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Conversa entre Trump e Xi coloca soja e tarifas no centro da agenda comercial

As negociações tarifárias entre Estados Unidos e China podem definir se a soja americana recuperará espaço no mercado chinês. A retirada da tarifa adicional de 10% afetaria a competitividade dos EUA e a liderança brasileira no abastecimento da China.

Conversa entre Trump e Xi coloca soja e tarifas no centro da agenda comercial

Soja volta à mesa de negociação

Um encontro previsto entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, colocou a soja e as tarifas agrícolas entre os principais temas da agenda comercial bilateral. A Exame informou que a reunião estava marcada para quinta-feira, dia 24, em Washington. Produtores, tradings e indústrias processadoras dos Estados Unidos e do Brasil acompanharão o resultado de perto, pois mudanças na política chinesa de compras podem redirecionar grandes volumes entre os dois fornecedores.

A China é o principal destino das exportações americanas de soja e o maior mercado externo da indústria brasileira de oleaginosas. O Brasil consolidou-se como maior fornecedor chinês enquanto as barreiras comerciais restringiam as vendas americanas. No ano passado, o Brasil embarcou 87 milhões de toneladas de soja para a China, enquanto os Estados Unidos venderam cerca de 15 milhões de toneladas, abaixo da média histórica próxima de 22 milhões, conforme os números citados pela Exame.

Alívio tarifário pode reativar demanda privada

Pequim mantém uma tarifa adicional de 10% sobre produtos americanos, incluindo mercadorias agrícolas. Giovana Cavalca, analista de grãos da casa de derivativos Amius, disse à Exame que a retirada da cobrança permitiria a entrada da soja americana na China em condições mais competitivas. O grão de países como a Argentina não está sujeito à mesma tarifa extra.

Segundo Cavalca, as compras chinesas recentes de soja americana foram realizadas em grande parte por compradores estatais. A tarifa torna o produto dos Estados Unidos menos atraente para importadores privados e limita uma recuperação comercial mais ampla. Sua redução ou retirada pode, portanto, ser tão relevante quanto compromissos governamentais de compra, pois permitiria que esmagadoras e tradings escolhessem cargas americanas em condições comerciais.

Os Estados Unidos afirmaram que a China compraria 25 milhões de toneladas de soja americana por ano até 2028. O governo Trump também declarou que Pequim concordou em acrescentar US$ 17 bilhões anuais em compras de produtos agrícolas durante a visita do presidente americano à China em maio. A China não confirmou publicamente nenhum dos dois acordos, embora autoridades americanas afirmem que Pequim está a caminho de cumprir o compromisso relativo à soja.

Liderança brasileira encontra a janela de exportação dos EUA

As importações chinesas do Brasil alcançaram 44,53 milhões de toneladas até julho, 5,4% acima das 42,26 milhões de toneladas adquiridas no mesmo período de 2025. As compras dos Estados Unidos recuaram 31,2%, para 10,7 milhões de toneladas, segundo a Amius. Em valor, a China importou US$ 26,10 bilhões em soja brasileira entre janeiro e agosto de 2026, alta anual de 13%, enquanto as compras americanas caíram 32,7%, para US$ 5,20 bilhões.

A sazonalidade determinará a velocidade com que um acordo político alterará os fluxos físicos. Cavalca afirmou que as exportações brasileiras normalmente atingem os maiores volumes em abril e maio, e o primeiro semestre concentra a maior parte das chegadas à China após os prazos de transporte e desembaraço. A soja americana ganha relevância em uma janela posterior, criando uma oportunidade caso as tarifas caiam antes do pico sazonal dos Estados Unidos.

O USDA projeta produção americana de soja de aproximadamente 121 milhões de toneladas em 2026/27 e exportações de 46,3 milhões de toneladas. O acesso à demanda privada chinesa ajudaria a escoar essa safra e reduziria a pressão sobre produtores americanos afetados por custos elevados e menor competitividade internacional. Para produtores e exportadores brasileiros, a retomada dos Estados Unidos intensificaria a disputa pelo mercado chinês e poderia afetar prêmios, preços e a distribuição de cargas no comércio mundial.

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