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Câmara Agrícola Croata propõe cinco silos de trigo de 50.000 toneladas pertencentes aos produtores

A Câmara Agrícola Croata apresentou um documento de trabalho que prevê cinco silos de 50.000 toneladas cada um em cinco condados da Eslavónia, num total de 250.000 toneladas de armazenagem detida por organizações de produtores. Cada organização terá de encher pelo menos metade da capacidade com a colheita dos seus membros.

Câmara Agrícola Croata propõe cinco silos de trigo de 50.000 toneladas pertencentes aos produtores

A Câmara Agrícola Croata (HPK) propôs construir cinco silos de cereais de 50.000 toneladas cada um, detidos por organizações de produtores, nos cinco condados da Eslavónia que concentram a maior parte do trigo e das culturas arvenses do país. O plano, apresentado num documento de trabalho divulgado na sexta-feira, 11 de setembro de 2026, na 33.ª Feira Internacional de Outono de Bjelovar, em Gudovac, criaria 250.000 toneladas de capacidade de armazenagem sob controlo dos agricultores, noticiou o SEEbiz.

Cinco condados, 250.000 toneladas

Segundo o SEEbiz, os silos seriam construídos nos condados de Brod-Posavina, Osijek-Baranja, Požega-Eslavónia, Virovitica-Podravina e Vukovar-Srijem, com uma instalação de 50.000 toneladas em cada um. O documento admite ainda a construção noutros condados, caso exista necessidade e capacidade de produção. O texto, intitulado “Agricultura 2050: visão da agricultura croata – o trigo como primeiro grande exemplo”, foi apresentado pelo presidente da HPK, Željko Mihelić, pelo presidente do comité de culturas arvenses, Ivan Valentić, e pelo vice-presidente do comité, Ivica Baranašić.

“Depois da colheita, o agricultor tem muitas vezes de vender o trigo depressa porque precisa de dinheiro. É nesse momento que a sua posição negocial é mais fraca, e é exatamente isso que a HPK quer mudar. Não queremos que o Estado fixe o preço do trigo, queremos que o agricultor possa decidir quando e a quem vender”, afirmou Mihelić.

O limiar das 25.000 toneladas

A propriedade caberia às organizações de produtores e não ao Estado nem às casas comerciais. Para participar no projeto, a organização terá de demonstrar que os seus membros conseguem cobrir pelo menos 50% da capacidade do silo com produção própria. Num silo de 50.000 toneladas, isso significa um mínimo de 25.000 toneladas de trigo dos associados — cerca de 4.000 hectares, com um rendimento médio de 6,25 toneladas por hectare, explicou Valentić, citado pelo Glas Slavonije. “Assim o silo não é infraestrutura de outrem, mas infraestrutura dos produtores”, sublinhou.

A segunda base do modelo é a compra conjunta. “Para cerca de 4.000 hectares é possível adquirir em conjunto sementes, adubo mineral, produtos fitofarmacêuticos, gasóleo agrícola e outros fatores de produção”, disse Baranašić. A essa escala, argumentou, vários fornecedores competem pelo negócio e a organização pode negociar preços e condições, reduzindo o custo de produção para que fique mais dinheiro por hectare nas mãos do produtor.

Financiamento: 65% desenvolvimento rural, 20% capitais próprios

De acordo com a estrutura proposta, 65% do investimento viriam de medidas de desenvolvimento rural, 15% de um modelo financeiro apoiado pelo Banco Croata para a Reconstrução e o Desenvolvimento (HBOR), com possível perdão de parte do capital, e 20% da participação própria da organização de produtores. Antes da execução, o modelo terá de ser compatibilizado com as regras da União Europeia, as regras nacionais de auxílios estatais e instrumentos financeiros concretos.

A câmara propõe ainda financiamento por certificado de depósito com prazo até nove meses, com parte dos juros cofinanciada por auxílios de minimis, e o arrendamento de até 20% da capacidade às reservas públicas de mercadorias. Ambos os pontos terão de ser desenvolvidos com instituições financeiras e com os organismos competentes. Os silos seriam geridos por uma equipa profissional responsável por compras, armazenagem, financiamento, logística, vendas e exportação, prestando contas aos produtores pelos resultados.

Ambições de exportação e custos em alta

A HPK defende que a estratégia de exportação, incluindo a entrada nos mercados do Médio Oriente, dos países árabes e do Norte de África, deve assentar em análises concretas de mercado, exigências dos compradores, qualidade do produto, logística e condições comerciais. Para o agricultor, a câmara enumera compras mais baratas, armazenagem do trigo próprio, crédito garantido pela mercadoria armazenada, o fim da venda forçada logo após a colheita, mais compradores potenciais e maior poder negocial; para o país, produção interna mais forte, abastecimento mais seguro, reservas estratégicas e maior potencial exportador.

A proposta surge num período de custos elevados. O Glas Slavonije, citando o Eurostat, noticiou que no segundo trimestre a Croácia partilhou com Malta a posição de país da UE com maior subida dos preços dos produtos agrícolas, 3,9% em termos homólogos, e ficou entre os Estados-membros com maior aumento dos custos dos fatores de produção. A subida foi mais moderada do que no início do ano, quando os preços estavam 8,6% acima do ano anterior. Os produtos hortícolas ficaram 7,8% mais caros no segundo trimestre, depois de terem caído 12% em termos homólogos no primeiro; o feijão subiu quase 25% nos meses da primavera e a fruta fresca cerca de 4%.

A câmara salienta que o documento é uma base para debate público e não um trabalho científico nem um estudo de investimento. Os cálculos de custos constituem um modelo de trabalho e o esquema de pelo menos 4.000 hectares com um silo de 50.000 toneladas é uma proposta estratégica inicial. Para cada centro será necessário definir, depois da discussão pública, a base produtiva, a localização, a logística, a capacidade, o valor do investimento, o modelo de propriedade, as fontes de financiamento e a sustentabilidade do negócio. “Quer trabalhem 50 ou 500 hectares, os agricultores têm de passar a ser sujeitos que decidem”, disse Mihelić.

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