Colúmbia Britânica quer incluir contrato de F-35 de 12 bilhões de dólares e carvão americano na resposta do Canadá
O premiê da Colúmbia Britânica, David Eby, pressiona Ottawa a ampliar a resposta canadense às últimas tarifas dos Estados Unidos para além das taxas espelhadas sobre importações. Suas duas propostas mais destacadas são rever a compra de caças F-35 aos Estados Unidos por 12 bilhões de dólares e colocar na mesa os embarques de carvão americano. O governo federal não anunciou decisão.
O premiê da Colúmbia Britânica, David Eby, pressiona o governo federal a ampliar a resposta do Canadá às últimas tarifas dos Estados Unidos, argumentando que espelhar taxas item a item já não dá conta da situação. Duas de suas propostas se destacam: rever a compra de caças F-35 aos Estados Unidos, avaliada em 12 bilhões de dólares, e colocar na mesa os embarques de carvão americano.
A manifestação muda os termos do debate canadense. Até agora, a discussão em Ottawa girava sobretudo em torno de quais importações americanas deveriam receber tarifas de retaliação. Eby argumenta que o Canadá também controla grandes compras junto a fornecedores americanos e rotas de trânsito das quais dependem exportadores dos Estados Unidos, e que ambos devem entrar na resposta ao lado das tarifas. O apelo é dirigido ao primeiro-ministro Mark Carney, cujo governo define a política de compras e de exportação.
Um contrato de compras como instrumento de pressão
O caso do F-35 é o item de maior valor identificado na lista, com 12 bilhões de dólares. Ele difere de uma tarifa em um ponto básico. A tarifa encarece bens que já cruzam a fronteira e é paga, em primeiro lugar, pelos importadores nacionais. Uma decisão de compra é um pagamento direto de dinheiro público a um fornecedor estrangeiro e pode ser adiada, reduzida ou cancelada sem mexer na tabela aduaneira.
As informações divulgadas descrevem a posição de Eby como revisão, e não como pedido explícito de cancelamento, e não indicam quantas aeronaves ou quais lotes de entrega seriam afetados. A distinção importa para fornecedores e para a base industrial de defesa: pausar um pedido plurianual e encerrá-lo têm efeitos diferentes sobre o planejamento de produção, sobre as empresas canadenses na cadeia de suprimentos e sobre o cronograma de transição da força aérea. Qualquer mudança também traria custos ao Canadá: outra aeronave, novos esquemas de treinamento e manutenção, além de questões de interoperabilidade com forças aéreas aliadas.
O carvão que sai pela Colúmbia Britânica
A segunda proposta trata de infraestrutura, não de compras. O carvão americano chega a compradores no exterior por terminais da costa oeste na Colúmbia Britânica, o que faz da província um elo de uma cadeia exportadora dos Estados Unidos e não a consumidora da carga. Restringir ou taxar esse fluxo atinge produtores americanos sem elevar a conta de importação canadense.
As informações disponíveis não especificam volumes, instrumento ou prazo. Essa lacuna pesa. Uma taxa de exportação, uma restrição de acesso portuário e um regime de licenças afetariam de forma distinta produtores, operadores de terminais, ferrovias e as elétricas asiáticas que compram o carvão, e cada opção levaria um tempo diferente para entrar em vigor. A tonelagem é movimentada por operadores de terminais e ferrovias da Colúmbia Britânica, de modo que uma medida voltada a produtores americanos também reduziria a receita logística da província.
Competência federal, pressão provincial
Eby pode propor, mas não executar. Controles de exportação, compras de defesa e listas tarifárias são competência do governo federal; ao premiê cabe pressionar Ottawa e falar pelos setores afetados de sua província. A Colúmbia Britânica está exposta nos dois sentidos: seus portos e ferrovias transportam a carga americana visada por uma das propostas, enquanto seus exportadores de madeira, minerais e energia estão sujeitos às medidas dos Estados Unidos.
Nenhuma decisão federal foi anunciada sobre qualquer das propostas. Para as empresas dos dois lados da fronteira, as perguntas práticas são objetivas: se Ottawa vai abrir uma via não tarifária, se o contrato do F-35 será reaberto e em que formato, e se o carvão em trânsito por terminais canadenses virará instrumento de política. Enquanto o governo federal não responder, são insumos de uma decisão e não medidas com datas.