Escassez de medicamento para menopausa na Espanha atinge adesivos e outras terapias
A falha mundial no fornecimento do spray de estradiol Lenzetto está deslocando a demanda espanhola para adesivos, géis e tratamentos orais, gerando faltas intermitentes entre os substitutos. As autoridades cobram aumento da produção e discutem o financiamento público de alternativas hoje não cobertas.
Falha do Lenzetto desloca a demanda
Uma falha mundial no fornecimento do Lenzetto, único spray de estradiol disponível na Espanha, está levando pacientes e médicos a outros tratamentos hormonais e ampliando a pressão sobre segmentos relacionados. A Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos de Saúde, AEMPS, afirma que o aumento da demanda já causa problemas intermitentes de estoque entre os substitutos, sobretudo em determinadas apresentações de adesivos transdérmicos.
O Diario en Positivo informa que a Gedeon Richter, fabricante do Lenzetto, não comunicou antecipadamente os problemas que ameaçavam a continuidade do fornecimento, apesar da obrigação de notificar ocorrências desse tipo. A empresa pretende retomar gradualmente as entregas a partir de novembro e ao longo de 2027. A AEMPS alerta, porém, que as datas informadas anteriormente pela companhia nem sempre foram precisas. O preço do Lenzetto já havia sido reajustado para cima na tentativa de manter o produto no mercado espanhol.
Adesivos e géis absorvem a demanda transferida
Outros produtos de estradiol autorizados podem substituir temporariamente o spray, incluindo adesivos transdérmicos e géis. Em alguns casos, estrogênios orais, isolados ou combinados, também podem ser utilizados. Esses medicamentos servem principalmente para aliviar sintomas da menopausa e prevenir a osteoporose, além de serem empregados em terapias de afirmação de gênero para mulheres trans. Cada substituição exige decisão clínica, pois as apresentações e as necessidades de tratamento são diferentes.
O Evopad, único adesivo atualmente financiado pelo Sistema Nacional de Saúde espanhol, deve receber novos lotes em meados de outubro, com normalização prevista a partir de novembro. O fabricante do Estradot, que possui baixa participação de mercado, anunciou o fim da comercialização. O fornecimento do Estraderm, por outro lado, continua compatível com a demanda. O Oestraclin Gel aumentou a produção e mantém oferta estável, embora seu financiamento público tenha sido retirado a pedido do titular.
Discussões sobre financiamento expõem lacuna de acesso
Nem todas as alternativas recebem financiamento público. Alguns fabricantes decidiram anteriormente deixar o sistema de reembolso, enquanto outros nunca solicitaram inclusão, apesar das mudanças relevantes no mercado e no uso durante os últimos anos. O Ministério da Saúde iniciou conversas com produtores de tratamentos hormonais não financiados para avaliar sua possível entrada no Sistema Nacional de Saúde. Segundo o Diario en Positivo, nenhuma empresa apresentou até agora um pedido formal de financiamento.
Desde março, a AEMPS monitora o fornecimento e o consumo e pede às empresas que aumentem a produção e antecipem a distribuição quando possível. A agência também se reuniu com sociedades científicas, farmacêuticos e organizações de pacientes para compartilhar informações e avaliar medidas que reduzam o impacto. A Direção-Geral da Carteira Comum de Serviços e Farmácia procurou os titulares de tratamentos hormonais alternativos para verificar seu interesse no financiamento público. A escassez vai além da Espanha: França, Itália, Suécia, Noruega, República Tcheca, Portugal, Dinamarca, Polônia, Irlanda, Grécia e Finlândia também são afetados. A abrangência geográfica e a pressão sobre os substitutos mostram como a falha de uma única apresentação pode comprometer vários produtos quando a capacidade alternativa e a cobertura pública são limitadas.
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