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Importações espanholas de azeite marroquino sobem quase 90 vezes no primeiro semestre de 2026

As compras espanholas de azeite marroquino passaram de cerca de 641 mil euros no primeiro semestre de 2025 para perto de 58 milhões de euros um ano depois, segundo dados do Ministério da Economia espanhol citados pelo al-Ain. Os volumes subiram de cerca de 300 quilogramas para cerca de 19 toneladas. A Espanha responde por mais de 40% da produção mundial, mas a safra 2025-2026 foi fraca enquanto Marrocos vive um ciclo de expansão.

Importações espanholas de azeite marroquino sobem quase 90 vezes no primeiro semestre de 2026

A Espanha multiplicou por quase 90 as suas importações de azeite marroquino no primeiro semestre de 2026, segundo dados do Ministério da Economia espanhol citados pelo al-Ain. O valor das compras espanholas passou de cerca de 641 mil euros nos primeiros seis meses de 2025 para perto de 58 milhões de euros no mesmo período deste ano.

Os volumes registados subiram de cerca de 300 quilogramas para aproximadamente 19 toneladas. O al-Ain calcula o aumento em 8.945%, enquanto o febrayer fala de uma alta anual próxima de 9.000%. Nenhuma das publicações concilia os dados de valor e de volume: 58 milhões de euros por 19 toneladas implicam um preço unitário muito acima de qualquer cotação do azeite, e essa diferença fica sem explicação nos dois textos.

  • Valor das importações: de cerca de 641 mil euros (janeiro a junho de 2025) para cerca de 58 milhões de euros (janeiro a junho de 2026).
  • Volume importado: de cerca de 300 quilogramas para cerca de 19 toneladas.
  • Crescimento: 8.945% segundo o al-Ain, perto de 9.000% segundo o febrayer.

Safra espanhola fraca diante do excedente marroquino

A Espanha é a maior produtora mundial de azeitona e azeite, com mais de 40% da produção global, segundo o Conselho Oleícola Internacional (COI). Fontes do setor oleícola espanhol citadas pelo al-Ain afirmam que a safra 2025-2026, que começa em outubro, foi fraca na Espanha, enquanto Marrocos atravessa um excedente e um ciclo produtivo em expansão.

Marrocos vem ampliando há anos a área de olival para se posicionar entre os países produtores mais especializados. Outros grandes produtores, como Itália, Turquia e Tunísia, disputam os mesmos mercados para reduzir a distância em relação à Espanha.

Margem comercial, não escassez

Análises agrícolas divulgadas por meios espanhóis e retomadas pelo febrayer indicam que recorrer ao azeite marroquino pode dar a parte dos operadores da distribuição margens comerciais melhores, sobretudo pelas diferenças de preço e pelas condições de oferta. Uma fatia relevante da produção espanhola, em especial o azeite virgem extra, segue para mercados externos com forte procura pelo produto espanhol.

Nessa leitura, importar não indica necessariamente falta de produção interna. Também pode refletir custos, formação de preços, a estrutura das cadeias de abastecimento e a capacidade dos operadores de obter margens maiores. Os volumes continuam pequenos frente à dimensão da produção e do consumo espanhóis, mas o febrayer sustenta que o ritmo de crescimento aponta para uma mudança no padrão de comércio entre os dois países.

Preços divergem entre os centros produtores

Os dados de preços citados pelo al-Ain mostram uma divergência clara entre os principais centros de produção. Na praça espanhola de Jaén, o azeite virgem extra subiu para 378,5 euros por 100 quilogramas, enquanto a região italiana de Bari registou queda de 41,8% nos preços ao produtor, fixando-se em 565 euros.

Os fluxos comerciais em outros destinos seguem em expansão. Segundo o COI, as importações do Brasil mantêm-se estáveis em torno de 80 mil toneladas, com alta de 40,5% nos primeiros seis meses da safra anterior. Nos principais mercados, as importações de azeite cresceram 4,3% e as de azeitona de mesa 5,6% entre setembro de 2025 e março de 2026.

Promoção segue em curso

O COI abriu as inscrições para o seu projeto de atividades promocionais de 2026, cujos eventos começam no próximo mês. O conselho também amplia a cooperação com universidades por meio do sistema de informação sobre azeitona e saúde (OHIS) e trabalha com o Culinary Institute of America (CIA) no papel da azeitona e do azeite na cozinha contemporânea.

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