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A indústria do caju da Costa do Marfim opera a plena capacidade, mas precisa subir na cadeia de valor

A indústria de processamento de caju da Costa do Marfim opera a plena capacidade, e a castanha é hoje a terceira maior fonte de receita de exportação do setor agrícola do país, atrás do cacau e da borracha natural. Para reter mais receita no país, o setor precisa ampliar o processamento e subir na cadeia de valor em vez de exportar a castanha crua.

A indústria do caju da Costa do Marfim opera a plena capacidade, mas precisa subir na cadeia de valor

O caju, terceiro pilar das exportações agrícolas marfinenses

A castanha de caju tornou-se a terceira maior fonte de receita de exportação do setor agrícola da Costa do Marfim, atrás apenas do cacau e da borracha natural. Para um país há muito definido pelo cacau, a ascensão do caju representa uma ampliação da base exportadora e oferece aos compradores da Ásia e da Europa mais uma grande origem da África Ocidental a acompanhar. Também confirma que a castanha deixou de ser uma cultura secundária para se tornar uma das principais fontes de divisas da economia.

As unidades de processamento locais operam atualmente a plena capacidade. É sinal de que a base industrial construída em torno da castanha amadureceu para além da simples coleta e do embarque do produto bruto, e mostra que a demanda pela produção marfinense — tanto crua quanto processada — permanece firme.

Da castanha crua à amêndoa acabada

A questão central do setor já não é se ele consegue produzir, mas quanto valor consegue reter no país. A castanha crua e a amêndoa processada situam-se em pontos muito distintos da curva de preços: a castanha bruta é uma commodity de baixa margem, enquanto a amêndoa descascada, classificada e embalada obtém um prêmio substancial nos mercados de consumo. Cada tonelada processada internamente em vez de embarcada crua é receita e emprego que ficam na Costa do Marfim.

Historicamente, grande parte do caju cru mundial foi descascada na Ásia, deixando aos países produtores o elo de menor valor da cadeia. É esse o pano de fundo do esforço para subir na cadeia de valor. Com a capacidade de processamento já totalmente ocupada, a próxima fase depende de ampliá-la e modernizá-la — para que uma parcela maior da safra seja transformada localmente em vez de enviada ao exterior para descascar.

O que significa para o comércio

  • Os compradores de castanha crua enfrentam um produtor que cada vez mais quer processar na origem, o que ao longo do tempo pode apertar a oferta de mercadoria não processada.
  • Os importadores de amêndoa acabada ganham um potencial novo fornecedor de grande escala, concorrendo com os polos de processamento já estabelecidos.
  • A terceira posição atrás do cacau e da borracha aponta para uma diversificação da agricultura marfinense e menor dependência de uma única cultura-carro-chefe.

Por ora, o quadro é claro: uma indústria que trabalha no limite de sua capacidade atual e uma ambição nacional de capturar mais da margem que hoje ainda flui para processadores no exterior. A rapidez com que a Costa do Marfim conseguir adicionar e modernizar capacidade vai determinar se o boom do caju se converte em valor industrial duradouro ou permanece, em grande parte, uma exportação de matéria-prima.

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