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Concorrência chinesa agrava crise de 54 meses do setor moveleiro polonês

A indústria moveleira da Polônia perde espaço no mercado doméstico e nos principais destinos europeus diante do avanço de fornecedores chineses mais baratos. A queda nas vendas, exportações e rentabilidade ocorre junto com cortes de empregos, aumento das insolvências e uma grave escassez de madeira.

Concorrência chinesa agrava crise de 54 meses do setor moveleiro polonês

Retração do setor chega a 54 meses

A indústria moveleira da Polônia, a terceira maior da União Europeia, enfrenta uma fase de retração há 54 meses, segundo relatório da B+R Studio citado pelo Rzeczpospolita. A produção vendida valia 4,44 bilhões de zlotys em janeiro de 2026, mas havia recuado quase 300 milhões de zlotys até julho. Nos primeiros sete meses do ano, a produção ficou 3,2% abaixo do mesmo período de 2025.

A rentabilidade se deteriorou junto com a produção. O indicador do setor caiu de 6,4% em 2023 para 4% no primeiro semestre de 2026, menor nível desde 2019. Das 360 grandes empresas que apresentaram resultados no primeiro trimestre de 2026, 30% tiveram prejuízo. Um ano antes, um terço das 370 companhias declarantes estava no vermelho.

Dados do Bank Pekao mostram que as vendas de móveis no mercado polonês caíram 8% no primeiro semestre de 2026, enquanto as exportações recuaram 5%. Embora quase toda a indústria moveleira da UE esteja estagnada, a Polônia praticamente não ampliou sua participação desde 2019. Os fabricantes chineses, por sua vez, aumentaram em mais de 6 pontos percentuais sua fatia nas importações de móveis da UE em seis anos.

Fornecedores chineses avançam na Polônia e na Europa

A Polônia importou um recorde de 1,1 bilhão de euros em móveis chineses em 2025, segundo a B+R Studio, mais que o dobro dos 545 milhões de euros registrados em 2019. A China alcançou cerca de 35% das importações polonesas de móveis, a segunda maior proporção da UE depois dos Países Baixos, onde os produtos chineses representam 46%.

A mesma mudança competitiva aparece em toda a Europa. Entre 2019 e 2025, a participação da Polônia nas importações de móveis da UE caiu 0,4 ponto percentual, enquanto a da China avançou 6,3 pontos. Krzysztof Mrówczyński, do Bank Pekao, afirmou que as exportações chinesas de móveis para a UE cresceram quase 60% no período, ante apenas 7% para a Polônia.

Nos últimos dois anos, os fornecedores poloneses perderam participação nas importações da França, dos Países Baixos, da Dinamarca, da Itália e da Espanha. Na Alemanha, sua fatia aumentou ligeiramente, mas o valor das vendas caiu 16%. Os fornecedores chineses ampliaram sua presença entre todos os principais compradores europeus e, em alguns mercados, ganharam mais de 10 pontos percentuais. Representantes do setor avaliam que as tarifas que restringem o acesso chinês ao grande mercado dos Estados Unidos redirecionaram mais oferta para a Europa.

Custos, empregos e oferta de madeira aumentam a pressão

A concorrência asiática de menor preço coincidiu com o aumento dos custos trabalhistas, tributários e previdenciários na Polônia. O salário bruto médio mensal na indústria moveleira polonesa cresceu 50% entre janeiro de 2022 e julho de 2026, chegando a 7.065 zlotys, afirmou Tomasz Wiktorski, diretor-geral da B+R Studio. Os fabricantes eliminaram 30 mil postos de trabalho entre 2022 e 2026, reduzindo o emprego para 134 mil pessoas. A Coface registrou 82 insolvências na fabricação de móveis em 2025, ante 70 em 2024, 53 em 2023, 37 em 2022 e 22 em 2021. A Black Red White também encerrará a produção de móveis de cozinha em sua fábrica de Zamość até o fim do segundo trimestre de 2026.

As limitações de matérias-primas agravam o problema. A retirada de 3 milhões de metros cúbicos de madeira e biomassa da Rússia e de Belarus, países sob sanções, foi seguida por outra redução de 3 milhões de metros cúbicos na oferta doméstica associada a decisões governamentais. O déficit anual acumulado agora supera 7 milhões de metros cúbicos. A produção de pellets aumentou 550 mil toneladas entre 2021 e 2025 e consome anualmente o equivalente a cerca de 1,2 milhão de metros cúbicos de madeira. Entidades do setor pediram às autoridades polonesas uma oferta estável de pelo menos 41 milhões de metros cúbicos por ano e apoio às importações caso a disponibilidade doméstica não atinja esse nível. Automação, consolidação e acesso direto aos clientes podem ajudar, mas a pressão persistente sobre as margens também pode levar algumas empresas a considerar a transferência da produção.

Análise completa do mercado

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