Tomate caro pressiona as exportações egípcias de molho e concentrado
As exportações egípcias de concentrado e molho de tomate somaram US$ 51,1 milhões no primeiro semestre, depois de recuarem 13,4% no ano passado, para cerca de US$ 112,4 milhões. Os processadores dizem que o preço do tomate impede a formação dos estoques sazonais dos quais o setor depende.
A indústria egípcia de concentrado e molho de tomate enfrenta pressão crescente do custo de sua principal matéria-prima: os preços internos do tomate seguem altos o suficiente para elevar os custos de produção e corroer a competitividade do produto egípcio nos mercados externos, informou o diário econômico cairota Al Borsa.
As exportações de concentrado de tomate alcançaram cerca de US$ 26,6 milhões no primeiro semestre deste ano, enquanto as de molho somaram cerca de US$ 24,5 milhões, num total combinado de aproximadamente US$ 51,1 milhões. Segundo o Al Borsa, esse ritmo semestral aponta para nova retração no acumulado do ano.
Segundo ano seguido de queda
As exportações egípcias de concentrado e molho de tomate caíram 13,4% no ano passado, para cerca de US$ 112,4 milhões, ante aproximadamente US$ 129,8 milhões em 2024, de acordo com dados da Autoridade Geral de Controle de Exportações e Importações (GOEIC) citados pelo Al Borsa.
A economia do setor se apoia na oferta de tomate a preços viáveis nas safras de abundância, quando as fábricas compram e armazenam grandes volumes para processamento e exportação posteriores. A alta persistente da matéria-prima nos últimos meses limitou a capacidade das empresas de formar estoques suficientes, o que se refletiu em menores volumes de produção e de exportação.
O limite das cinco libras
Ibrahim El Sayed, diretor de exportação da United for Concentrates (Rosso), disse ao Al Borsa que as vendas externas de molho e concentrado sofrem pressão crescente por causa da forte alta do tomate no mercado interno, insumo central da indústria. Segundo ele, o preço do tomate usado na produção de concentrado e molho não deveria ultrapassar cerca de 5 libras egípcias por quilo, e os níveis atuais elevam o custo do produto final a um patamar em que fica difícil competir com a mercadoria chinesa nos mercados globais.
El Sayed acrescentou que preços baixos nas safras de abundância permitem às fábricas comprar e estocar grandes quantidades, mantendo a produção estável e as exportações em curso nos períodos de matéria-prima cara. Recuperar a competitividade do concentrado egípcio, afirmou, exige que os preços do tomate voltem a níveis capazes de reduzir o custo de produção.
Corte de capacidade e novos destinos
Sobhy Ashoush, diretor de exportação da Toledo Food Industries, afirmou que os preços altos e a oferta apertada de matéria-prima obrigaram algumas fábricas a reduzir a capacidade produtiva, depois do enfraquecimento da demanda externa e do acirramento da concorrência de outros países. Ele apontou Brasil e Irã como principais concorrentes na exportação de molhos e disse que o Egito produz cerca de 6 milhões de toneladas por ano. A Toledo pretende investir no processamento de tomate seco, pelo valor agregado e pela demanda da Turquia e da Itália na fabricação de pizza.
Ahmed El Sebaei, diretor-geral do Grupo Egípcio Suíço de Massas, Moagem e Concentrados, disse que o grupo entrou este ano em quatro novos mercados de molho:
- Romênia
- Grécia
- França
- Zâmbia
O grupo exporta atualmente para cerca de 25 países na África, Europa, Ásia e América Latina. Sua capacidade de produção de molho é de aproximadamente 3.800 toneladas por mês, e a meta é ampliá-la em cerca de 25% com novas expansões. El Sebaei afirmou que o grupo passou a exportar pela primeira vez molhos para pizza e massas, com embarques para França, Romênia, Alemanha e Estados Unidos, e que estuda mercados adicionais, entre eles os Emirados Árabes Unidos.
Base agrícola e composição das exportações
O Egito planta mais de 367 mil feddans de tomate, com produção anual superior a 6,7 milhões de toneladas, uma base que, segundo o Al Borsa, sustenta a expansão do processamento agrícola, a redução de perdas e o aumento do valor agregado. O tomate ocupa o nono lugar entre as exportações agrícolas frescas do país, com cerca de 52 mil toneladas em 2024 e mais de 80 mil toneladas no primeiro semestre de 2025.
As exportações de produtos processados de tomate, incluindo concentrados e desidratados, superam US$ 100 milhões por ano, o que reflete o peso do setor no processamento agrícola e na receita de exportação do Egito.