Demanda de infraestrutura de IA aproxima gigantes de tecnologia do cobre da RDC
A Ivanhoe Mines afirma que negocia com grandes grupos de tecnologia dos Estados Unidos o fornecimento futuro de cobre e um possível financiamento do Western Forelands, na República Democrática do Congo. As conversas ainda são preliminares, mas mostram como a demanda dos centros de dados pode aproximar compradores tecnológicos do desenvolvimento de minas.
Compradores de tecnologia se aproximam das minas
A Ivanhoe Mines afirma que mantém conversas com grandes grupos de tecnologia dos Estados Unidos interessados tanto no fornecimento futuro de cobre quanto em um possível financiamento do Western Forelands, seu projeto de exploração na República Democrática do Congo. O fundador e copresidente executivo Robert Friedland declarou à Bloomberg que os hiperescaladores do Vale do Silício estão perguntando diretamente sobre a disponibilidade futura do metal.
Segundo o La Tribune, as discussões não se limitam à compra de cobre depois do início da produção. Elas também incluem a possibilidade de participação no financiamento da construção da mina. Nenhuma empresa de tecnologia foi identificada, e a Ivanhoe não anunciou contrato de fornecimento nem acordo financeiro. O Western Forelands continua em fase de exploração, portanto os contatos indicam interesse de compradores, e não um investimento já comprometido.
Estimativa de recursos de Makoko aumenta 30%
As conversas ocorrem depois de a Ivanhoe elevar em 30% a estimativa de recursos de uma de suas principais descobertas no Western Forelands. A mineradora canadense informou na terça-feira, 8 de setembro, que novas perfurações aumentaram para aproximadamente 12 milhões de toneladas a quantidade de cobre contida nos recursos do distrito de Makoko.
A Ivanhoe executa neste ano um programa de perfuração de 94.500 metros, o maior já realizado no Western Forelands, e pretende intensificá-lo no quarto trimestre. Um estudo conceitual deverá começar no primeiro trimestre de 2027 para avaliar as opções iniciais de desenvolvimento. Algumas zonas mineralizadas são suficientemente rasas para permitir uma possível operação a céu aberto. A Ivanhoe avalia que essa alternativa poderia reduzir o capital necessário e acelerar o desenvolvimento. Friedland mencionou uma possível entrada em produção dentro de 3 a 4 anos, mas ainda não foi anunciada uma decisão de construção.
Centros de dados ampliam a necessidade de cobre
O cobre é utilizado em cabos, transformadores, circuitos e equipamentos elétricos necessários aos centros de dados. A BHP estima que o consumo mundial diretamente relacionado a essas instalações poderá subir de cerca de 500.000 toneladas atualmente para 3 milhões de toneladas por ano em 2050. Esse crescimento se soma à demanda gerada pela eletrificação dos transportes, dos sistemas de energia e da indústria, enquanto novas minas normalmente exigem longos períodos de exploração, licenciamento e construção.
As empresas de tecnologia já começam a testar modelos mais diretos de aquisição. Em janeiro, a Amazon Web Services fechou um acordo com a Rio Tinto para utilizar em seus centros de dados nos Estados Unidos o cobre produzido na mina Johnson Camp, no Arizona. Essas operações ainda são limitadas, mas o acordo da AWS e as conversas relatadas pela Ivanhoe indicam que grandes operadores de infraestrutura digital avaliam relações mais próximas da produção primária.
Participação da RDC na oferta pode crescer
A República Democrática do Congo foi em 2024 o segundo maior produtor mundial de cobre extraído em minas. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o país produziu 2,99 milhões de toneladas, aproximadamente 13% da produção mineral global. A Ivanhoe já opera no país por meio do Kamoa-Kakula, desenvolvido em conjunto com a chinesa Zijin Mining e hoje um dos principais complexos de cobre do mundo.
O Western Forelands poderá ampliar a importância da RDC na oferta futura se os resultados da exploração levarem a uma mina comercialmente viável. A participação direta de empresas de tecnologia como compradoras ou financiadoras acrescentaria um grupo incomum de agentes a um setor congolês organizado principalmente em torno de mineradoras, comerciantes de commodities e investidores públicos ou soberanos. Por enquanto, a falta de contrapartes identificadas, contratos vinculantes e um estudo de desenvolvimento concluído mantém indefinidos o financiamento, o cronograma de produção e os futuros clientes.