Egito mira 1,3 a 1,4 milhão de qintares de algodão na safra 2026-27
O Ministério da Agricultura do Egito fixou uma meta preliminar de 1,3 a 1,4 milhão de qintares de algodão em caroço para a temporada comercial 2026-27, em cerca de 203 mil feddans. A oferta total disponível até agosto é estimada em torno de 96 mil toneladas, cerca de 10% abaixo do início da temporada anterior. Índia, China e Paquistão absorveram mais de 90% das 65 mil toneladas exportadas na safra passada.
Meta de produção e área plantada
O Egito tem como meta produzir de 1,3 a 1,4 milhão de qintares de algodão em caroço na temporada comercial 2026-27, em uma área próxima de 203 mil feddans, segundo estimativas preliminares do Ministério da Agricultura citadas pelo bloom-gate.com. O Al Arabiya Business, que teve acesso aos dados preliminares do ministério, calcula a safra resultante em cerca de 71 mil toneladas.
Mostafa Emara, porta-voz oficial do Centro de Pesquisa Agrícola, afirmou que os números refletem estimativas preliminares da nova temporada e que os dados definitivos ficarão mais claros conforme avançar a colheita. A apanha já começou em várias províncias do Alto Egito. A temporada comercial do algodão egípcio teve início em setembro e vai até o fim de agosto do próximo ano.
Oferta disponível encolhe cerca de 10%
Os estoques de passagem da temporada anterior somam cerca de 25 mil toneladas. Somados à nova safra de aproximadamente 71 mil toneladas, elevam a oferta total disponível até agosto para algo próximo de 96 mil toneladas, conforme as estimativas preliminares do ministério.
No início da temporada anterior, o número comparável era de cerca de 107 mil toneladas, ou seja, o volume disponível encolheu quase 10%. Esse total define o teto do que o Egito poderá entregar nos próximos doze meses a clientes de exportação e fiações domésticas em conjunto.
Exportações concentradas em três mercados
As exportações de algodão egípcio chegaram a cerca de 65 mil toneladas na temporada encerrada em agosto, com embarques fortemente concentrados na Ásia:
- Índia absorveu cerca de 60% do total;
- China respondeu por 22%;
- Paquistão ficou em terceiro, com aproximadamente 10%.
Uma fonte do Ministério da Agricultura disse que as fiações locais receberam cerca de 16 mil toneladas na temporada passada. Exportações e consumo interno juntos absorveram mais de 81 mil toneladas das aproximadamente 107 mil toneladas então disponíveis.
Preços, níveis garantidos e calendário de leilões
O preço médio de venda nos leilões domésticos da temporada anterior foi de cerca de 9.700 libras egípcias por qintar, unidade que pesa 157,5 quilos, para a variedade Giza 92, e de até 9.450 libras para a Giza 94. A Giza 95 saiu por volta de 6.750 libras por qintar, e a Giza 98 também alcançou até 6.750 libras.
Em temporadas anteriores, os preços de garantia do governo para a compra dos agricultores fixavam pisos de leilão de 196,5 dólares por qintar, equivalentes a 10 mil libras, no Alto Egito, e de 235 dólares, equivalentes a 12 mil libras, no Baixo Egito. O governo egípcio não anunciou preços de garantia para a temporada anterior nem para a atual.
Emara afirmou que a queda esperada da produção não será o único fator a influenciar os preços na nova temporada: a estabilidade do câmbio e a escassez global de algodão de fibra extralonga, especialidade egípcia, também podem dar sustentação. Ele projeta alta de cerca de 1.000 libras por qintar em relação aos níveis do ano passado, mas descarta a repetição dos fortes avanços das duas temporadas anteriores. O setor ainda aguarda o decreto anual que forma o comitê executivo responsável por supervisionar e regular o algodão egípcio, que define as datas de abertura dos pontos de coleta e organiza os leilões de venda às empresas comerciais. Emara espera o decreto ainda em setembro, com os leilões começando em outubro.