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Economia paralela da Polónia atinge 659 mil milhões de zlótis

A economia paralela da Polónia é estimada em 659 mil milhões de zlótis, ou 18,1% do PIB, segundo dados do Warsaw Enterprise Institute citados pelo Salon24. A participação ilegal no mercado de tabaco subiu para 9,7%, enquanto operadores não licenciados controlam cerca de 40% dos jogos de azar online.

Economia paralela da Polónia atinge 659 mil milhões de zlótis

Atividade paralela alcança 18,1% do PIB

A economia paralela da Polónia é estimada em 659 mil milhões de zlótis, equivalentes a 18,1% do produto interno bruto, segundo dados do Warsaw Enterprise Institute citados pelo Salon24. Num debate realizado em Karpacz, o tabaco, os jogos de azar online e o mercado de resíduos foram apontados como áreas afetadas, embora os números detalhados tenham incidido sobretudo sobre cigarros e apostas.

A participação dos produtos ilegais no mercado polaco de tabaco aumentou de 7% para 9,7%. Marek Młyński, do Gabinete Central de Investigação da polícia polaca, o CBŚP, afirmou que as autoridades encontraram este ano cerca de 268 milhões de cigarros ilegais. O volume corresponde a aproximadamente 13,4 milhões de maços ou à carga de 20 camiões cheios. As apreensões representam apenas uma parte do mercado, que retira centenas de milhões de zlótis ao orçamento público.

Segundo Młyński, a Polónia é o terceiro ou quarto maior produtor mundial de tabaco. Essa base produtiva sustenta uma importante indústria legal, mas também fornece matéria-prima a redes criminosas envolvidas na produção e no contrabando de cigarros.

Produção atravessa fronteiras

O tabaco pode ser comprado legalmente na Polónia e depois enviado para processamento clandestino no estrangeiro. A introdução do sistema SENT de monitorização dos transportes deslocou parte da produção ilegal para fora do país, onde a fiscalização polaca deixa de funcionar. Os cigarros acabados regressam sem selo fiscal ou são declarados como mercadoria em trânsito antes de desaparecerem dentro da Polónia.

A cooperação com a polícia polaca levou ao encerramento de 8 fábricas ilegais no estrangeiro em 2023, incluindo instalações na Bélgica, Alemanha, Chéquia e Espanha. O número caiu para 4 em 2024 e subiu para 11 em 2025. No primeiro semestre de 2026, foram descobertas menos fábricas do que um ano antes, mas houve apreensões maiores de cigarros em cada local. Para o CBŚP, os grupos criminosos estão a concentrar a produção num número menor de unidades, maiores e mais bem equipadas.

A Bielorrússia é outra rota de abastecimento. Młyński afirmou que o regime bielorrusso e Alexander Lukashenko beneficiam financeiramente do contrabando de cigarros. Depois de a Polónia reforçar a fronteira oriental da União Europeia, os traficantes passaram a utilizar mais drones e balões. As diferenças entre as regras europeias de impostos especiais também abrem lacunas: mercadorias sujeitas a controlo rigoroso num Estado-membro podem receber menos fiscalização na Bélgica ou na Alemanha.

Receita fiscal e mercado legal sob pressão

Piotr Palutkiewicz, do WEI, relacionou o avanço do mercado ilegal com um aumento não planeado do imposto especial, que rompeu o calendário fiscal anteriormente acordado. O orçamento esperava mais de 37 mil milhões de zlótis em impostos sobre produtos de tabaco, mas recebeu 33,5 mil milhões. A receita ficou cerca de 3,5 mil milhões de zlótis abaixo da meta, enquanto o mercado ilegal se aproximava de 10%. A redução das vendas legais também empurra consumidores para produtos mais baratos e fora do controlo oficial de qualidade.

Os jogos de azar online apresentam um problema semelhante de fiscalização. A lei polaca atribui a operação do casino legal na internet à empresa estatal Totalizator Sportowy. Ainda assim, operadores ilegais mantêm cerca de 40% do mercado, apesar de o Ministério das Finanças ter bloqueado mais de 60 mil domínios. O monopólio estatal controla apenas cerca de 60%.

Jerzy Kwieciński, antigo ministro das Finanças e do Investimento e Desenvolvimento, afirmou que a economia paralela pode custar ao Estado dezenas de milhares de milhões de zlótis por ano. Defendeu uma aplicação mais eficaz da legislação existente, investimento em tecnologias como inteligência artificial para a administração tributária e uma estratégia de longo prazo. O CBŚP também apontou a falta de pessoal e a divergência das regras europeias. A advogada especializada em crimes fiscais Agata Kotwica-Stefańska acrescentou que a complexidade jurídica e as dificuldades de prova contribuem para absolvições, arquivamentos e penas desproporcionais aos lucros criminosos.

Análise completa do mercado

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