Colômbia mira exportar até 200.000 toneladas de limão Tahiti após abertura da China
A Colômbia prevê elevar as exportações de limão Tahiti de cerca de 100.000 toneladas em 2025 para até 200.000 toneladas em dois ou três anos. Novos pomares, a demanda dos Estados Unidos e o acesso à China sustentam a projeção, mas custos e prazos logísticos ainda limitam a competitividade.
Novos pomares ampliam a capacidade exportadora
A Colômbia poderá dobrar as exportações de limão Tahiti nos próximos dois ou três anos, à medida que pomares recentes alcançam maior produtividade e os exportadores obtêm acesso à China. Segundo o PortalNews, o país exportou cerca de 100.000 toneladas em 2025, gerando receitas próximas de US$ 130 milhões. Andrés Londoño, presidente do conselho diretor da Associação de Produtores de Frutas da Colômbia (CITRI), afirmou que os embarques poderão atingir 150.000 ou até 200.000 toneladas nesse período.
A projeção se apoia numa citricultura em expansão, com aproximadamente 140.000 hectares plantados. A produção comercial se concentra em Norte de Santander, no corredor do Eixo Cafeeiro, em Valle del Cauca, Tolima e Cundinamarca. Essas áreas abastecem tanto o mercado doméstico quanto os compradores estrangeiros. Os pomares implantados nos últimos quatro anos entraram recentemente na fase de maior produtividade, ampliando o volume potencialmente disponível para exportação.
As condições climáticas permitem que a Colômbia produza cítricos durante as 52 semanas do ano e mantenha uma janela comercial contínua. O aumento da oferta é particularmente relevante para produtores de Tolima, Cundinamarca e da região centro-oeste. No entanto, a fruta adicional terá de atender às exigências específicas de cada destino quanto à aparência, cadeia de frio e manejo pós-colheita.
Estados Unidos seguem como destino central
Os Estados Unidos são o principal mercado do limão Tahiti colombiano. De acordo com o PortalNews, a Colômbia responde por cerca de 20% das importações norte-americanas, enquanto o México mantém aproximadamente 80%. A proximidade da costa leste dos Estados Unidos é uma vantagem: o trânsito marítimo leva apenas quatro ou cinco dias, ajudando a preservar a aparência e a qualidade de uma fruta altamente perecível.
Em contraste, os embarques para a Europa exigem cerca de 18 dias. Viagens mais longas demandam protocolos mais rigorosos de colheita, armazenamento e pós-colheita, além de aumentarem o risco comercial de perda de qualidade. Para os importadores, a produção colombiana durante todo o ano e o acesso rápido à costa leste norte-americana oferecem uma fonte complementar, embora o México continue dominante.
O limão Tahiti também gera muito mais comércio de exportação para a Colômbia do que a laranja. Segundo o PortalNews, as exportações de laranja chegaram a aproximadamente 9.000 toneladas, equivalentes a cerca de US$ 10 milhões. Os preços domésticos continuam mais atraentes para os produtores de laranja, reduzindo o incentivo para direcionar volumes maiores ao exterior.
China oferece escala, mas aumenta a exigência logística
A China abriu oficialmente seu mercado ao limão Tahiti colombiano após quatro anos de trabalho entre as autoridades fitossanitárias dos dois países. A Celifruit fará o primeiro embarque exploratório, enquanto outras exportadoras concluem os procedimentos de entrada. A autorização cria um novo canal de venda num momento de crescimento da oferta, mas o desenvolvimento comercial dependerá da preservação da qualidade ao longo de uma rota marítima muito mais extensa.
Os fornecedores precisarão aprimorar a nutrição das lavouras, a colheita, a refrigeração e os processos pós-colheita para atender à China. Os altos custos logísticos já restringem a competitividade colombiana. A CITRI espera que Puerto Antioquia permita reduzir em até 40% os custos logísticos internos para produtores do centro-oeste, incluindo economia de cerca de US$ 2.000 por viagem terrestre. Se esses ganhos se concretizarem, poderão melhorar as margens e facilitar a venda da oferta crescente aos Estados Unidos, à China e a outros mercados distantes.