Equador retomará exportações terrestres de 30.000 toneladas de arroz para a Colômbia
O Equador fechou um acordo para exportar 30.000 toneladas de arroz à Colômbia pela passagem fronteiriça de Rumichaca. Os embarques estavam previstos para começar em 25 de julho de 2026, mas um feriado colombiano deverá adiar a retomada do comércio terrestre.
Rumichaca volta a receber carregamentos de arroz
O Equador concluiu um acordo para exportar 30.000 toneladas de arroz à Colômbia, reativando um canal regional de vendas que permaneceu praticamente paralisado durante vários meses. O Ministério da Produção, Comércio Exterior e Investimentos do Equador anunciou a operação em 22 de julho de 2026 e informou inicialmente que as importações pela passagem fronteiriça de Rumichaca começariam em 25 de julho.
Segundo o Expreso, o acordo resultou de negociações entre autoridades, exportadores e agentes comerciais dos dois países. Ainda não há prazo definido para a colocação de todas as 30.000 toneladas. O El Universo informou também que um feriado na Colômbia deverá adiar o início efetivo dos embarques, deixando os exportadores à espera da retomada das operações na fronteira.
Restrição rodoviária interrompeu a maior parte do comércio
O acesso terrestre é decisivo para esse fluxo. Juan Pablo Zúñiga, presidente da Corporação dos Industriais de Arroz do Equador, disse à EFE que entre 90% e 95% das exportações equatorianas de arroz à Colômbia seguem por rodovia. Segundo ele, as vendas foram praticamente nulas entre o fim de fevereiro e junho, depois que a Colômbia restringiu a entrada rodoviária do produto equatoriano. A medida foi mantida por mais 45 dias após a retirada das tarifas gerais e, pelos cálculos de Zúñiga, terminou em 20 de julho.
A interrupção ocorreu durante uma disputa comercial bilateral entre fevereiro e junho. O KienyKe informou que o Equador aplicou inicialmente tarifas de 30% e depois as elevou a 100%. A Colômbia respondeu com tarifas e fechou a fronteira terrestre para vários produtos equatorianos, entre eles arroz e banana. As tarifas foram eliminadas no início de junho após a intervenção da Comunidade Andina, mas a restrição específica ao transporte terrestre de arroz permaneceu temporariamente.
Produtores colombianos resistem às importações
A volta da oferta equatoriana enfrenta oposição da Federação Nacional de Arrozeiros da Colômbia, a Fedearroz. A entidade afirma que as importações reduzem os preços internos, prejudicam a rentabilidade dos produtores locais e agravam os problemas de contrabando. O grupo solicitou uma tarifa permanente de 30% sobre o arroz e controles mais rígidos nas rotas terrestres e marítimas. O governo equatoriano, por outro lado, apresenta o negócio de 30.000 toneladas como o primeiro passo para recuperar os volumes de exportação registrados em anos anteriores.
A retomada ocorre em um momento delicado para a produção colombiana. O Infobae informou que cerca de 13.000 hectares de arroz ficaram inundados em Casanare e Arauca após chuvas intensas. Uma avaliação preliminar baseada em imagens de satélite e relatórios de comitês locais identificou risco de perda parcial ou total das lavouras. A colheita das áreas atingidas estava prevista para a primeira semana de agosto, mas o excesso de água já havia comprometido plantas nas fases de floração e maturação.
Logística e apoio estatal continuam em pauta
As enchentes também danificaram ou bloquearam corredores de transporte importantes, dificultando a movimentação de insumos, máquinas e grãos colhidos. A Fedearroz mencionou a rota de Pajarito entre Casanare e Boyacá, a ligação com Arauca conhecida como La Novia e os acessos locais de Trinidad e San Luis de Palenque. A federação pediu às autoridades que restabeleçam as conexões e solicitou à indústria de beneficiamento melhores preços de compra.
Para os exportadores equatorianos, a reabertura de Rumichaca restabelece a principal rota para um mercado regional relevante, mas o acordo ainda não define a velocidade de entrega de todo o volume. O ministério e o escritório comercial da ProEcuador na Colômbia pretendem continuar as conversas com autoridades, associações e importadores. No Equador, os produtores também esperam que o governo retome a compra direta de 20.000 toneladas da safra de verão, segundo o El Universo. O acordo de exportação, portanto, não elimina a pressão para administrar a oferta doméstica.