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Costa do Marfim lança roteiro de €1,6 bilhão para o setor de óleo de palma

A Costa do Marfim lançou um roteiro de 1,077 trilhão de francos CFA (€1,6 bilhão) para ampliar o acesso a insumos, crédito e infraestrutura rural no setor de óleo de palma. O programa pode reforçar sua posição como maior exportador africano e fornecedor relevante de Mali e Burkina Faso.

Costa do Marfim lança roteiro de €1,6 bilhão para o setor de óleo de palma

Investimento mira a produtividade agrícola

A Costa do Marfim lançou um roteiro de 1,077 trilhão de francos CFA (€1,6 bilhão) para desenvolver o setor de óleo de palma. A iniciativa está entre as maiores ações públicas recentes do país na agroindústria. Segundo o La Tribune, o ministro da Agricultura, Bruno Nabagné Koné, apresentou a estratégia em 31 de julho, em Grand-Béréby, como parte de um programa provisório para as cadeias da palma de óleo e do coco.

O roteiro pretende melhorar o acesso a fertilizantes, mudas certificadas e crédito, além de recuperar estradas rurais. As medidas enfrentam limitações importantes dos palmeirais comunitários, que formam a base da oferta nacional. Estradas melhores também facilitarão o transporte dos frutos das propriedades para as unidades de processamento.

O novo programa complementa um plano de dez anos para o setor, aprovado pelo governo em outubro e avaliado em 245,9 bilhões de francos CFA (€375 milhões). O plano prevê renovar palmeirais envelhecidos, ampliar o acesso a mudas de alto rendimento, fortalecer a assistência técnica aos pequenos produtores e modernizar a infraestrutura rural.

Exportações regionais sustentam o setor

O óleo de palma é o quarto principal produto agrícola de exportação da Costa do Marfim, atrás de cacau, borracha natural e castanha de caju. O país produz entre 500 mil e 600 mil toneladas de óleo de palma bruto, o segundo maior volume da África, depois da Nigéria. Mesmo assim, lidera as exportações no continente e é um fornecedor central na Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental.

Mali e Burkina Faso estão entre os principais destinos. Em 2024, a Costa do Marfim vendeu 46,2 bilhões de francos CFA (€70 milhões) em óleo de palma para Mali e 43,9 bilhões de francos CFA (€67 milhões) para Burkina Faso, conforme dados aduaneiros citados pelo La Tribune. Ganhos de produtividade e uma renovação mais rápida dos palmeirais podem ampliar a oferta para esses mercados sem litoral e para processadores nacionais.

O investimento também busca dar mais resistência a um setor cuja produção depende fortemente dos pequenos agricultores. O acesso a financiamento e mudas certificadas determinará a velocidade de substituição das árvores antigas. Antes de os novos plantios entrarem em produção, a disponibilidade de fertilizantes e apoio técnico terá efeito direto sobre o rendimento.

Produtores da África Ocidental elevam as metas

A iniciativa marfinense avança enquanto Nigéria e Gana desenvolvem seus próprios programas. A Oil Palm Development Policy and Strategy da Nigéria para 2026-2050 pretende elevar a produção de óleo de palma bruto de 1,5 milhão para 9 milhões de toneladas, incluindo 2 milhões de toneladas para exportação. O plano também prevê 7,1 milhões de hectares cultivados e 2 milhões de empregos, além de um conselho nacional e mecanismos específicos de financiamento.

Gana planeja uma linha de financiamento de US$500 milhões (€433 milhões) para sua Política Nacional de Desenvolvimento Integrado da Palma de Óleo de 2026-2032. A estratégia inclui mais 100 mil hectares de palmeirais para ampliar a oferta de matéria-prima às indústrias. Os programas devem intensificar a disputa por investimentos e capacidade de processamento, mas também podem reduzir a dependência regional de importações e reter mais valor dos derivados do óleo de palma.

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