Produção espanhola de azeitona de mesa deve crescer 27% para 638 mil toneladas
A Espanha prevê produzir 638 mil toneladas de azeitona de mesa, 27% acima do ano passado e 37,2% acima da média de quatro safras. A oferta maior pode pressionar preços e processadores, enquanto as exportações caíram 6% e a falta de água ameaça o calibre dos frutos.
Safra se recupera após chuvas sazonais abundantes
A produção espanhola de azeitona de mesa deve atingir 638 mil toneladas nesta safra, segundo a segunda estimativa apresentada pela organização setorial Interaceituna. O volume seria 27% superior ao do ano passado e 37,2% acima da média das quatro campanhas anteriores, reforçando a posição da Espanha como maior produtora mundial.
O El Español atribui a melhora à boa resposta dos olivais após as chuvas abundantes do outono e do inverno. A produção de Manzanilla é estimada em 214 mil toneladas e a de Hojiblanca em 283 mil toneladas, os dois maiores volumes da previsão. A Carrasqueña pode alcançar 57 mil toneladas e a Cacereña, 34 mil toneladas, além da Gordal e de diversas variedades verdes locais.
Calor e falta de água ameaçam o volume comercial
A estimativa continua dependente do clima. Não chove desde fevereiro, e os olivais de sequeiro ou com irrigação insuficiente chegam à colheita sob estresse depois de cinco ondas de calor no verão. Em pomares de Manzanilla com elevada carga, boa parte dos frutos ainda não atingiu o calibre necessário e precisa de mais água. Sem chuva no início do outono, uma parcela da produção prevista pode seguir para a extração de azeite, em vez de abastecer as unidades de conserva.
A colheita das variedades precoces Manzanilla e Gordal já começou no Aljarafe e na região de Utrera. Elas não podem ser colhidas mecanicamente e, por isso, exigem muita mão de obra. A colheita da Hojiblanca deve se generalizar por volta do dia 15; a mecanização permite que seus produtores reduzam custos. A Andaluzia responde por 80% da produção espanhola. Sevilha, principal província produtora, espera entre 200 mil e 220 mil toneladas e deve empregar cerca de 45 mil trabalhadores durante os 30 a 40 dias de colheita.
Oferta maior encontra demanda externa mais fraca
A expansão da safra ocorre em um momento de perda de ritmo das vendas externas. Mais da metade das cerca de 500 mil toneladas produzidas na campanha passada foi exportada, mas os embarques recuaram 6% devido às tarifas e à incerteza internacional, segundo o El Español. As azeitonas espanholas, especialmente as pretas, enfrentam pressão tarifária no mercado dos Estados Unidos há vários anos, abrindo espaço para países produtores concorrentes. O consumo doméstico, superior a 200 mil toneladas por ano, cresceu apenas 1%, segundo as cooperativas agrícolas.
Essa combinação aumenta a incerteza sobre preços e utilização das fábricas. Safras grandes normalmente reduzem as cotações, enquanto a queda das exportações deixou estoques de passagem consideráveis. As empresas de conserva e embalagem terão mais matéria-prima, mas os produtores precisam de preços que cubram a alta dos custos de mão de obra, combustível, fertilizantes e energia. A Espanha possui 197.335 hectares ligados à azeitona de mesa: 77.650 hectares especializados e 119.685 hectares de uso misto. O país representa, em média, 62% da produção da UE e 17% da produção mundial, de modo que mudanças na safra espanhola afetam a disponibilidade e os preços nos principais mercados.