Egito procura trigo romeno e europeu perante riscos de oferta no mar Negro
O Egito amplia as conversações com fornecedores de trigo da Romênia, França e Bulgária, enquanto problemas logísticos e de segurança afetam as exportações russas e ucranianas. Uma carga francesa de 50 mil toneladas já segue para o país, cujos estoques cobrem mais de seis meses de consumo.
Cairo amplia sua base de fornecedores
O Egito está aumentando o interesse pelo trigo da Romênia, França e Bulgária para reduzir a exposição aos problemas logísticos e de segurança que afetam as exportações russas e ucranianas. Segundo a Agrointel, o ministro egípcio do Abastecimento informou que o Cairo discute uma cooperação mais ampla com fornecedores europeus. Uma carga de 50 mil toneladas de trigo francês já está a caminho do Egito, e novas entregas são esperadas. A mudança pode ampliar a participação dos exportadores europeus em um dos principais mercados de cereais do norte da África.
O Egito também analisa compras adicionais para se proteger de uma possível alta dos preços mundiais. Seus estoques estratégicos cobrem atualmente mais de seis meses de consumo, o que permite às autoridades diversificar as origens sem a pressão de uma escassez imediata. A Romênia pode se beneficiar da infraestrutura exportadora de Constanța, enquanto França e Bulgária oferecem ao Cairo outras alternativas dentro do mercado europeu. A estratégia não elimina o trigo russo e ucraniano, mas reduz a dependência de rotas expostas ao conflito no mar Negro.
Interrupções no mar Negro sustentam preços europeus
A Agrointel afirmou que novos ataques com drones entre Rússia e Ucrânia reduziram as expectativas de distensão e derrubaram os embarques de grãos pelo mar Negro. Os fluxos remanescentes de trigo russo pelo Báltico não conseguem substituir os volumes perdidos na região, embora ajudem a limitar altas mais fortes no curto prazo. Os participantes do mercado também acompanham a Assembleia Geral da ONU em Nova York em busca de possíveis sinais sobre uma moratória de ataques contra navios e infraestrutura portuária.
O trigo para dezembro em Paris subiu € 1,5 no início da semana, para € 243 por tonelada, acompanhando os ganhos de Chicago. Já o mercado físico de Constanța apresentou consolidação, sem direção clara, na segunda-feira, 21 de setembro. O trigo para moagem DAP caiu € 1 em relação à sexta-feira, para € 234 por tonelada, equivalentes a 1.228 leus, enquanto o trigo forrageiro recuou para € 213 por tonelada, ou 1.118 leus. O câmbio considerado foi de 5,26 leus por euro. A diferença entre futuros mais firmes e preços físicos ligeiramente menores mostra que a oferta local imediata e o risco geopolítico mais amplo puxavam o mercado em direções opostas.
Custos e concorrência condicionam a oportunidade
Outros mercados de grãos e oleaginosas também reagiram aos sinais de oferta e geopolítica. O milho em Constanța ganhou € 1, para € 231 por tonelada, enquanto a cevada forrageira permaneceu em € 219. O girassol ficou estável em € 501 por tonelada e a colza recuou € 1, para € 531. Nos futuros, o milho MATIF para novembro avançou mais de € 4, para € 268,5 por tonelada, e a colza na Euronext ganhou € 6, alcançando € 555. Esses movimentos interessam aos negociantes de trigo porque o retorno das culturas concorrentes afeta frete, armazenagem e decisões de venda dos produtores.
Os exportadores europeus podem conquistar mais negócios no Egito, mas sua posição de custos continua pressionada. A Associação Francesa dos Produtores de Milho, AGPM, estima que o custo de produção do milho ucraniano seja aproximadamente metade do registrado na União Europeia. A entidade também afirma que, entre as 114 substâncias ativas autorizadas para milho na Ucrânia, 47% não são aprovadas na UE e 62% não são autorizadas na França. Em um cenário da AGPM, a produção ucraniana de milho poderia chegar a 39 milhões de toneladas até 2030, com expansão superior a 1 milhão de hectares na área plantada. A diversificação egípcia abre uma oportunidade imediata para a Romênia e outros países da UE, mas sua duração dependerá de preços competitivos, logística confiável e segurança no mar Negro.