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Espanha lidera na UE os ensaios de terapias oncológicas de nova geração

A Espanha acolhe mais ensaios clínicos do que qualquer outro país da UE, com forte participação da oncologia. Os programas incluem anticorpos conjugados, anticorpos biespecíficos e vacinas terapêuticas, entre elas um estudo de fase 3 contra o melanoma.

Espanha lidera na UE os ensaios de terapias oncológicas de nova geração

Espanha ganha papel central na pesquisa oncológica europeia

A Espanha acolhe o maior número de ensaios clínicos da União Europeia, com uma parcela relevante dedicada ao câncer, segundo o EL ESPAÑOL-Invertia. Os hospitais do país testam uma nova geração de tratamentos que inclui anticorpos conjugados, anticorpos biespecíficos, terapias CAR-T e vacinas terapêuticas. Os programas mostram a passagem de uma abordagem baseada principalmente no tipo de tumor para a escolha de terapias conforme os marcadores biológicos de cada paciente.

María Jesús Rubio, oncologista do Hospital Universitário Reina Sofía e pesquisadora do Instituto Maimónides de Pesquisa Biomédica de Córdoba, situa o início dessa mudança no surgimento dos primeiros anticorpos monoclonais no começo do século. Agora, o processo está acelerando. Rubio trabalha com anticorpos conjugados, que combinam um anticorpo monoclonal e quimioterapia. O anticorpo direciona a molécula às células cancerígenas, enquanto o componente quimioterápico fornece o efeito destrutivo e limita a exposição do restante do organismo.

Ensaios multicêntricos miram tumores de difícil tratamento

Um dos medicamentos em investigação é o trastuzumab pamirtecan, também conhecido como BNT323, para câncer de endométrio. O ensaio inclui pacientes cujos tumores apresentam superexpressão de HER2, marcador também encontrado no câncer de mama e em até 30% dos tumores endometriais. Rubio afirmou ao EL ESPAÑOL-Invertia que o tratamento obteve uma taxa de resposta de 47,9% e duração mediana de resposta de até 11 meses entre pacientes que já haviam recebido várias linhas terapêuticas.

O tratamento padrão atual combina quimioterapia e imunoterapia. Segundo Rubio, o BNT323 produziu respostas após a progressão em pacientes tratadas com imunoterapia na primeira linha, grupo para o qual as opções posteriores podem ser mais difíceis. Além do Reina Sofía, participam outros oito hospitais espanhóis localizados em Madri, Catalunha, País Basco e Comunidade Valenciana.

Outros medicamentos experimentais são distribuídos por redes de até 20 centros. O pumitamig, um anticorpo biespecífico, está em sete estudos na Espanha. A molécula atua sobre o PD-L1, usado pelo tumor para frear a resposta imune, e sobre o VEGF-A, que favorece a formação dos vasos sanguíneos responsáveis por alimentar as células cancerígenas. Jorge Bartolomé, diretor da Unidade de Terapias Experimentais do Hospital Clínico San Carlos, informou que o desenvolvimento está avançado em câncer de pulmão de não pequenas células, câncer de mama triplo negativo e outros tumores sólidos. Seu centro mantém quatro pacientes em tratamento, e o recrutamento continua aberto.

Vacinas terapêuticas se aproximam da etapa regulatória

As vacinas terapêuticas contra o câncer formam outra frente da carteira. Diferentemente das preventivas, são administradas depois da retirada cirúrgica do tumor para reduzir o risco de recidiva. Moderna e MSD anunciaram neste mês que uma análise intermediária de sua vacina contra o melanoma atingiu os objetivos referentes ao tempo até a recorrência e à progressão da metástase. Dados anteriores indicavam redução desse risco de pelo menos 50%.

Seis hospitais espanhóis participam do estudo de fase 3, a última etapa clínica antes de um medicamento poder ser submetido à aprovação. Eva Muñoz, oncologista do Vall d’Hebron envolvida no ensaio, afirmou que a confirmação dos resultados anteriores poderia estabelecer um novo padrão de tratamento. Isso também exigiria sequenciar todos os tumores para identificar o produto personalizado adequado.

Diagnóstico passa a integrar a equação de investimento

A oportunidade comercial vai além dos desenvolvedores de medicamentos. As terapias personalizadas exigem sequenciamento, testes de biomarcadores, capacidade laboratorial e sistemas capazes de transferir rapidamente dados clínicos entre hospitais. Rubio afirmou que a inteligência artificial poderia reduzir a análise de amostras tumorais de 15 dias para três minutos e disponibilizar os resultados em qualquer lugar do mundo em poucos segundos.

Para farmacêuticas e prestadores de serviços de pesquisa clínica, a ampla base espanhola de ensaios oferece acesso a hospitais, pesquisadores e pacientes elegíveis em várias regiões. O desafio restante é levar o diagnóstico de precisão e os tratamentos complexos para além dos grandes centros de pesquisa. Seu impacto no mercado dependerá não apenas da eficácia e da aprovação regulatória, mas também da capacidade de sequenciamento e do acesso igualitário ao diagnóstico.

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