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Egito eleva subsídio ao pão após desaceleração das importações de trigo

O Egito reservou 133,8 bilhões de libras egípcias para subsidiar o pão no ano fiscal de 2026/2027, 9,8 bilhões a mais que no exercício anterior. As importações de trigo caíram em junho para a mínima histórica de 405 mil toneladas após fortes compras antecipadas e a entrada da safra nacional.

Egito eleva subsídio ao pão após desaceleração das importações de trigo

Gastos aumentam apesar da redução de beneficiários

O Egito ampliou a verba para subsidiar o pão enquanto o governo retira do sistema de cartões de racionamento pessoas sem direito ao benefício e as importações de trigo desaceleram fortemente. O orçamento de 2026/2027, em vigor desde julho, destina cerca de 133,8 bilhões de libras egípcias ao subsídio do pão, segundo o Al-Masry Al-Youm. No ano fiscal de 2025/2026, o valor era de aproximadamente 124 bilhões de libras, uma alta de cerca de 9,8 bilhões.

O aumento ocorreu após a exclusão, desde o mês anterior, de cerca de 1 milhão de pessoas consideradas inelegíveis para receber pão e alimentos subsidiados. O total de subsídios alimentares foi fixado em aproximadamente 178,3 bilhões de libras, ante cerca de 160 bilhões em 2025/2026 e 134,15 bilhões em 2024/2025. A diminuição do número de beneficiários, portanto, ainda não reduziu a conta nominal dos subsídios.

Compras antecipadas derrubam importações de junho

O Egito importou apenas cerca de 405 mil toneladas de trigo em junho, o menor volume mensal já registrado, segundo dados oficiais citados pelo Al-Masry Al-Youm. A queda veio após compras excepcionalmente elevadas nos primeiros cinco meses de 2026. As importações somavam 6,956 milhões de toneladas no fim de maio e chegaram a 7,361 milhões entre janeiro e 29 de junho, contra 4,755 milhões no mesmo período de 2025. O crescimento anual foi de cerca de 2,61 milhões de toneladas, ou 55%.

Fontes citadas pelo jornal atribuíram a queda de junho a uma mudança no calendário das compras, e não ao enfraquecimento da demanda. As tensões regionais levaram o Egito a antecipar aquisições para garantir o abastecimento futuro. Nos primeiros cinco meses, as importações ficaram cerca de 70% acima do volume de um ano antes, formando estoques que reduziram a necessidade de grandes contratos em junho.

A desaceleração também coincidiu com o pico da aquisição da safra nacional. Em meados de junho, o governo havia cumprido cerca de 94% da meta de comprar 5 milhões de toneladas, segundo os dados mais recentes do Ministério da Agricultura citados na reportagem. O orçamento atual reserva cerca de 69,1 bilhões de libras para a compra de trigo nacional após o preço subir para 2.500 libras por ardeb. Outros 67 bilhões de libras financiarão o trigo importado.

Rússia e Ucrânia ampliam fornecimento

A Rússia continuou como a maior fornecedora de trigo ao Egito, com cerca de 4,141 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2026, ante 2,849 milhões no mesmo período de 2025. O aumento foi de aproximadamente 1,29 milhão de toneladas, ou 45%. A Ucrânia elevou seus embarques de 1,307 milhão para 1,801 milhão de toneladas, avanço de cerca de 494 mil toneladas, ou 38%.

Amr El-Hiny, ex-chefe da divisão de moinhos da câmara de grãos da Federação das Indústrias Egípcias, disse ao Al-Masry Al-Youm que o Egito dificilmente alcançará autossuficiência em trigo e continuará importando, independentemente das oscilações mensais. Ele afirmou que a produtividade varia de 1,5 a 2 toneladas por feddan e defendeu maior controle do sistema de trigo, farinha, pão e subsídios. Hisham Abu El-Dahab, ex-integrante da divisão de grãos, avaliou, por outro lado, que a redução dos beneficiários dos cartões poderá diminuir, com o tempo, as importações de trigo e a produção de farinha ao controlar melhor o consumo subsidiado.

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