Importações salvadorenhas de milho branco e amarelo batem recorde até julho
El Salvador importou o recorde de 533,24 milhões de quilogramas de milho branco e amarelo entre janeiro e julho. Os Estados Unidos responderam por 95,15% do valor, enquanto a seca associada ao El Niño prejudicou o início do plantio no leste do país.
Volume importado atinge o maior nível desde 1994
El Salvador importou 533,24 milhões de quilogramas de milho branco e amarelo entre janeiro e julho, o maior volume para o período desde que o Banco Central de Reserva, ou BCR, iniciou a série em 1994. O total superou em 31,69 milhões de quilogramas, ou 6,3%, os 501,54 milhões de quilogramas registrados no mesmo período de 2025.
Segundo o El Mundo, o valor dessas compras ultrapassou US$ 144,26 milhões, aumento de US$ 13,26 milhões, ou 10,12%, ante os US$ 131 milhões de um ano antes. A despesa, porém, permaneceu abaixo do pico de US$ 163,7 milhões registrado entre janeiro e julho de 2022, quando a invasão russa da Ucrânia elevou a inflação e encareceu os insumos agrícolas.
Preço médio de importação aumenta
O preço médio pago pelo milho branco e amarelo foi de US$ 0,27 por quilograma, ante US$ 0,26 no período correspondente de 2025. O valor importado cresceu mais rápido que o volume físico, refletindo tanto a ampliação das compras quanto uma pequena alta do custo unitário médio.
Os dados do BCR para milho branco e amarelo não incluem outras apresentações do cereal. Considerando todas as formas, as importações salvadorenhas de milho somaram US$ 153,33 milhões, 7% acima de 2025. O milho foi o sétimo produto de maior valor importado nos primeiros sete meses do ano.
Estados Unidos ampliam posição dominante
Os Estados Unidos forneceram US$ 137,29 milhões em milho até julho, equivalentes a 95,15% do valor das importações de milho branco e amarelo. As compras do país aumentaram US$ 19,01 milhões, ou 16,07%, em relação ao mesmo período de 2025. A concentração deixa os compradores salvadorenhos fortemente expostos à disponibilidade, aos preços e à logística dos Estados Unidos.
O Brasil permaneceu como segundo maior fornecedor, com US$ 6,02 milhões, embora as compras tenham recuado 51,9%. A Guatemala forneceu US$ 834.051 e o México, US$ 17.902. Andorra apareceu pela primeira vez como fornecedora de milho nos registros do BCR, com compras de US$ 82.465,88 até julho. Sua participação foi pequena, mas a operação ampliou a lista formal de origens.
Seca aumenta a pressão sobre a oferta doméstica
O avanço das importações coincidiu com uma emergência climática regional associada ao El Niño. Em El Salvador, o fenômeno causou perdas agrícolas, e três períodos de seca impediram produtores do leste do país de iniciar o cultivo.
Para moinhos, fabricantes de ração e distribuidores de alimentos, as entradas recordes oferecem matéria-prima adicional enquanto a produção local enfrenta problemas climáticos. Para os agricultores salvadorenhos, a maior dependência das importações também representa mais concorrência do milho estrangeiro. Com 95,15% do valor concentrado em uma única origem, a diversificação continua limitada apesar da primeira compra registrada de Andorra e dos embarques do Brasil, da Guatemala e do México.