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Costa do Marfim fixa cacau de 2026/27 em 1.200 francos CFA por quilograma

A Costa do Marfim fixou o preço garantido ao produtor de cacau para a safra 2026/27 em 1.200 francos CFA por quilograma. O cálculo se baseia principalmente nos contratos de exportação vendidos entre março e junho de 2026, antes da forte recuperação dos preços mundiais.

Costa do Marfim fixa cacau de 2026/27 em 1.200 francos CFA por quilograma

Preço garantido reflete as vendas antecipadas

A Costa do Marfim iniciou a safra de cacau 2026/27 com um preço garantido ao produtor de 1.200 francos CFA por quilograma, segundo a KOACI. O valor foi anunciado quando a campanha entrou na fase ativa, em 1º de setembro de 2026. Alguns agricultores e participantes do setor o consideram insuficiente diante da recuperação posterior das cotações internacionais.

O governo e o Conselho do Café-Cacau afirmam que o preço ao produtor deve ser avaliado conforme as condições de mercado existentes quando os contratos de exportação foram vendidos. A Costa do Marfim comercializa antecipadamente uma parcela importante da safra esperada, o que permite estabelecer um preço garantido antes da entrega das amêndoas. O sistema procura dar previsibilidade à renda dos agricultores e reduzir sua exposição direta às oscilações internacionais.

Desde a reforma do setor em 2012, o princípio anunciado é repassar aos produtores pelo menos 60% do preço internacional considerado na venda aos exportadores. De acordo com a KOACI, a Costa do Marfim vendeu cerca de 1,1 milhão de contratos de exportação de cacau em apenas quatro meses, entre março e junho de 2026. Nos anos anteriores, o processo geralmente se estendia por quase nove meses, o que torna a aceleração do calendário fundamental para a atual discussão.

Mercado se recuperou após a venda da maioria dos contratos

Durante o período de vendas, de março a junho, os preços internacionais do cacau ficaram em torno de 2.200-2.800 libras esterlinas por tonelada, equivalentes a aproximadamente 1.680-2.138 francos CFA por quilograma. O mercado atravessava uma forte correção, e o preço médio obtido pelo Conselho do Café-Cacau no período foi estimado em cerca de 1.940 francos CFA por quilograma.

A aplicação da parcela de 60% destinada ao produtor sobre essa média sustenta um preço garantido próximo de 1.200 francos CFA por quilograma. O cálculo reflete, portanto, os valores assegurados durante a janela de venda antecipada, e não as cotações internacionais observadas meses depois. Essa diferença limita a capacidade das autoridades de transferir diretamente aos agricultores uma alta posterior dentro da mesma safra.

Mais tarde, o cacau passou a ser negociado internacionalmente por cerca de 4.300 libras esterlinas por tonelada, ou aproximadamente 3.284 francos CFA por quilograma, informou a KOACI. A Costa do Marfim já havia concluído a maior parte das vendas contratuais em julho de 2026, enquanto os sinais mais claros de recuperação apareceram a partir de agosto. A diferença entre o preço garantido e a cotação mundial posterior tornou-se a principal fonte de insatisfação entre os produtores.

Proteção da renda cobra um custo de oportunidade

O sistema regulado protege os agricultores quando os preços internacionais caem depois da venda dos contratos, mas também impede que eles capturem todo o ganho de uma alta posterior. Entre 2000 e 2011, o mercado de cacau marfinense foi mais liberalizado, e os preços pagos aos produtores podiam variar bastante conforme a região, a cidade, o comprador e o intermediário. A regulação foi retomada a partir de 2012, em parte para reduzir essas diferenças e proteger os produtores da volatilidade.

Os custos de produção também são relevantes para o cálculo. Estudos citados pelo Conselho do Café-Cacau estimam o custo da produção de cacau na Costa do Marfim em cerca de 1.000 francos CFA por quilograma. Com o preço garantido de 1.200 francos CFA, a margem teórica é de 200 francos CFA por quilograma. Embora supere o custo de referência, essa folga é pequena diante da diferença entre o preço garantido e o equivalente internacional registrado posteriormente.

Para exportadores e processadores, a economia do abastecimento fica vinculada a contratos fechados meses antes da entrega física. Para os agricultores, o acesso ao potencial de alta do mercado à vista é trocado por um preço mínimo conhecido. A Costa do Marfim continua sendo o maior produtor mundial de cacau, mas não define os preços internacionais, influenciados pela produção global, pelo clima, pela demanda, pelos estoques, pela especulação e pelo ambiente econômico. A controvérsia de 2026/27 expõe, assim, a contrapartida da venda antecipada: estabilidade quando o preço cai e perda de receita quando ele sobe depois do encerramento das vendas.

Análise completa do mercado

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