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Danos climáticos na China elevam preços da soja e do milho no Brasil

Inundações e calor extremo ameaçam lavouras de milho, soja, algodão e arroz em importantes regiões produtoras da China. A expectativa de maior demanda chinesa sustenta os futuros globais e leva a soja brasileira ao maior nível de preços desde o início de 2023.

Danos climáticos na China elevam preços da soja e do milho no Brasil

Calor e inundações atingem regiões estratégicas

Extremos climáticos simultâneos na China ampliam a preocupação com a oferta doméstica de milho, soja, algodão e arroz. O Notícias Agrícolas relata que inundações históricas atingem o norte e o leste desde meados de julho, enquanto áreas do noroeste registraram temperaturas próximas de 50°C. Os danos podem aumentar a necessidade chinesa de importações agrícolas, sobretudo de milho, sorgo e algodão.

Segundo a Reuters, entre meados de julho e o fim de agosto, as temperaturas em 50 estações meteorológicas, principalmente em Jilin, Liaoning e Xinjiang, igualaram ou superaram recordes históricos. Jilin e Liaoning são grandes produtores de milho e soja, enquanto Xinjiang ocupa posição central no algodão. O calor prolongado acelerou a maturação das lavouras e as perdas no algodão podem chegar a 5%.

Excesso de umidade ameaça produtividade e qualidade

Henan, importante região de milho e soja de verão, enfrentou calor extremo em julho e depois fortes chuvas associadas aos remanescentes do tufão Dolphin. Heilongjiang, maior província chinesa produtora de milho e soja, sofre com chuvas recorrentes e inundações históricas desde meados de julho. Em Heilongjiang, Jilin e Liaoning, solos saturados e pouca luminosidade também prejudicam as lavouras em uma fase decisiva para a definição da produtividade.

Liu Jinlu, pesquisador agrícola da Guoyuan Futures, afirmou à Reuters que o calor prolongado durante a polinização do milho na Planície do Norte da China pode reduzir a formação dos grãos, enquanto as inundações ameaçam áreas baixas no nordeste. O excesso de umidade também reduziu a qualidade e o teor de proteína da soja chinesa, com possível impacto sobre as margens das esmagadoras locais.

Expectativa de importação aumenta

As importações chinesas de milho cresceram 61,3% em relação ao ano anterior no primeiro semestre de 2026, para 1,36 milhão de toneladas, segundo dados citados pelo Notícias Agrícolas. As compras de sorgo aumentaram 86,2% e as de cevada, 53,4%. A China não importou milho dos Estados Unidos, mas comprou 2,98 milhões de toneladas de sorgo americano, quase quatro vezes o volume adquirido durante todo o ano de 2025, informou a Reuters.

Os embarques de sorgo brasileiro para a China já começaram e apontam para volumes expressivos até o fim de 2026. Analistas esperam que eventuais compras adicionais chinesas sejam direcionadas principalmente ao Brasil e aos Estados Unidos. Darin Friedrichs, cofundador da Sitonia Consulting, afirmou que o foco provavelmente será milho ou sorgo, historicamente os produtos de maior valor exportados à China depois da soja.

Efeito nos preços chega a Chicago e ao Brasil

Os futuros de grãos avançaram de forma generalizada. O contrato dezembro do milho em Chicago passou de US$ 4,74 para US$ 5,35 por bushel em um mês, alta indicada pelo Notícias Agrícolas como 12,95. O trigo dezembro ganhou 12,6%, de US$ 6,60 para US$ 7,48 por bushel, enquanto a soja subiu quase 5% em 30 dias. O milho atingiu o maior nível em três anos.

A alta em Chicago e a expectativa de demanda chinesa sustentada melhoraram os preços para os produtores brasileiros. Segundo o Notícias Agrícolas, a soja no Brasil alcançou o maior nível desde o início de 2023. A perspectiva também depende da safra brasileira 2026/27: analistas citados pela publicação veem risco de menor produtividade por causa do El Niño. Mais compras chinesas combinadas com uma safra brasileira menor reduziriam a oferta global, ampliariam a volatilidade e encareceriam a ração para os produtores de carnes.

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