Colômbia eleva tarifas sobre o Equador para 100% em retaliação enquanto a disputa comercial na fronteira se agrava
A Colômbia elevará para 100% as tarifas sobre mercadorias equatorianas depois de Quito aumentar suas próprias tarifas sobre importações colombianas ao mesmo nível a partir de 1º de maio. Bogotá considera que as medidas violam o Acordo de Cartagena de 1969 e iniciou ações legais; a disputa tem origem no narcotráfico e na segurança da fronteira.
Colômbia iguala o Equador com tarifas de 100%
A Colômbia afirmou na sexta-feira que elevará para 100% as tarifas sobre importações do Equador, em resposta à decisão de Quito de aumentar suas próprias tarifas alfandegárias sobre mercadorias colombianas de 50% para 100% a partir de 1º de maio, segundo a Anadolu Ajansı. A ministra do Comércio, Indústria e Turismo da Colômbia, Diana Marcela Morales, disse que Bogotá igualaria os novos níveis tarifários do Equador, subindo de 30% para 100% a tarifa atual sobre importações equatorianas.
"Apesar de todos os esforços diplomáticos, não recebemos uma resposta positiva; ao contrário, o governo do presidente (equatoriano) Daniel Noboa anunciou que endureceria ainda mais sua posição na frente comercial", disse Morales. Os movimentos quase simultâneos elevam as tarifas entre os dois vizinhos andinos a níveis proibitivos, deixando de fato muitas mercadorias comercializadas fora do mercado uma da outra.
Como a disputa escalou
A fricção comercial começou no início deste ano, quando o Equador subiu as tarifas sobre mercadorias colombianas de 30% para 50%. Depois o confronto se ampliou para além das tarifas, alcançando energia e logística, com cada lado usando sua influência sobre os fluxos transfronteiriços.
- O Equador subiu as tarifas sobre mercadorias colombianas de 30% para 50% no início do ano e, na quinta-feira, anunciou nova alta para 100% a partir de 1º de maio.
- A Colômbia manteve em 30% sua tarifa sobre importações equatorianas antes de decidir igualar o Equador em 100%.
- A Colômbia suspendeu as exportações de eletricidade para o Equador em resposta ao aumento tarifário anterior.
- O Equador elevou as taxas de trânsito do petróleo da estatal colombiana Ecopetrol de 3 para 30 dólares por barril.
O Ministério da Produção do Equador justificou suas medidas tarifárias criticando a Colômbia por não adotar medidas suficientes para combater o narcotráfico e garantir a segurança da fronteira, segundo a Anadolu Ajansı.
Consequências legais e diplomáticas
Morales afirmou que as medidas tarifárias do Equador violam o Acordo de Cartagena de 1969, um marco central para a integração regional, e que foram iniciadas ações legais. O impasse comercial transbordou para a diplomacia: o Equador chamou de volta seu embaixador em Bogotá para consultas após declarações do presidente colombiano Gustavo Petro, e a Colômbia respondeu chamando de volta seu embaixador em Quito.
O confronto reflete tensões mais amplas entre Petro e Noboa sobre como combater os grupos de narcotráfico que atuam nas regiões de fronteira que os dois países compartilham.
O que isso significa para os fluxos comerciais
Para importadores e exportadores dos dois lados, tarifas de 100% eliminam a competitividade de preço em que se apoia a maioria dos embarques bilaterais. Setores que dependem do mercado do vizinho — incluindo o fornecimento de eletricidade da Colômbia e o trânsito de petróleo para a Ecopetrol — enfrentam agora custos acentuadamente mais altos ou suspensão total. Com o processo sob o Acordo de Cartagena apenas começando e os embaixadores retirados de ambos os lados, os operadores não têm um cronograma claro sobre quando o acesso poderá se normalizar.