Declaração de Abuja busca ampliar participação da Nigéria na indústria de cacau de $100 bilhões
A Declaração de Abuja busca aumentar o valor do cacau que permanece na Nigéria e em outros países produtores africanos. A África cultiva 70% do cacau mundial, mas recebe menos de 10% do valor de uma indústria estimada em $100 bilhões.
Grande distância entre produção e valor
A Declaração de Abuja busca uma participação mais justa para a Nigéria na indústria mundial de cacau e coloca no centro do debate a divisão do valor entre países produtores e o restante da cadeia. A indústria vale $100 bilhões, mas os países africanos responsáveis pela maior parte da produção retêm apenas uma pequena parcela desse total.
A África cultiva 70% do cacau mundial, mas recebe menos de 10% do valor da indústria. Essa diferença mostra que a posição dominante do continente na produção agrícola não se transformou em uma posição equivalente nos segmentos de maior valor da economia do cacau.
O desequilíbrio vai além da renda dos agricultores. A parcela mantida nos países produtores determina os recursos disponíveis para produtores, processadores e outras empresas nacionais ligadas ao cacau. Também influencia a capacidade das regiões produtoras de desenvolver uma função comercial mais ampla, em vez de permanecerem principalmente como fornecedoras de matéria-prima agrícola.
Nigéria quer obter mais valor do cacau
Para a Nigéria, a Declaração de Abuja trata o cacau como produto agrícola e como uma questão de distribuição de valor. Seu objetivo não é apenas destacar a participação africana na produção, mas ampliar a parcela do valor da indústria capturada pela Nigéria e pelo continente.
Os números mostram o tamanho do desafio. Uma região que fornece 70% do cacau mundial recebe menos de um décimo do valor gerado por uma indústria de $100 bilhões. O valor restante é capturado em outras partes da cadeia ampliada do cacau e do mercado.
Uma parcela local maior seria relevante para diversos participantes do setor nigeriano. Os produtores estão diretamente expostos aos retornos da cultura, enquanto os processadores dependem do acesso à matéria-prima e de uma atividade doméstica comercialmente viável. Investidores e comerciantes também precisarão avaliar se a declaração será seguida por medidas capazes de alterar onde o valor é criado e retido.
Implementação determinará o impacto
A declaração estabelece uma ambição, mas as informações disponíveis não especificam medidas de implementação, prazos nem metas numéricas para a futura participação da Nigéria. Esses detalhes serão essenciais para avaliar se a iniciativa pode reduzir a distância entre o peso produtivo da África e seu retorno financeiro.
Para os participantes da indústria, a principal questão é como o objetivo declarado afetará decisões comerciais. Os produtores procurarão provas de que uma parcela maior do valor do cacau chega ao mercado de origem. Processadores e investidores observarão se a iniciativa cria condições para ampliar atividades geradoras de valor na Nigéria e em outros países produtores africanos.
A Declaração de Abuja leva, portanto, um antigo desequilíbrio da indústria para um debate concreto de política nigeriana. A participação africana de 70% na produção dá ao continente um papel central no fornecimento mundial de cacau, mas sua fatia inferior a 10% do valor mostra que o domínio da oferta não determina sozinho os ganhos. A relevância da declaração dependerá de mudanças mensuráveis para empresas e agricultores dos mercados produtores.