Espanha prevê safra de limão 19% maior com aumento da concorrência na Europa
A safra espanhola de limão deverá crescer 19% em relação à campanha anterior, exigindo maior controle da oferta e defesa da participação no mercado europeu. A fruta sul-africana atrasou a comercialização do limão Fino, enquanto a recuperação da produção turca aumentará a concorrência no leste da Europa.
Previsão de safra aumenta 19%
O setor espanhol de limão se prepara para uma safra maior e uma concorrência internacional mais intensa, ao mesmo tempo que tenta preservar sua liderança no mercado europeu. O presidente da AILIMPO, Joaquín Rubio, disse à Cadena SER durante a Fruit Attraction 2026 que o principal desafio da nova campanha será manter a participação do limão espanhol nos principais destinos europeus.
As estimativas da AILIMPO colocam a produção de limão 19% acima da campanha anterior. O aumento exigirá uma gestão cuidadosa da oferta, embora Rubio considere o volume previsto administrável e muito inferior ao da campanha 2023-2024, quando o mercado não conseguiu absorver toda a colheita.
A organização interprofissional elabora suas previsões por meio do projeto Agefis. A ferramenta monitora e coleta amostras em mais de 2.000 hectares de pomares de cítricos, fornecendo dados mais precisos sobre a evolução da safra. Essas informações serão especialmente importantes para produtores, exportadores e distribuidores ajustarem seus programas comerciais ao maior volume disponível.
Oferta sul-africana atrasa vendas do Fino
A comercialização do limão Fino espanhol começou mais tarde que o habitual porque volumes elevados de fruta sul-africana continuavam presentes nos mercados europeus, especialmente nos Países Baixos. Essa oferta retardou a entrada do produto espanhol nos canais tradicionais de distribuição. Segundo Rubio, a atividade já começou a se recuperar: volumes importantes foram negociados na semana anterior, e as vendas atingiram níveis normais na semana atual.
A sobreposição também afetou os preços, que estão abaixo dos registrados na campanha anterior. O cenário aumenta a importância da gestão da oferta: a Espanha precisa vender uma safra 19% maior sem repetir o desequilíbrio de 2023-2024 e, ao mesmo tempo, garantir retornos viáveis para agricultores e empresas de comercialização.
As expectativas de qualidade continuam positivas. O setor registrou maior incidência de pragas como o ácaro-vermelho, enquanto as chuvas podem favorecer algumas doenças fúngicas. No entanto, a precipitação durante o inverno contribuiu para o desenvolvimento dos pomares, e a AILIMPO espera limões e toranjas de boa qualidade. A organização destaca rastreabilidade, segurança alimentar e sustentabilidade como atributos dos cítricos espanhóis na concorrência com fornecedores estrangeiros.
Turquia retorna aos mercados do leste europeu
A concorrência também deverá aumentar ao longo da campanha. A pequena safra turca favoreceu as exportações espanholas na temporada anterior, principalmente para os países do leste europeu. Agora, a Turquia recupera níveis normais de produção e deverá voltar a competir com força nesses mercados, eliminando uma vantagem aproveitada pelos exportadores espanhóis no ano passado.
A demanda europeia oferece alguma estabilidade. Segundo Rubio, o consumo de limão é constante porque o produto está bem integrado aos hábitos alimentares europeus, e os dados disponíveis apontam para um crescimento próximo de 3% ao ano. A Europa continuará sendo o principal destino comercial da Espanha, mas a demanda estável não elimina a pressão criada pelo aumento da safra espanhola e pela recuperação da oferta turca.
A Fruit Attraction, realizada em Madri, permite que produtores, exportadores e distribuidores concluam o planejamento da campanha e reforcem as relações com seus principais clientes. A execução comercial determinará se a boa qualidade e a demanda estável poderão compensar os preços iniciais menores e o aumento da concorrência. O objetivo declarado da AILIMPO é preservar a liderança espanhola na Europa e garantir preços rentáveis em toda a cadeia, dos agricultores às empresas de comercialização.