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Crime organizado reforça controle sobre extração ilegal e mercado de madeira no México

Os grupos criminosos no México passaram de extorquir madeireiros a controlar diretamente territórios florestais, decidindo quem pode cortar e vender madeira. Estudos oficiais estimam que a extração ilegal custa ao Estado até 20,745 milhões de pesos por ano em imposto e provoca ao menos 8% do desmatamento bruto.

Crime organizado reforça controle sobre extração ilegal e mercado de madeira no México

Da extorsão ao controle territorial

As organizações criminosas no México passaram de extorquir madeireiros a controlar diretamente territórios florestais, segundo reportagem do omnia.com.mx. Grupos armados decidem quem pode cortar árvores, subjugam os ejidatários (proprietários comunitários de terra), tomam serrarias, vigiam as rotas de transporte e colocam a madeira no mercado com documentos adulterados. Uma iniciativa apresentada ao Senado em 2025 alertou que a extração clandestina se tornou um negócio de grande escala, enquanto um relatório da Comissão Nacional Florestal (Conafor) reconhece que a corrupção, a falta de fiscalização, a impunidade e a presença de grupos criminosos facilitam a extração e a lavagem de madeira para uso comercial.

A dimensão das perdas

O estudo oficial «Estimación de las pérdidas económicas por la tala ilegal en México», elaborado pela Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Semarnat) e pelo Instituto Nacional de Ecologia e Mudança Climática (INECC), calculou três níveis de ilegalidade. No cenário em que 70% da madeira consumida tem origem ilícita, o Estado deixou de arrecadar entre 14,818 e 20,745 milhões de pesos por ano em imposto de renda (ISR). Estima que a extração ilegal provoca ao menos 8% do desmatamento bruto — cerca de 16,640 hectares por ano — com perdas de serviços ambientais que podem chegar a 1,033 milhões de pesos.

A Procuradoria Federal de Proteção ao Ambiente (Profepa) identificou 122 áreas críticas por ilícitos florestais, 13 delas dentro de zonas naturais prioritárias. Entre elas estão o Bosque de Agua, que liga a Cidade do México, Morelos e o Estado do México; o Parque Nacional La Malinche, entre Puebla e Tlaxcala; o Pico de Orizaba, entre Puebla e Veracruz; e a Reserva da Biosfera da Borboleta Monarca, em Michoacán.

Cartéis, corredores e rotas de exportação

Os relatos situam extração clandestina, lavagem de madeira ou invasões florestais em Chihuahua, Guerrero, Oaxaca, Chiapas, Jalisco, Sonora, Durango, Sinaloa, Querétaro, Nayarit, Campeche, Quintana Roo e Yucatán. Em Chihuahua, uma investigação da Global Initiative Against Transnational Organized Crime identifica facções do Cartel de Sinaloa — entre elas Los Salazar e Flechas MZ — na exploração armada da Sierra Tarahumara e do Triângulo Dourado. Com informações atribuídas à Agência de Investigação Criminal, aponta que La Línea, braço do Cartel de Juárez, disputa o corredor madeireiro de Bocoyna e que jovens indígenas são recrutados à força como madeireiros ou vigias em municípios como Maguarichi, Guerrero, Uruachi, Ocampo, Madera e Guadalupe y Calvo.

Em Michoacán, uma reportagem da Bloomberg Businessweek relaciona a disputa territorial entre o Cartel Jalisco Nueva Generación e os Cárteles Unidos à extorsão da indústria do abacate e ao desmatamento de terras florestais para abrir novos pomares. O mesmo trabalho situa Los Tena, uma dissidência dos Cavaleiros Templários, na tomada de terras em Aquila e no contrabando de madeiras protegidas como sangualica e granadillo para a China. Em Guerrero, grupos armados como Los Viagras e Los Maldonado impõem a extração na Sierra de Petatlán e Tierra Caliente e transportam a madeira em caminhões com placas de Michoacán.

Lacunas de fiscalização

Em Chiapas, um parecer da Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados relatou crescimento superior a 500% no tráfico de madeira em Ocosingo, Palenque e outras zonas. Durante 2025, a Profepa documentou a apreensão de 22 toras de oyamel (abeto) em Ocuilan, dentro do Bosque de Agua. O Relatório de Autoavaliação 2023 da Conafor aponta que destinou 49.26 milhões de pesos a 236 projetos que abrangem 275,801 hectares de manejo florestal sustentável, além de certificados de cadeia de custódia e mecanismos de rastreabilidade. Ainda assim, a comissão conclui que a madeira ilegal continua deslocando os produtores autorizados porque não paga impostos, licenças nem programas de manejo, enquanto a fiscalização insuficiente e a impunidade permitem que os grupos criminosos controlem a exploração, o transporte e a venda.

Análise completa do mercado

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