Colheita de maçã da UE prevista em 9,496 milhões de toneladas, menos 15,6%; Polónia cai 29,9%
Os dados da WAPA apresentados na conferência Prognosfruit 2026 apontam para uma colheita de maçã na UE de 9,496 milhões de toneladas, menos 15,6% do que em 2025 e abaixo da média plurianual. A Polónia, maior produtora do bloco, é estimada em 2,665 milhões de toneladas, uma queda de 29,9%. Os grandes stocks por vender em Itália e na Alemanha e os danos do calor na qualidade da Gala condicionam a perspetiva de preços.
Oferta da UE entra na campanha 15,6% mais baixa
A produção de maçã na União Europeia está prevista em 9,496 milhões de toneladas nesta campanha, menos 15,6% do que a colheita de 2025 e abaixo da média dos últimos anos, segundo os dados da WAPA apresentados na conferência Prognosfruit 2026 e divulgados pelo portal sad24.pl. O e-sadownictwo.pl situa a mesma previsão em cerca de 9,5 milhões de toneladas e a quebra em torno de 15%, descrevendo um mercado que entra na campanha com oferta claramente limitada.
As previsões foram discutidas num painel sobre o mercado da maçã durante os Dias Abertos da SGGW, em Wilanów. Aí, Mirosław Maliszewski, presidente da associação polaca de fruticultores Związek Sadowników RP, anunciou que a organização vai publicar regularmente cenários de mercado para cada espécie de fruta.
A Polónia regista a maior queda
A Polónia continua a ser a maior produtora de maçã da União Europeia, mas é também a que apresenta a descida mais acentuada na tabela da WAPA. A colheita polaca está prevista em 2,665 milhões de toneladas, contra 3,8 milhões de toneladas um ano antes, uma quebra de 29,9%. Maliszewski alertou que a colheita polaca da campanha anterior pode ter sido subestimada e que o acerto de toda a previsão europeia depende em grande medida da quantidade de fruta efetivamente apanhada na Polónia.
- Polónia: 2,665 milhões de toneladas, menos 29,9%
- Itália: 2,269 milhões de toneladas, menos 2,2%
- França: 1,162 milhões de toneladas, menos 24,2%
- Alemanha: 1,013 milhões de toneladas, menos 10,9%
- Países Baixos: 195 mil toneladas, menos 17,5%
- Bélgica: 166 mil toneladas, menos 25,1%
Praticamente todos os concorrentes relevantes dos fruticultores polacos vão dispor de menos fruta do que na campanha anterior, refere o e-sadownictwo.pl.
O calor desloca o foco do tonelagem para a qualidade
Uma linha distinta do debate diz respeito à qualidade comercial. O portal kobietawsadzie.pl, citando uma nota de mercado de Robert Sas, do IPSAD, indica que as temperaturas elevadas em muitas regiões de França, Alemanha, Áustria, países do Benelux e Itália travaram o crescimento dos frutos e provocaram perda de firmeza, escaldão solar e, em alguns pontos, queda prematura das maçãs. A Gala e as suas mutações surgem como as mais afetadas: em algumas regiões, o diâmetro dos frutos não ultrapassou os 60 mm na colheita.
Vários destes números de qualidade são mais severos do que as previsões de tonelagem. O setor francês fala numa quebra de cerca de 30% na produção de maçã de qualidade face à campanha anterior, enquanto a colheita alemã é aí estimada quase 20% abaixo de 2025, mais do que os 10,9% da previsão da WAPA citada pelo sad24.pl. Na região austríaca da Estíria, espera-se uma colheita equivalente a cerca de 65% do nível do ano passado.
Para os produtores polacos de Gala, o que conta mais é a situação em Itália. O Trentino produz mais de 500 mil toneladas de maçã, incluindo volumes significativos de variedades de mesa, e a produção total ali será, segundo o IPSAD, cerca de 10% a 12% inferior à do ano anterior. As primeiras informações pós-colheita apontam para menor calibre e peso do fruto, menor firmeza, escaldão solar e maior proporção de refugo na calibragem, o que significa que a oferta de fruta de mesa comercializável pode cair mais do que a tonelagem.
Stocks e custos continuam a ser o travão
Colheitas menores não se traduzem automaticamente em melhores preços. Maliszewski apontou os grandes volumes de maçã por vender transitados para a nova campanha, sobretudo em Itália e na Alemanha, e afirmou que o nível desses stocks e o ritmo de escoamento vão determinar os preços nos próximos meses. Descreveu a maçã como a espécie que mais desiludiu os fruticultores polacos na primavera, em grande parte, disse, por erros do próprio setor.
Os custos são a outra face. Um fruticultor citado pelo kobietawsadzie.pl considera que cerca de 1,50 a 1,60 zlótis por quilo depois da calibragem é um nível difícil de aceitar para um produtor de Gala de alta qualidade com os custos atuais da exploração, e que essa pressão leva a cortar na proteção fitossanitária, na fertilização e na poda, com consequências na qualidade da fruta nas campanhas seguintes. O IPSAD sublinha que a oferta real de Gala de qualidade na Europa só poderá ser avaliada depois de concluídas a colheita e a calibragem.