máximo foi registrado em fevereiro de 2022, com 77,2 milhões de litros, antes de cair para 52 milhões em julho de 2024 e depois se recuperar. Na comparação de 2025 com 2015, as importações cresceram 213,6 milhões de euros e 56,5 milhões de litros.