Exportadores sul-africanos de citrinos procuram acesso duradouro aos EUA
O setor sul-africano de citrinos recebeu positivamente a prorrogação da AGOA, mas a elegibilidade do país continua sujeita a revisão. Os exportadores defendem um acordo bilateral diante de uma tarifa de 12,5% e das exigências fitossanitárias dos Estados Unidos.
Prorrogação da AGOA oferece certeza limitada
O setor sul-africano de citrinos recebeu positivamente a prorrogação da Lei de Crescimento e Oportunidades para África, conhecida como AGOA, mas considera que a medida não resolve a incerteza de longo prazo sobre o acesso ao mercado norte-americano. A elegibilidade da África do Sul continua sujeita a revisão, obrigando os exportadores a planear futuras campanhas sem uma garantia duradoura das condições comerciais.
Segundo a FreshPlaza, os citrinos estão entre os principais produtos exportados pela África do Sul ao abrigo da AGOA em termos de valor. Jana Janse van Rensburg, responsável pelo acesso a mercados na Associação de Produtores de Citrinos, afirmou que o setor procura um acordo comercial bilateral com os Estados Unidos, acompanhado por medidas relativas às tarifas e às exigências fitossanitárias. Esse quadro daria maior previsibilidade a produtores, empresas de embalamento e exportadores nas decisões de produção, comercialização e logística.
Exportadores pretendem defender espaço nas prateleiras
As exportações sul-africanas de citrinos enfrentam atualmente uma tarifa de 12,5%. Apesar desse custo, os fornecedores pretendem continuar a abastecer os clientes norte-americanos para preservar as relações comerciais e o espaço nas prateleiras do retalho. Janse van Rensburg explicou que essas relações podem levar anos a construir e são difíceis de recuperar depois de perdidas. A continuidade mantém, assim, valor estratégico, mesmo quando a tarifa reduz o retorno imediato das vendas.
A exposição do setor não se limita à tarifa. Os programas de exportação são planeados com meses de antecedência, enquanto a fruta enviada aos Estados Unidos exige uma infraestrutura especializada de cadeia de frio. Produtores e exportadores precisam de coordenar colheita, embalamento, tratamento, transporte e entrega antes de o enquadramento político final estar necessariamente definido. O setor também considera prioritárias a competitividade, a qualidade, a sustentabilidade, a rastreabilidade e a gestão da cadeia de frio.
Mercado norte-americano mantém valor estratégico
A África do Sul exporta citrinos para mais de 120 países, reduzindo a dependência de qualquer destino isolado. Ainda assim, os Estados Unidos representam cerca de 5% das exportações totais de citrinos. Na campanha anterior, foram enviadas mais de 120.000 toneladas a partir de zonas produtoras qualificadas, o que mantém a relevância comercial do mercado, embora a sua participação no comércio total seja minoritária.
A produção está a crescer, aumentando a necessidade de proteger os canais estabelecidos enquanto se desenvolvem novos destinos. Segundo Janse van Rensburg, a diversificação é essencial, mas não substitui a manutenção do acesso aos clientes existentes. Os mercados alternativos também impõem requisitos fitossanitários, normas de segurança alimentar e limites máximos de resíduos. Por isso, não conseguem necessariamente absorver de imediato o aumento dos volumes.
Risco comercial condiciona o planeamento
Especialistas que participaram num seminário online da FairPlay aconselharam as empresas a avaliar as relações de exportação mercado a mercado à medida que as tarifas e políticas comerciais mudam. Para as empresas sul-africanas de citrinos, a prorrogação da AGOA oferece uma pausa, mas não uma solução definitiva. A procura por um acordo bilateral reflete o longo ciclo de planeamento das exportações agrícolas e o investimento exigido para servir um mercado fortemente regulamentado.
A estratégia imediata tem, portanto, duas frentes: manter os clientes norte-americanos apesar da tarifa de 12,5% e continuar a desenvolver alternativas numa rede que já abrange mais de 120 países. Esse equilíbrio determinará a capacidade do setor para colocar uma produção crescente enquanto gere os custos tarifários, o cumprimento das regras e o risco de perder posições comerciais consolidadas.