Escassez encarece o limão-taiti na Europa enquanto América do Norte enfrenta excesso de oferta
Problemas climáticos no Brasil e na Colômbia elevaram os preços europeus do limão-taiti para €11-13 por caixa. Na América do Norte, a oferta é abundante e a demanda permanece fraca.
Europa enfrenta pouca fruta e preços elevados
O mercado mundial de limão-taiti segue em direções opostas conforme a região. A FreshPlaza informa que a oferta europeia permanece limitada e os preços estão altos, enquanto a América do Norte tem fruta abundante e demanda fraca. Problemas climáticos nas principais áreas produtoras e mudanças nos fluxos comerciais internacionais ampliam essa diferença.
Na Itália, os preços de compra variam de €11 a €13 conforme o calibre e a qualidade. A alta já dura cerca de um mês e meio, refletindo a escassez na origem, problemas de qualidade e o redirecionamento de cargas para outros mercados, incluindo os Estados Unidos durante a Copa do Mundo de futebol. Com isso, o Brasil tornou-se, na prática, a principal fonte da Europa. Os primeiros lotes do México e da Colômbia já estão chegando, e a safra espanhola deve começar em aproximadamente 15 dias.
Os preços devem permanecer elevados por pelo menos mais duas semanas, com pequenas oscilações conforme a demanda semanal. O consumo italiano está fraco e irregular. Os compradores recuam ou procuram frutas de coloração mais clara, com aparência inferior à do produto verde premium, para reduzir custos.
Clima brasileiro altera o abastecimento europeu
O Brasil continua sendo o maior fornecedor da Europa, complementado em alguns períodos por México, Peru e Colômbia. Segundo a FreshPlaza, chuvas excessivas relacionadas ao El Niño prejudicaram a produção brasileira durante uma época normalmente mais seca. A disponibilidade caiu e os preços na origem subiram. O clima adverso no Brasil e na Colômbia também reduziu a produtividade, especialmente no segmento orgânico.
A alta atual é determinada principalmente pelos preços na origem, e não pela logística. Os custos de importação permanecem próximos aos do mesmo período do ano passado. O aumento do combustível e das sobretaxas encareceu o frete marítimo, mas as reduções tarifárias previstas nos acordos comerciais com o Mercosul compensaram parcialmente esse avanço.
A demanda sazonal mais forte e o custo maior na origem sustentaram a recuperação dos preços na Espanha e no restante da Europa. Um grande importador e comerciante espanhol citado pela FreshPlaza indicou valores de €11-13 por caixa, conforme o calibre e a marca. É o maior patamar em cerca de dois anos. A empresa está ampliando os programas de importação aérea para complementar os embarques marítimos.
Desequilíbrios de mercado duram mais tempo
O mercado dos Países Baixos mostra como o cenário pode mudar rapidamente. Um importador disse à FreshPlaza que a oferta brasileira abundante pressionou preços e margens durante boa parte de 2025. A disponibilidade diminuiu em janeiro e fevereiro de 2026, provocando altas rápidas e escassez temporária. De março até meados de junho, grandes volumes brasileiros criaram outro período prolongado de excesso de oferta e preços baixos. A recuperação começou apenas na segunda metade de junho.
A Espanha apresentou trajetória semelhante. A demanda foi sólida no início do ano, mas houve excesso de oferta em abril e maio. A partir de junho, o consumo retornou aos níveis típicos do verão. O clima mais quente e os grandes eventos esportivos estimularam o uso de limão-taiti em bebidas e coquetéis consumidos em bares, áreas externas e residências.
Cautela dos importadores sustenta preços alemães
A Alemanha registrou dois picos de preços nos primeiros sete meses do ano. Depois das perdas de 2025, causadas por preços FOB elevados e baixas cotações no mercado europeu, muitos importadores reduziram os volumes no mercado à vista. Essa cautela permitiu a volta de oscilações mais típicas, embora novas compras durante as altas tenham mantido os preços elevados por mais tempo.
A escassez recente coincidiu com promoções em supermercados e demanda estável. Os preços no atacado continuam altos, sustentados principalmente pelo setor de alimentação fora do lar, e o maior aumento ocorreu na semana 26. A oferta vem sobretudo da América Latina e da África do Sul. Com a recuperação dos volumes e a possibilidade de menor consumo durante as férias europeias, a próxima direção dependerá de a nova oferta superar ou não a incerta demanda sazonal.