Escassez de gasolina na Rússia leva propano-butano à máxima de cinco anos
A escassez de gasolina na Rússia está transferindo a demanda para o propano-butano: o consumo de GLP cresceu quase 9% no segundo trimestre, para 1,65 milhão de toneladas. O preço na bolsa atingiu 44.500 rublos por tonelada antes de recuar após restrições às negociações.
Escassez de gasolina desloca a demanda
A escassez de gasolina na Rússia está acelerando a procura por gás liquefeito de petróleo, principalmente propano e butano, e pressionando um mercado anteriormente marcado por ampla sobra de oferta. Segundo o Kommersant, a demanda por mistura de propano-butano cresceu quase 9% no segundo trimestre de 2026, para 1,65 milhão de toneladas. Consumidores anteciparam compras para se proteger de uma possível piora no abastecimento.
O transporte é o segundo maior setor consumidor de GLP da Rússia, atrás da petroquímica, e responde por cerca de um terço da demanda. De acordo com a World Liquid Gas Association, a Rússia já era em 2024 o maior consumidor mundial de GLP automotivo, com aproximadamente 3,5 milhões de toneladas. Cerca de 10 mil postos de abastecimento de gás tornam o propano-butano a alternativa gasosa mais acessível aos motoristas.
Conversões aumentam, mas faltam equipamentos
Os pedidos de instalação de equipamentos de GLP ficaram cerca de 30–35% acima do nível normal durante o verão, segundo Denis Kornienko, da Sociedade Ecológica Russa. Algumas prestadoras registraram em julho uma demanda três a cinco vezes maior que em junho. O custo da instalação subiu 10–20%, enquanto oficinas não conseguiram atender a todos os pedidos por falta de kits, adquiridos principalmente no exterior.
Exigências técnicas e um processo de registro que pode levar meses limitam a mudança. Parte das conversões, portanto, não aparece nas estatísticas oficiais. A política estatal também prioriza metano, veículos híbridos e elétricos na estratégia para a indústria automotiva até 2035. Mesmo assim, o Kommersant informou que a demanda por GLP automotivo cresceu cerca de 5% em 2025 e 8% no primeiro semestre de 2026.
Manutenção e exportações apertam a oferta
A Rússia produz 15 milhões de toneladas de GLP e ocupa a quarta posição mundial, atrás dos Estados Unidos, com 84 milhões de toneladas; da China, com 32 milhões; e da Arábia Saudita, com 26 milhões. A SIBUR detinha 47% do mercado russo em 2025 e a Gazprom, 15%. As negociações na bolsa de São Petersburgo, que cobrem cerca de 45% da demanda doméstica, cresceram 9,1% em termos anuais entre janeiro e agosto, para 1,64 milhão de toneladas, mas não atenderam integralmente ao interesse comprador.
Consumo sazonal, manutenção programada, substituição da gasolina e compras especulativas sustentaram os preços. A paralisação do complexo ZapSibNeftekhim, da SIBUR, em 11 de agosto aumentou a preocupação. A unidade responde por cerca de 6 milhões de toneladas de GLP, aproximadamente 40% da produção nacional, embora processe internamente a maior parte desse volume em polímeros.
As exportações acrescentaram pressão. Olga Osharova, da S+Consulting, afirmou que as vendas externas russas de GLP haviam aumentado mais de 15% até meados de 2026, impulsionadas pela escassez mundial. O crescimento alcançou a maioria dos destinos, sobretudo a região Ásia-Pacífico, enquanto os embarques para a União Europeia e a Turquia diminuíram. A Rússia exporta mais de 3,6 milhões de toneladas por ano, permitindo que produtores redirecionem volumes ao mercado interno se necessário, disse ao ANGI o diretor da Rupec, Dmitry Semyagin.
Limites da bolsa contêm a alta
O índice de propano-butano da Sibéria e dos Urais subiu 41% no primeiro mês do verão, para 27.620 rublos por tonelada, e acumulou alta de 78% desde o início do ano. Em 8 de julho, atingiu a máxima de cinco anos de 44.500 rublos por tonelada, ainda abaixo do recorde de 52.140 rublos registrado em agosto de 2021.
A partir de 9 de julho, a bolsa limitou a alta a 0,1% por sessão, substituindo a faixa simétrica anterior de 20%, e restringiu as ordens dos compradores. O preço caiu para 26.970 rublos no fim de agosto, mas avançou mais de 15% no início de setembro, para 32.100 rublos por tonelada. O ANGI atribuiu a recuperação à restrição da oferta do Oriente Médio e à alta da paridade de exportação. Osharova espera preços de 30 mil a 35 mil rublos por tonelada até o fim do outono, enquanto Semyagin não vê fundamentos para uma escassez doméstica.