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Elétricos fabricados na China entram no Canadá após redução tarifária

O Canadá reabriu o mercado aos veículos elétricos fabricados na China com uma cota anual de 49.000 unidades e tarifa de 6,1%. As primeiras operações da Tesla e da Lotus, controlada pela Geely, aumentam a concorrência e preocupam montadoras e fornecedores canadenses.

Elétricos fabricados na China entram no Canadá após redução tarifária

Tarifa cai de 100% para 6,1%

Veículos elétricos fabricados na China estão entrando no Canadá depois que Ottawa substituiu uma sobretaxa proibitiva por uma cota limitada de importação. Esse é um dos primeiros resultados comerciais da melhora das relações entre Canadá e China. A medida abre acesso a um importante mercado automotivo norte-americano e coloca montadoras, fornecedores e concessionárias canadenses diante de concorrentes apoiados pela ampla capacidade industrial chinesa.

O governo canadense informou que a visita do primeiro-ministro Mark Carney a Pequim, em janeiro de 2026, foi a primeira de um chefe de governo do Canadá à China desde 2017. Os dois países anunciaram um acordo preliminar para tratar de várias disputas comerciais. Ottawa aceitou receber até 49.000 veículos elétricos chineses por ano com a tarifa de nação mais favorecida de 6,1%. Desde outubro de 2024, o Canadá aplicava uma sobretaxa de 100% aos elétricos fabricados na China.

A Associated Press informou que o limite inicial deverá crescer para cerca de 70.000 veículos em cinco anos. Segundo o Global Affairs Canada, a cota entrou em vigor em 1º de março de 2026, com licenças concedidas por ordem de solicitação durante um período inicial de seis meses. A regra considera o local de fabricação, beneficiando marcas chinesas e fabricantes estrangeiros que operam fábricas na China.

Tesla e Lotus lideram a primeira onda

A Automobile Protection Association afirmou que a Tesla começou a fornecer ao Canadá o Model 3 básico, com tração traseira, a partir da fábrica de Xangai, em vez de Fremont. O preço anunciado é de 39.490 dólares canadenses antes de transporte e preparação, o menor já registrado para o modelo no Canadá, segundo a associação. A Tesla tem sede nos Estados Unidos, mas a mudança mostra que a cota altera decisões logísticas para além das marcas chinesas.

A Lotus, controlada pela Geely, também leva ao Canadá elétricos produzidos na China. A Reuters informou que o embaixador chinês Wang Di confirmou a chegada dos veículos Lotus sob o acordo bilateral. O utilitário esportivo elétrico Eletre é produzido em Wuhan. Segundo o CnEVPost, a Lotus já mantinha seis pontos de venda autorizados no Canadá no primeiro trimestre de 2026. Esses modelos premium ainda não representam uma ofensiva de massa, mas estabelecem canais de importação, certificação e varejo que outros fabricantes poderão utilizar.

Concorrência encontra a política industrial

A abertura preocupa parte da indústria automotiva canadense porque a produção local é estreitamente integrada à dos Estados Unidos. Fábricas e fornecedores canadenses operam em um sistema continental, enquanto Washington mantém restrições aos veículos chineses. A divergência levanta dúvidas sobre futuras regras comerciais, exigências de investimento e a possibilidade de as importações serem seguidas por projetos canadenses de montagem, pesquisa ou cadeia de baterias.

O preço será central. No primeiro trimestre de 2026, o preço médio de um elétrico no Canadá igualou o de um veículo a gasolina, em 49.500 dólares canadenses, segundo o Journal de Québec. Modelos chineses mais baratos podem ampliar a escolha, embora as primeiras remessas incluam veículos premium e Teslas produzidos em Xangai. Para montadoras e fornecedores, o risco imediato não é apenas o preenchimento da cota de 49.000 unidades, mas o acesso ao mercado que já foi criado. Para importadores e concessionárias, a abertura oferece um canal limitado, porém expansível, desde que os veículos cumpram as exigências locais de segurança, assistência e certificação.

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