Empresas japonesas propõem projeto de carbono em 100.000 hectares de coqueiros no Vietnã
Jizoku Inc. e Kansai Electric Power propõem estudar um projeto de produção de coco de baixa emissão em cerca de 100.000 hectares de Vinh Long por meio do mecanismo JCM entre Vietnã e Japão. A iniciativa ainda não foi aprovada e terá de comprovar reduções adicionais, conformidade jurídica e uma divisão transparente dos benefícios.
Empresas japonesas miram estudo em 100.000 hectares
A startup japonesa Jizoku Inc. e a Kansai Electric Power propuseram estudar um projeto de produção de coco de baixa emissão e geração de créditos de carbono em cerca de 100.000 hectares na província vietnamita de Vinh Long. Segundo o Agriculture and Environment Newspaper, as empresas apresentaram a proposta em 17 de setembro, durante reunião com o Comitê Popular provincial.
O programa seria desenvolvido por meio do Mecanismo de Crédito Conjunto, JCM, entre Vietnã e Japão. A Jizoku pretende avaliar o uso mais racional de fertilizantes, a transformação de resíduos de coco em biocarvão, a melhoria do solo e a criação de sistemas para medir, reportar e verificar reduções de emissões. A empresa também propôs coleta de amostras do solo e uso de sensoriamento remoto, dados de satélite e inteligência artificial.
A proposta permanece na fase de estudo e não foi aprovada. A área cultivada não pode ser automaticamente convertida em créditos de carbono. O projeto terá de demonstrar reduções adicionais ou maior armazenamento de carbono em relação a uma linha de base, cumprir requisitos de medição e verificação, respeitar a legislação vietnamita e os compromissos internacionais, alinhar-se à contribuição nacionalmente determinada do Vietnã e evitar dupla contagem.
Grande base produtiva sustenta o interesse
Vinh Long possui 122.870 hectares de coqueiros, mais de 50% da área total do Vietnã e a maior extensão do país. Desse total, 30.708,3 hectares têm certificação orgânica. A produção média é de cerca de 337,8 milhões de cocos por ano, segundo o Departamento provincial de Agricultura e Meio Ambiente.
Para exportar coco fresco à China, a província dispõe de 187 códigos de áreas de cultivo que abrangem 19.439,79 hectares e de 24 códigos aprovados para instalações de embalagem. A indústria local reúne cerca de 151 empresas que produzem coco ralado seco, leite e óleo de coco, água de coco embalada, carvão ativado, fibra, substrato de coco e artesanato.
O valor da produção industrial do processamento de coco é estimado em 8,15 trilhões de VND em 2025, alta de 5,84% ante o ano anterior. As exportações de produtos de coco chegaram a aproximadamente US$ 600 milhões. A província pretende elevar a área para cerca de 132.000 hectares e a produção para 1,72 milhão de toneladas até 2030. Para 2045, as metas são aproximadamente 140.000 hectares e 2 milhões de toneladas.
Em 2026, Vinh Long planeja adicionar 13.369 hectares de cultivo orgânico, elevando a área certificada para cerca de 44.077 hectares, ou quase 36% de todos os coqueirais provinciais. A expansão deverá combinar certificação orgânica, rastreabilidade, redução de emissões e maior coordenação da cadeia de suprimentos.
Resíduos podem criar uma segunda fonte de receita
As autoridades provinciais estão testando a produção de biocarvão com resíduos de coco para melhorar o solo, reter água e nutrientes e armazenar carbono. Cascas, fibras e substrato de coco podem abastecer a fabricação de biocarvão, fertilizante orgânico e outros produtos circulares. A Jizoku também quer avaliar a coleta e a reutilização dos resíduos, a logística das unidades processadoras e a capacidade de concentrar matéria-prima.
A Kansai Electric manifestou interesse em comprar créditos elegíveis gerados por projetos JCM no Vietnã. Seu representante afirmou que a companhia pretende reduzir suas emissões em 50% até 2030, o equivalente a cerca de 44 milhões de toneladas de CO₂ por ano, conforme a estratégia Zero Carbon Vision 2050. A empresa indicou que compraria todos os créditos de projetos vietnamitas qualificados, embora ainda não se saiba quanto Vinh Long poderá gerar.
Aprovação depende de verificação e divisão de benefícios
Para agricultores, cooperativas e processadores, o resultado comercial dependerá do desenho do projeto. Os produtores teriam de alterar práticas agrícolas e administrar resíduos, enquanto investidores e parceiros técnicos operariam os sistemas de dados, verificação e créditos. As autoridades afirmaram que o mecanismo de repartição deverá definir claramente os direitos e deveres de cada grupo.
Nguyen Quynh Thien, vice-presidente do Comitê Popular de Vinh Long, declarou que a cooperação deve ser legal, transparente e eficiente, equilibrando os interesses do Estado, moradores, cooperativas, empresas e parceiros. O Departamento de Agricultura e Meio Ambiente coordenará uma análise abrangente dos objetivos, escala, cronograma, recursos de investimento, requisitos técnicos e mecanismo de carbono. As empresas japonesas deverão apresentar documentação, metodologias, fundamentos científicos e base jurídica antes da avaliação dos próximos passos.