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Conflito no Oriente Médio desacelera exportações de chá do Quênia

A produção de chá do Quênia cresceu 4,7% entre janeiro e maio de 2026, mas a expansão das exportações desacelerou para 3% diante da queda em mercados tradicionais. Problemas nas rotas marítimas do Golfo deixaram milhões de quilogramas de chá retidos em Mombaça e elevaram os custos de frete, seguro e transporte.

Conflito no Oriente Médio desacelera exportações de chá do Quênia

Produção cresce enquanto exportações perdem ritmo

A produção de chá do Quênia cresceu 4,7% em relação ao ano anterior, para 252,23 milhões de quilogramas, entre janeiro e maio de 2026, segundo o Kenyan Wall Street. A expansão das exportações, porém, desacelerou para 3%, pois fortes quedas em vários mercados consolidados limitaram a capacidade do setor de vender no exterior o volume adicional.

O Irã registrou a maior contração mensal. O Business Today informou que os embarques de chá queniano para o país caíram 98% em maio, de 1,172 milhão de quilogramas um ano antes para apenas 0,025 milhão. A demanda de um mercado atendido pela logística do Golfo despencou justamente quando produtores e exportadores precisavam absorver uma safra doméstica maior.

A fraqueza não se restringiu ao Irã. Entre janeiro e maio, as exportações para Omã caíram 59%, para 3,41 milhões de quilogramas, enquanto os embarques para o Sudão recuaram também 59%, para 2,89 milhões. O Afeganistão recebeu 0,37 milhão de quilogramas, queda de 68%, e as vendas ao Cazaquistão diminuíram 23%, para 3,57 milhões.

Interrupção marítima bloqueia rotas tradicionais

O Conselho de Chá do Quênia relacionou a fraqueza do comércio com o Oriente Médio em maio aos problemas de navegação no estreito de Ormuz. Segundo o Business Today, Ormuz e Bab el-Mandeb fecharam após a escalada entre Estados Unidos, Israel e Irã em março de 2026, levando navios a cancelar escalas em Mombaça. A Reuters informou separadamente que o tráfego de embarcações pela passagem estratégica caiu de forma acentuada, enquanto os custos de frete e segurança aumentaram.

As interrupções também atingiram o porto de Salalah, em Omã, onde cargas de chá destinadas ao Irã, Egito, Paquistão e Reino Unido são consolidadas. De acordo com o Business Today, o porto foi atacado em 11 de março de 2026 e um tanque de combustível foi atingido. Os problemas nesse centro logístico afetaram, portanto, cargas destinadas a mercados além do próprio Omã.

A exposição do setor é elevada. Dados da indústria citados pelo Business Today indicam que o Oriente Médio representa 20–25% do mercado de exportação do chá queniano. A participação sobe para 65% quando o Paquistão é incluído, porque os países desse grupo ampliado utilizam serviços de transbordo no Golfo.

Estoques se acumulam em Mombaça

Entre 6 milhões e 8 milhões de quilogramas de chá, avaliados em cerca de US$ 23 milhões, estão retidos em armazéns de Mombaça, informou o Business Today. A Associação de Comércio de Chá da África Oriental afirmou que 2,3 milhões de quilogramas deixam de ser transportados por semana. Esses estoques imobilizam capital de giro e aumentam a pressão sobre os armazéns de exportadores, fábricas e comerciantes.

O chá queniano destinado ao Paquistão agora segue pelo cabo da Boa Esperança, na África do Sul. A rota alternativa exige mais de 46 dias de trânsito, e os custos maiores de frete e seguro encarecem o transporte. A viagem prolongada atrasa pagamentos e dificulta o planejamento das entregas para compradores paquistaneses e fornecedores quenianos.

O Conselho de Chá alertou que os embarques enfrentam dificuldades para chegar a Omã, Sudão, Afeganistão e Cazaquistão. A entidade atribuiu especificamente a fraqueza do Oriente Médio em maio aos problemas marítimos, mas não apontou uma causa única para as quedas no Afeganistão, Cazaquistão e Sudão. Com a produção ainda em alta, o setor precisa restabelecer as rotas do Golfo ou redirecionar mais volume a outros destinos antes que os estoques aumentem ainda mais.

Análise completa do mercado

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